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Nas oitavas, Brasil terá pela frente muralha africana ou ataque nórdico avassalador

Costa do Marfim não foi vazada nas Eliminatórias e Noruega teve média de 4,62 gols por jogo em 2025

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
30/06/2026 07:45
Atualizado há 7 minutos
arte com os jogadores Haaland e Diomandé, de Noruega e Costa do Marfim, respectivamente, vestindo as camisas de suas seleções
Haaland e Diomandé sâo destaques de Noruega e Costa do Marfim (Fotos: reprodução do site Fifa.com)

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A paciência oriental não se refere somente a esperar. Tem relação com autocontrole e dignidade diante de adversidades. No caso japonês, essa virtude se alia à mundialmente famosa minúcia em tudo o que se dedicam a fazer, de lâminas a comida, de eletrônicos a templos. E foi assim que o Japão fez frente à única camisa vestida em todas as edições da Copa do Mundo. Do outro lado, porém, uma Seleção Brasileira que, segundo o próprio Ancelotti, usou da mesma virtude para derrotar um rival extremamente disciplinado.

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- A equipe não perdeu a paciência. O Japão não é fácil. É bem organizado, muito intenso.

Mas que o italiano não se engane. Nas oitavas de final, além da resiliência, o Brasil terá de mostrar que pode competir em um nível ainda mais alto. Costa do Marfim e, especialmente, a Noruega, ostentam jogadores de primeira prateleira do futebol mundial. Elas se enfrentam nesta terça-feira, às 14h de Brasília, em Dallas, para ver quem encara a Seleção Brasileira no próximo domingo, às 17h, em Nova Jersey.

Gabriel Martinelli comemora o gol do Brasil marcado contra o Japão, que classificação a seleção às oitavas da Copa do Mundo
Gabriel Martinelli, autor do gol da classificação às oitavas da Copa do Mundo. (Foto: Paul ELLIS / AFP)

Os "vikings" remam com a força de Haaland, do Manchester City, mas quem toca o tambor é o camisa 10, Odegaard, capitão do Arsenal (onde joga com a 8) e da sua seleção. Os africanos se escoram no experiente Kessié, ex-Milan e Barcelona, hoje no Al-Ahli, e no talento de Diomandé, do alemão RB Leipzig, que começa a ser disputado pelos times da elite europeia. Os atacantes Diallo, do Manchester United, e Nicolas Pépé, do Villareal, são outros dois nomes que requerem atenção.

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Mas não é só no ataque que a Costa do Marfim se mostra forte. A estatística mais intimidadora talvez seja a defesa. A seleção não sofreu gols em nenhum dos seus 10 jogos nas Eliminatórias da CAF, a Confederação Africana do Futebol — marcou 25 —, se classificando como melhor do continente. Foram oito vitórias e dois empates.

A Noruega, por sua vez, caiu em um grupo com a tetracampeã mundial Itália, e a jogou sem piedade para a repescagem contra a Bósnia, que acabou ficando com a vaga. Foram dois duelos dos conterrâneos de Ancelotti com vitórias norueguesas por 3 a 0 e 4 a 1, a segunda em pleno San Siro e com dois gols de Haaland.

Jogadores da Costa do Marfim posando para a foto de viagem da seleção para a Copa do Mundo
Traje de viagem da Costa do Marfim assinado por estilista para a Copa do Mundo fez sucesso nas redes (Foto: Divulgação Costa do Marfim)

Mas não é só no ataque que a Costa do Marfim se mostra forte. A estatística mais intimidadora talvez seja a defesa. A seleção não sofreu gols em nenhum dos seus 10 jogos nas Eliminatórias da CAF, a Confederação Africana do Futebol — marcou 25 —, se classificando como melhor do continente. Foram oito vitórias e dois empates.

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Nas oitavas da Copa do Mundo, o Brasil pode encarar uma defesa tão bem armada quanto o ferrolho japonês, que chegava a ter seis jogadores em sua última linha e com todos em campo da intermediária para trás, principalmente antes do gol de Casemiro. A Costa do Marfim só foi vazada na competição pela Alemanha, que era uma das favoritas ao título — sapecou um 7 x 1 em Curaçao —, mas caiu nos pênaltis diante do Paraguai, na maior zebra da Copa até o momento. E demonstra um potencial ofensivo também superior ao japonês.

Haaland comemora gol marcado contra o Iraque na estreia na Copa do Mundo 2026
Haaland comemora gol marcado contra o Iraque na estreia na Copa do Mundo 2026 (Foto: Justin Setterfield / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

Se escapar da potência africana, a chave do problema passa a ser parar o gigante de 1,95m e 25 anos, que fez 59 gols em 52 jogos pela sua seleção. É o principal responsável pelas estatísticas assustadoras da Noruega em 2025: oito vitórias em oito jogos das Eliminatórias, com 37 gols. Média de 4,62 gols por confronto — e não há amistosos nesses números. Na fase de grupos, Haaland já fez quatro gols e deu uma assistência em duas partidas. Só passou em branco diante da França, já que ficou fora, bem como Odegaard e Sörloth, mais um nome que inspira cautela para a zaga brasileira.

Outro problema com o qual Ancelotti terá de lidar é a possível lesão muscular de Paquetá, que deixou o gramado mancando bastante e deu lugar a Endrick no intervalo da vitória sobre o Japão, jogo em que o italiano conseguiu, pela primeira vez, repetir a escalação da Seleção Brasileira. Depois da partida, contudo, o meia foi visto deixando o estádio caminhando sem dificuldade, o que pode ser bom sinal. O diagnóstico dependerá do resultado dos exames.

O técnico já perdeu Wesley, às vésperas da Copa, por esse motivo, além de Militão (com ruptura de tendão), Estevão (muscular) e Rodrygo (lesão no joelho), com um pouco mais de tempo para escolher substitutos. Isso sem falar na lesão muscular de Neymar, que não impediu sua convocação, mas lhe permitiu pouquíssimos minutos em campo.

O camisa 10, aliás, não foi a solução escolhida por Ancelotti para o jogo de maior pressão que o Brasil encarou até agora. Marrocos fez o Brasil sofrer na estreia, mas, no mata-mata, com um empate, e precisando vencer, o italiano não depositou suas esperanças no astro. Chamou Gabriel Martinelli, que resolveu após ótimo passe de Bruno Guimarães.

Neymar vestindo colete de reserva da Fifa 2026
Neymar não entrou, e não reclamou, no jogo contra o Japão (Foto: Paul ELLIS / AFP)

Um sinal de que as condições que teriam sido passadas ao jogador antes da convocação estão sendo colocadas em prática — pelos dois lados. Não foram observados sinais de insatisfação da estrela, que, na última partida, já havia passado com todas as letras a Vini Jr. o posto de principal jogador da Seleção.

— Falei com Neymar que, se não empatássemos o jogo até os 60 minutos, eu o colocaria em campo. Como conseguimos o empate antes disso, a situação mudou. Estava tudo claro entre nós — explicou o treinador após a partida contra o Japão.

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Depois de um ciclo conturbado, com trocas de treinadores, de presidente da CBF e uma classificação em quinto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, o Brasil se vê em evolução no momento certo. E foi exatamente isso que Ancelotti cobrou na entrevista pós-jogo: evolução. Terá até domingo para subir o nível para encarar o que o espera nas oitavas de final: uma equipe africana sólida na defesa e perigosa ofensivamente, ou uma Noruega que cede alguns espaços para priorizar um ataque avassalador.

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