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Bastidores da Copa: Fifa se curva a Trump, fatura como nunca, mas sai arranhada

Segurança e estádios cheios foram pontos positivos, mas política manchou o torneio

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
20/07/2026 07:30
Donald Trump e Gianni Infantino
Donald Trump e Gianni Infantino enfrentaram polêmicas na Copa do Mundo (Foto: EFE/Folhapress)

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Por um lado, recordes de públicos, de receitas, de patrocínio, de exposição. Uma Copa do Mundo de jogos emocionantes, de histórias que cativam, de personagens imortais, de história sendo feita ao vivo aos olhos de todo o planeta. Mas, por trás do véu de sucesso e alegria, manchas. Indeléveis. Daquelas que, daqui a décadas, dificilmente não estarão entre os comentários sobre o que aconteceu nos Estados Unidos em 2026. As polêmicas, repressão a imigrantes e interferências políticas não impediram a Fifa de chegar a uma arrecadação total no ciclo de quatro anos sem precedentes — a estimativa é de US$ 13 bilhões, sendo quase US$ 9 bilhões só com o torneio.

Houve custos muito além dos operacionais para a Fifa, que outrora dava chutes no traseiro de países-sede, e nesta deu beijos. E para delegações, torcedores, jornalistas, imigrantes, moradores de rua e a própria isonomia esportiva do torneio. Gianni Infantino foi conivente com interferências do governo de Donald Trump e exposto a um papel subserviente por ele sem a menor cerimônia. O presidente americano não se furtou a dizer ao mundo que ligou diretamente para o dirigente para interferir em uma decisão de arbitragem. Não foi só. O prêmio da paz dado por Infantino a Trump provocou acusações de infração à neutralidade política da Fifa e o dirigente passou a ser investigado pela Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Da revogação do cartão vermelho de Balogun à omissão em relação ao tratamento diferenciado de determinadas seleções, como o Irã, que vive guerra com o país sede da competição, o presidente da entidade máxima do futebol virou alvo de críticas até de sua filiada mais poderosa — econômica e politicamente — a Uefa. Mas, para Infantino e Trump, nada disso é digno de menção. Em vídeo publicado na sexta-feira (17) pela entidade esportiva, os dois descrevem na Trump Tower um cenário muito divergente da realidade de quem não abocanha uma fatia desse bolo.

— Prometi a vocês que realizaríamos uma grande Copa do Mundo. E, sem dúvida, esta Copa do Mundo superou todas as expectativas. Estádios lotados — 7 milhões de pessoas nos estádios, dezenas de milhões nas cidades dos Estados Unidos, do Canadá e do México, bilhões diante da televisão. Todos aproveitando o jogo, com felicidade, com alegria, com paz. O sonho americano, Sr. Presidente, tornou-se realidade. A sua administração, cada pessoa na Casa Branca, nas cidades, nos estados, em toda parte, contribuiu para criar esse ambiente seguro e alegre, permitindo vivenciar algo que o mundo jamais viu — disse Infantino, ao lado do mandatário americano.

Trump agradeceu, disse que não há ninguém como o suíço que comanda a organização da competição.

— Não tenho dúvidas de que a Copa do Mundo (da FIFA) conquistou milhões de novos torcedores neste país, que tradicionalmente não é um país do futebol.

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Estádio final da Copa do Mundo
Taxa de ocupação dos estádios foi ponto alto da Copa do Mundo (Foto: EFE/Folhapress)

Algumas das mais importantes organizações de direitos humanos do planeta, contudo, enxergam uma outra Copa do Mundo. Em painel realizado na última semana, com participação de entidades como Human Rights Watch, Sport & Rights Alliance e Anistia Internacional, o uso da competição como propaganda política, especialmente para o público doméstico dos EUA, busca mascarar e criar uma narrativa que esconde a realidade de repressão sem igual a imigrantes, negativa de vistos para torcedores e jornalistas de diversos países, e tratamento diferenciado para países participantes.

— Independentemente de como se analise a questão, acho que esta Copa do Mundo mostra ao mundo inteiro que o esporte é política por outros meios, e podemos, de fato, compreender esses eventos com muito mais profundidade se abraçarmos a complexidade de sua natureza política. A Fifa simplesmente faz vista grossa sempre que lhe convém. E acho que esta Copa do Mundo demonstrou de forma cristalina que a Fifa precisa de uma prestação de contas real e efetiva, de pessoas que a regulem, pessoas que estejam fora da FIFA — comentou o Jules Boykoff, professor da Pacific University e autor do livro "Cartão Vermelho: A Copa do Mundo de 2026, o sportswashing e a máquina de ganância da Fifa.

