Colunistas do Lance! analisam classificação do Brasil às oitavas da Copa

Guffo, Tironi e Lúcio de Castro destacam a evolução da Seleção, a força mental e as decisões de Ancelotti na vitória sobre o Japão

PorRedação Lance!Rio de Janeiro (RJ)
30/06/2026 12:05
Bruno Guimarães pela seleção brasileira
Bruno Guimarães vibrando em classificação do Brasil (Foto: RONALDO SCHEMIDT / AFP)

A Seleção Brasileira sofreu, mas bateu o Japão e está nas oitavas de final da Copa do Mundo. Agora a equipe de Carlo Ancelotti se prepara para o confronto válido pelas oitavas de final, que ainda terá, nesta terça, a definição do adversário que sai do jogo entre Costa do Marfim e Noruega. A partida da próxima fase está prevista para domingo, 5 de julho, às 17h (de Brasília).

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A vitória por 2 a 1 na última segunda-feira (29), apesar de pouco brilhantismo, retratou o processo de construção da identidade da Seleção Brasileira. Um time que ainda busca refinamento nos setores, mas que já apresenta padrões claros de jogo e, principalmente, uma capacidade de competir até o último minuto. 

Os colunistas do Lance! destacaram diferentes aspectos da classificação brasileira: Guffo elogiou a evolução coletiva da equipe, Tironi valorizou as decisões de Ancelotti e a conexão com a torcida, enquanto Lúcio de Castro, além de uma crítica relacionada a Neymar, ressaltou a força mental da Seleção para buscar a virada e ganhar confiança para o mata-mata.

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Ancelotti entrando no banco de reservas em jogo entre Brasil e Japão
Ancelotti comanda o Brasil diante do Japão (Foto: Danilo Fernandes /Fotoarena/Folhapress)

Fala, Guffo🗣️

O "Brasil diferente" que analisei na minha coluna anterior voltou a surgir contra o Japão. O time da movimentação de Matheus Cunha, que inteligentemente cria espaços para as investidas de Vini Jr. e Rayan. O Brasil da competência de Bruno Guimarães, que, mesmo não sendo o meia que o mundo acostumou ver com a canarinho em Copas, é um verdadeiro "camisa 10". Verdade que é também o Brasil do mesmo Casemiro que, em fim de carreira, perde na velocidade, mas que assume a responsabilidade e busca o gol de empate como um verdadeiro líder. Eu gosto deste "Brasil diferente", mesmo que ele fale mais italiano que português.

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Fala, Tironi🗣️

Carlo Ancelotti insistiu em coisas que muita gente criticou. E deu certo. Primeiro, ele manteve Casemiro, que fez o primeiro gol. Depois tirou Mateus Cunha e colocou Martinelli, que fez o segundo gol. Outra impressão importante: a vitória sofrida conectou o torcedor ao time de vez. Todo mundo parece agora entender que este time, por não encantar, ainda assim vai longe na Copa.

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Casemiro comemora gol do Brasil na Copa do Mundo com companheiros atrás, indo comemorar com ele.
Casemiro comemora gol do Brasil na Copa do Mundo (Foto: Marcelo Machado de Melo /Fotoarena/Folhapress)

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Fala, Lúcio de Castro🗣️

O milagre de Houston. Não é modo de se falar; o feito do Brasil é imenso.

Explica-se: 95% dos jogos nessa Copa em que o time faz o primeiro gol, ele sai vencedor. Com gol no último minuto, o Brasil quebrou a estatística, a lógica e a matemática.

Um primeiro tempo que mais pareceu um script conhecido sendo cumprido. Com todos os estereótipos valendo. Com execução perfeita do plano de jogo por parte do Japão. Atrás, defesa congestionada, linhas muito próximas e uma última de 5 quase imutável. Transições rápidas.

Os primeiros 15 minutos literalmente entregando a bola ao Brasil, quando então acontece o primeiro ataque. Tinham um plano. E era executado com perfeição. Sabe quando se fala da disciplina oriental, um dos maiores chavões de todos? Sim, era verdade.

Um Brasil com circulação de bola lenta, como em todo ciclo, insuficiente para furar as linhas adversárias. E com sérios problemas de transição defensiva, pedra cantada por todos diante da dificuldade de Casemiro em recompor. Ainda mais tendo tomado amarelo aos 15 minutos.

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Aos 28, o golpe: gol do Japão em falha de Danilo, mas não só dele, de um sistema defensivo todo, como já dito, incapaz de recompor e cobrir eventual falha individual. Drama posto: quebrar a brutal estatística citada. E o Brasil quebrou. 

Diante de um Japão que seguiu o mesmo padrão, mas que, no entanto, tinha aberto mão totalmente do contra-ataque. Mais do que as questões táticas, há um grande fato a se destacar: ao contrário de outras copas em que o Brasil se via diante de iminentes eliminações, o time não perdeu o controle emocional. Talvez o fator mais decisivo.

É preciso anotar também: se levou Neymar para os momentos decisivos, por que não botou? A convocação de alguém que não joga há três anos e não pode ser usado no momento decisivo segue sob julgamento. Ancelotti disse na coletiva que usaria na prorrogação. Ok. E se não tivesse?

Vinicius Júnior, do Brasil, finaliza e perde uma chance contra Zion Suzuki, do Japão, durante a partida da fase de 32 da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Brasil e Japão
Vini Jr. faz grande jogada, mas Suzuki decia e bola pega na trave (Foto: Molly Darlington / AFP)

Por fim, mas que fique registrado: tivemos um grande pecado hoje. Uma jogada de placa, monumental de Vini Jr., que deveria acabar em gol, bateu caprichosamente na trave. Seria o gol da Copa. Mais do que isso: um gol marcante em todas as copas. De antologia. E uma justiça com todas as injustiças contra Vini Jr. Mas o Brasil segue. E ganhou muita personalidade. Ganhou casca.

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