Segurança interna dos EUA já apreendeu mais de 500 drones na Copa do Mundo
Espaço aéreo preocupa autoridades. Fifa divulga dados com recordes de público e taxa de ocupação

Logo nos primeiros dias de Copa do Mundo, circulou pelo noticiário uma ameaça extremista de um grupo de hackers ligados ao Irã, alegando terem invadido a rede de drones do FBI, o departamento de investigação federal americano. A mensagem atribuída ao Handala, que usa simbologia palestina, mas estaria diretamente ligado ao regime iraniano, avisava que seria prudente os americanos reforçarem a segurança, pois "drones estão por toda parte". A vigilância, ao que parece, também.
Pelo que descreveu o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês, o que corresponde a Department of Homeland Security), ao Lance!, até esta segunda-feira mais de 500 drones foram apreendidos por violação de restrições ao espaço aéreo implementadas especificamente para a competição. Um porta-voz do órgão afirmou:
- Parceiros federais, estaduais e locais implementaram o mais abrangente esforço de segurança do espaço aéreo e mitigação de drones na história dos Estados Unidos para a Copa do Mundo da Fifa de 2026, resultando na apreensão de mais de 500 drones não autorizados até esta data.
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Nos arredores dos estádios em que acontecem os jogos, a restrição para drones chega a um raio de 4.8km e altitude de 900 metros. Nas proximidades das Fan Fests oficiais, as zonas de proteção são de 1.8km e 300 metros de altitude. Mas as medidas de segurança também afetam a logística de voos privados e somente aeronaves militares ou autorizadas previamente podem circular nas chamadas zonas de exclusão temporárias.

De acordo com a britânica BBC, as multas aos infratores podem atingir até US$ 100 mil, já que as autoridades americanas consideram o uso de drones em espaço aéreo restrito uma grave violação das leis federais.
O presidente americano, Donald Trump, vem investindo desde o início do ano no reforço a esse monitoramento, que se tornou uma das maiores preocupações das autoridades envolvidas no planejamento de segurança da competição. Estima-se um total de US$ 250 milhões aplicados nesse fim. Este, porém, não foi o único ponto em que a segurança se tornou mais rígida.
As restrições impostas à entrada de visitantes, jornalistas e até profissionais do esporte, como o melhor árbitro da África em 2025, foram tema central do extracampo da competição até o momento. A maior prejudicada foi a seleção do Irã, país com o qual os EUA continuam em guerra, apesar das negociações para encerrar o conflito.
A equipe precisou trocar a sede de treinos para o México, cancelar amistosos preparatórios e foi proibida de passar a noite em solo estadunidense. A Fifa se viu de mãos atadas, e o jogador mais experiente do time, Mehdi Taremi, não se furtou em dizer que, da sua perspectiva, parecia sim que os organizadores os queriam eliminados — o que acabou acontecendo.
Fifa divulga recordes na fase de grupos
Para a Fifa, por outro lado, os números mostram sucesso nos bastidores. Os preços altos geraram reclamação e até investigação, mas não causaram falta de interesse do público. Nos primeiros 17 dias de Copa do Mundo, o que corresponde às datas da fase de grupos, 4.664.549 pessoas compareceram às 72 partidas disputadas em 16 cidades na primeira edição da competição com 48 seleções.
A taxa de ocupação ficou em 99.7% com uma média de 64.508 torcedores presentes por jogo na fase de grupos. Os números totais superam os recordes da Copa de 1994, também nos Estados Unidos, que atingiu público total de 3.5 milhões de torcedores. Também foi registrado, em 25 de junho, um novo recorde de presença nos estádios em um único dia, com 426.834 torcedores nas arenas.