Problemas com vistos, repressão e guerra com Irã

Os problemas nos bastidores da Copa começaram a escalar em fevereiro, quando o Irã foi atacado pelos EUA. O fato trouxe um contexto inédito à competição. Com a confirmação da participação da seleção do Golfo Pérsico, a edição de 2026 se tornou a primeira da história a ser realizada com o país-sede em guerra declarada com um dos competidores. Como consequência disso, a delegação do Irã teve dezenas de membros proibidos de entrarem nos EUA, sob alegação de ligação com a Guarda Revolucionária.

O próprio chefe do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês para Department of Homeland Security), Markwayne Mullin, afirmou que as delegações normalmente viajam com cerca de 120 pessoas, e a do Irã só pôde transitar pelo país com 53. Ele não escondeu sua satisfação com a eliminação dos iranianos na fase de grupos, e fez até uma dancinha para festejar. Os iranianos saíram protestando contra a discriminação e os maus-tratos que sofreram. E o principal jogador do time, Mehdi Taremi, afirmou que a competição foi um "desastre", além de dizer que, na sua percepção, parecia que os organizadores os queriam fora da disputa.

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Mehdi Taremi, do Irã, aplaude os torcedores após o empate em 1 a 1 na partida do Grupo G da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Egito e Irã, no Seattle Stadium (Foto: Richard Heathcote/AFP)
Mehdi Taremi, do Irã, disse que a Copa foi um "desastre" (Foto: Richard Heathcote/Getty Images/AFP)

Mas as questões em relação à entrada de estrangeiros nos EUA não se restringiram ao Irã. Em dezembro de 2025, o governo Trump emitiu uma lista com 38 nações, sendo metade delas com restrições parciais de viagens de curta duração, e a outra metade, somada à Autoridade Palestina, com proibição total. E não houve muita preocupação com os danos de imagem que isso causaria à competição.

O DHS não se furtou, por exemplo, a barrar o melhor árbitro da África em 2025 escalado para atuar na Copa. Omar Artan é da Somália, um dos países incluídos na lista de restrição total. Mas não foi só ele. Organizações de direitos humanos relataram que torcedores e também jornalistas desses países foram impedidos de viajar para apoiar suas equipes ou trabalhar.

— Não se vê isso acontecendo com outras delegações. Eu acho que, se eles estivessem fazendo a mesma coisa com a Noruega e a Bélgica, então não teria nada a falar, mas não vimos o mesmo tratamento. Omar Artan foi selecionado pela Fifa para fazer um trabalho. E a Fifa tem a responsabilidade de acolher o mundo na Copa. É claro que o mundo não é acolhido nesta Copa. Há muitos exemplos de fãs que foram tirados. Há muitos exemplos de famílias também. E de pessoas que iriam trabalhar — analisou Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch, em entrevista ao Lance!.

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Seleção de Senegal é revistada ainda na pista de pouso (Reprodução)
Seleção de Senegal é revistada ainda na pista de pouso (Reprodução)

Daniel Noroña, da Anistia Internacional, ao comentar sobre a atuação dos agentes de imigração no país, disparou:

— São algumas das práticas mais cruéis e desumanas anti-imigração que já vimos.

➡️Colunistas e jornalistas do Lance! opinam sobre Copa do Mundo com 64 seleções

Política afeta a isonomia esportiva

A igualdade de condições para os competidores também entrou na pauta quando os EUA proibiram que a seleção iraniana pernoitasse em seu território. O Irã precisou mudar a base de treinos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, e a delegação foi obrigada a retornar imediatamente após os jogos. A mudança também provocou o cancelamento de amistosos preparatórios.

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O americano Folarin Balogun é consolado pelo técnico da Bélgica, Rudi Garcia (Foto: David Ramos/Getty Images/AFP)
O americano Folarin Balogun é consolado pelo técnico da Bélgica, Rudi Garcia (Foto: David Ramos/Getty Images/AFP)

Mas não parou aí. A intervenção direta de Trump em uma questão estritamente esportiva deixou o mundo da bola em alerta, e provocou uma avalanche de críticas a Infantino. O presidente americano sequer se importou em evitar a exposição ruim para o mandatário da Fifa. Confirmou que ligou para ele questionando a expulsão do atacante Balogun contra a Bósnia. Em decisão rápida e monocrática, o Comitê Disciplinar da Fifa revogou o cartão. Fato que ainda reverbera até o fim da competição, com confederações colocando em xeque o apoio à reeleição de Infantino, em especial a Uefa.

O Comitê Disciplinar da Fifa, no entanto, não mostrou a mesma agilidade para julgar o uso de mensagem política por jogadores argentinos ainda no gramado da semifinal contra a Inglaterra. Eles levantaram uma faixa com os dizeres "Las Malvinas son Argentinas˜. A entidade confirmou que apura o caso, mas não emitiu decisão antes da final da competição. Antes da Copa, a Fifa obrigou a seleção do Haiti a mudar o seu uniforme por estampar uma imagem da Batalha de Vertières, decisiva na revolução do país que encerrou o domínio francês.

Preços dinâmicos e busca por lucro

Mesmo antes do início da competição, a nova política de preços da Fifa criou polêmica — e ensejou investigações das autoridades de Nova York e Nova Jersey. A entidade implementou um sistema de preços dinâmicos para as entradas, que passaram a variar de acordo com a demanda. Também foi criado um marketplace oficial da Fifa, liberando detentores de ingressos adquiridos pelos canais autorizados a revenderem suas entradas a preços majorados — e sem limite.

Entradas para a final entre Espanha e Argentina, por exemplo, chegaram a ser oferecidas por mais de R$ 12 milhões. E a Fifa leva 30% da operação, sendo 15% do comprador e a outra metade do vendedor do bilhete. Mas, apesar da recorrência de ofertas de entradas a preços exorbitantes, não quer dizer que alguém tenha pago esses preços.

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Não bastassem os patrocínios e as receitas bilionárias vindas das bilheterias, a Fifa multiplicou receitas com estratégias como a parada obrigatória para hidratação e até a venda de 2026 anéis numerados com edição limitada, sendo 26 para a equipe campeã e os demais a serem comercializados para o público em geral. A entidade resolveu cobrar ingresso até para acompanhantes de pessoas com deficiência nos estádios, o que também gerou críticas das organizações de direitos humanos por colocar um obstáculo à acessibilidade dessas pessoas, dobrando seu custo para comparecer às arenas.

Thomas Tuchel conversa com jogadores durante pausa para hidratação em Inglaterra x RD Congo pela Copa do Mundo
Thomas Tuchel conversa com jogadores durante pausa para hidratação em Inglaterra x RD Congo pela Copa do Mundo (Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP)

Também será reavaliada uma outra medida, que trouxe lucro e questionamentos na mesma proporção. A pausa para hidratação, que abre um novo espaço para publicidades milionárias, não foi bem recebida e acabou recebendo críticas de todos os lados. O técnico da Inglaterra, por exemplo, foi um dos que reclamaram abertamente, dizendo que "muda a identidade de uma partida". O grupo de estudos da Fifa anunciou no sábado que vai rever a questão após as contestações.

Entre os patrocínios da Fifa para a Copa do Mundo, um em especial chamou atenção e atraiu críticas. A parceria com o mercado preditivo ADI Predictstreet, no valor de US$ 150 milhões, veio cercada por questionamentos, como o fato de a empresa ter sido fundada semanas antes do acordo, e de ter sede em um paraíso fiscal (Gibraltar).

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Segurança funciona em meio a ameaças

A segurança, porém, foi inegavelmente um ponto positivo da Copa do Mundo. Não há relatos de incidentes de maior gravidade. Entre as medidas adotadas, uma rigorosa restrição ao espaço aéreo, com apreensão de centenas de drones pelo DHS. Os EUA investiram US$ 250 milhões no monitoramento e neutralização desses equipamentos. Ao fim da fase de grupos, o DHS informou ao Lance! que já havia neutralizado 500 drones que infringiram o bloqueio de espaço aéreo no entorno das arenas.

Drone tornou-se polêmica na final da Libertadores
Drones eram preocupação dos EUA (Divulgação)

Pouco antes da Copa, um grupo extremista ligado ao Irã chegou a fazer uma ameaça direta à competição, afirmando que havia conseguido acessar o sistema de drones de vigilância do FBI por meses.

— É melhor reforçarem a segurança na Copa do Mundo. Não gostamos nada de algumas dessas equipes. Não se esqueçam: drones estão por toda parte. Nunca se sabe quando um pode parar em cima do ônibus do seu time — dizia a mensagem atribuída ao grupo de hackers Handala.

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Racismo nas redes e na arquibancada

O racismo não só esteve presente, como aumentou nesta Copa do Mundo. E quem diz é a própria Fifa. A entidade divulgou um levantamento do seu sistema de monitoramento, indicando um aumento alarmante de mensagens racistas em suas redes. Já ao fim da fase de grupos, um recorde. O Serviço de Proteção de Mídias Sociais (SPMS) identificou até o dia 1 de julho um total recorde de 89 mil publicações abusivas em suas redes sociais no fim da fase de grupos, o que representa um aumento de 13 vezes em relação aos números da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Das 225 mil postagens identificadas como abusivas pela inteligência artificial e encaminhadas para revisão humana, 11% foram comentários relacionados ao racismo.