As partidas que tiveram maior procura foram Portugal x Colômbia, em 27 de junho, em Miami, a final da Copa do Mundo, programada para Nova Jersey em 19 de julho, e o duelo entre México e Coreia do Sul, no último dia 18, em Guadalajara. Torcedores de EUA, Canadá, México, Inglaterra, Alemanha, Colômbia, Brasil. Argentina, Austrália e França foram os que mais compraram ingressos.
Os dados divulgados pela Fifa mostram que, dos 1248 jogadores que integram todas as equipes participantes, 999 entraram em campo na primeira fase da disputa. Foram 215 gols marcados, média de três por jogo, superando a Copa do Catar, em 2022, quando a fase de grupos somou 172 gols.
A média de finalizações por partida ficou em 24.6, com 1.774 tentativas no total, estatística liderada pela Bélgica com 73. Nos passes, a Espanha ficou à frente: foram 2.191 na fase de grupos, dos quais 2.013 certos. A primeira parte da disputa teve uma média de 946.7 passes por partida.
Já em relação à disciplina, foram em média 22.3 faltas por jogo, totalizando 1.604, com o Haiti sendo quem mais cometeu infrações: 55. Mas o Paraguai, que eliminou a Alemanha na segunda fase, foi a equipe mais indisciplinada da disputa nos grupos, com oito cartões amarelos recebidos — a média ficou em 2.5 por jogo em um total de 180 distribuídos. Também foram aplicados 10 vermelhos, dois para a África do Sul.
Vistos e segurança fora dos balanços oficiais
Apesar dos recordes, algumas estatísticas ficam fora dos balanços oficiais da Fifa e mostram um outro lado da Copa do Mundo que, para a entidade, não é o mais interessante divulgar. A CTV — maior rede privada de televisão na língua inglesa do Canadá — publicou no último dia 24 dados do departamento de imigração do país com rejeição a 59% dos pedidos de vistos relacionados à Copa do Mundo. Gana foi o país com maior índice de vistos negados, com aprovação inferior a 11% dos 1.725 pedidos. Na outra ponta, a Colômbia, com 69% dos pedidos de vistos para o Canadá aprovados.
Os dados abrangem o período de 14 de novembro de 2025 a 31 de março deste ano. A emissora ressaltou que os dados não incluem estadunidenses, que não precisam de visto para entrar no Canadá, e que a imigração canadense solicitou a identificação de intenção de viajar para a Copa do Mundo nos pedidos de visto. Somente estes pedidos que foram identificados entraram na contagem. De acordo com as estatísticas, houve 355 pedidos de visto para brasileiros, dos quais 105 foram negados.

Nos Estados Unidos, de acordo com a BBC, em dados publicados dias antes do início da Copa do Mundo, 11 países tiveram índices superiores a 40% de rejeição nos pedidos de visto, lista liderada por Senegal. Os demais são: Argélia, Equador, Egito, Haiti, Uzbequistão, Cabo Verde, Jordânia, Irã, RD Congo e Gana. Há relatos não apenas de torcedores barrados, mas de jornalistas e até membros de delegações, como no caso do Irã. O melhor árbitro da África em 2025 também foi impedido de atuar na competição por esse motivo. O governo mexicano não divulgou dados sobre índices de aprovação de vistos.
➡️Fifa confirma que árbitro da Somália barrado nos EUA está fora da Copa do Mundo
Por conta dos problemas em relação à imigração, a organização da Copa do Mundo, bem como o governo americano, receberam críticas de organizações de direitos humanos. A diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch, Minky Worden, afirmou:
- Acho que os Estados Unidos não apresentaram nenhuma ameaça significativa à segurança do árbitro somali barrado. Também não apresentaram nenhuma ameaça à segurança das ativistas pelos direitos das mulheres no Irã. E isso é de extrema responsabilidade da FIFA, pois a entidade falhou em tomar as medidas necessárias para garantir que o mundo fosse bem-vindo. Será parte do legado vergonhoso desta Copa do Mundo que membros da família dos atletas não puderam assistir seus filhos jogarem por causa de onde eles nasceram - disparou, em entrevista ao Lance!.
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