Influenciador Speed com a camisa do Egito na Copa do Mundo
Influenciador Speed sofreu provocações racistas de argentinos na Copa (Reprodução)

Mas não foi somente nas redes da Fifa. Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville, atletas da Holanda, foram alvo de ataques racistas em suas redes sociais após a eliminação da seleção na segunda fase da Copa, em duelo contra Marrocos. E, dentro dos estádios, também houve episódios, como as provocações de argentinos ao streamer estadunidense IShowSpeed nas arquibancadas. Outro caso de grande repercussão foram os comentários racistas da senadora paraguaia em relação a Mbappé, depois da derrota do Paraguai para a França nas oitavas de final.

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Recordes de público e arrecadação

A Fifa ainda não divulgou os números totais após a final, mas esta edição da Copa do Mundo quebrou todos os recordes de público ao se aproximar dos sete milhões de torcedores presentes aos estádios nos seus 104 jogos. O aumento do número de seleções de 32 para 48 tem grande impacto, claro, mas com taxas altíssimas de ocupação na grande maioria dos jogos, apesar dos preços altos, torna a competição um sucesso de público inquestionável.

Estima-se que a receita de bilheteria na Copa se aproxime dos US$ 4 bilhões. Com 101 dos 104 jogos disputados, a taxa de ocupação média estava em 99,7% e o público total em 6,59 milhões, marca muito superior às edições de Catar e Rússia. A média de pagantes por jogo após a disputa da primeira semifinal estava em 65.204.

Atletas sob acusações de abuso sexual

Pelo menos cinco jogadores que disputaram esta Copa do Mundo já enfrentaram, ou enfrentam acusações de abuso sexual. O lateral marroquino Hakimi é acusado de estupro pela Justiça francesa; Ryan Mendes, capitão de Cabo Verde, é investigado por estupro na Nova Zelândia de uma brasileira em março, durante a realização da Fifa Series; o ganês Thomas Partey, que enfrenta sete acusações de estupro e abuso sexual no Reino Unido e foi barrado no Canadá para a estreia de sua seleção; e os japoneses Kaishu Sano e Junya Ito, investigados por agressões sexuais, e cujos processos foram arquivados.

— É hora de a FIFA finalmente levar a sério o problema generalizado de abusos no esporte. Vítimas estão exigindo que as entidades esportivas ouçam as pessoas afetadas, comuniquem-se de forma transparente e implementem uma política clara e consistente, que reconheça o impacto de oferecer uma plataforma global a atletas acusados ​​de crimes sexuais — disse Andrea Florence, diretora executiva da Sport & Rights Alliance, ao Lance!.

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Pride Match e atuação diferente do Catar

O jogo que acabou com um empate que selou a eliminação do Irã na Copa do Mundo foi um capítulo à parte, rendendo discussões, protestos das federações, e, no fim, nenhum problema mais relevante registrado. O jogo entre iranianos e egípcios em Seattle, pela última rodada da fase de grupos, já começou a gerar rejeição dos países envolvidos desde 2025 com a designação de Pride Match, ou Jogo do Orgulho, em meio às celebrações do Pride Weekend, a maior festa da comunidade LGBTQIA+ na cidade.

Torcedores puderam levar bandeiras do arco-íris para Egito x Irã (Foto: Reuters/Folhapress)

Ao contrário do que aconteceu no Catar, quando a Fifa proibiu seleções de usarem braçadeira a favor da causa, e retirou um torcedor americano da arquibancada pelo mesmo motivo, nos EUA a entidade bateu o pé e confirmou a permissão para bandeiras do arco-íris e outros símbolos no Lumen Field, desde que de acordo com seu código. Ainda assim, organizações de direitos humanos criticaram o tratamento do governo americano à comunidade.

Lily Dong Li Rosengard, especialista sênior em identidade de gênero da Ilga World, o governo americano implementou políticas hostis e a Fifa pouco fez para cumprir sua promessa de fazer da Copa do Mundo nos EUA uma festa da inclusão.

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— Devido a políticas de imigração hostis a pessoas trans e à crescente retórica e políticas anti-LGBT em todos os EUA, inúmeros torcedores de futebol que sonhavam em assistir à Copa do Mundo tiveram de tomar a decisão dolorosa de ficar em casa. A Fifa prometeu uma celebração da diversidade e da inclusão, mas fez muito pouco para tornar isso realidade.

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