Irã e Egito rejeitam, mas Fifa confirma símbolos LGBTQIA+ em estádio da Copa

Federações se opõem à decisão sobre Pride Match, organização de direitos humanos critica entidade, e Seattle ratifica apoio às celebrações do Pride Weekend

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
25/06/2026 13:05
Atualizado há 3 minutos
Bandeira do Orgulho LGBTQIA+
Desfile do Pride Weekend, orgulho da comunidade LGBTQIA+, em Seattle (Foto: Israel McCollum)

Egito e Irã — a antiga Pérsia — carregam culturas milenares das quais se orgulham e protegem a todo custo. Porém, o conservadorismo nesses países muitas vezes passa por cima de princípios fundamentais da democracia moderna, como a liberdade de expressão e a garantia dos direitos humanos. Se, em campo, as nações fecham a fase de grupos da Copa do Mundo, fora dele o embate será com os valores ocidentais, neste caso especificamente com a cultura LGBTQIA+.

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Em Seattle, uma das cidades americanas mais ativas na proteção de direitos da comunidade LGBTQIA+, bandeiras do arco-íris, por exemplo, poderão ser levadas ao estádio da partida que acontece à meia-noite desta sexta-feira (26), em meio às celebrações do Pride Weekend (Fim de Semana do Orgulho), que contarão até com a participação da prefeita em suas marchas, como confirmou seu estafe. Irã e Egito rejeitam quaisquer símbolos ou manifestações relacionadas ao evento dentro do estádio.

Bandeira da comunidade LGBTQIA+ com imagem da cidade de Seattle é exposta nas ruas em clima de festa durante Pride Weekend (Foto: Elliot Thorson)

Código da Fifa impõe regras sobre bandeiras

Nos dois países, a homossexualidade é combatida, a imprensa não é livre e não são poucos os relatos de violações aos direitos humanos. Ironia, ou não, o duelo decisivo é designado Pride Match (Partida do Orgulho) — nome escolhido antes de se ter conhecimento de quais seriam os países envolvidos.

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As leis americanas permitem a livre manifestação pela igualdade de gênero, que faz parte até do currículo escolar em Seattle. E a Fifa confirmou que, no estádio, também não haverá restrição a manifestações e símbolos dessa natureza:

— A Copa do Mundo da Fifa é um evento inclusivo que acolhe pessoas de todas as origens. Torcedores de todas as orientações sexuais e identidades de gênero são bem-vindos às partidas e eventos. Declarações gerais de direitos humanos, incluindo bandeiras do arco-íris e outras bandeiras que representam orientação sexual e identidade de gênero, são permitidas pelo Código de Conduta dos Estádios da Copa do Mundo da Fifa e podem ser exibidas dentro dos estádios, desde que sejam usadas de maneira consistente com o código — respondeu a entidade ao Lance!.

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Estádio Lumen Field - Seattle
Lumen Field , em Seattle , receberá Egito x Irã (Foto: Divulgação/Fifa)

Reza o código de conduta em estádios que não podem ser levadas bandeiras com mensagens políticas ou de cunho discriminatório de qualquer natureza, ou que excedam as dimensões de dois metros de largura por um metro e meio de altura.

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Irã e Egito reforçam rejeição a símbolos LGBTQIA+

A partir da resposta da Fifa, o Lance! Questionou as federações do Irã e do Egito a respeito da posição. Ambas responderam de forma conjunta e rejeitaram a liberação de símbolos em contrariedade com a cultura dos países dentro do estádio.

"A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã trata esta questão com seriedade e comunicou claramente sua posição à FIFA. O Irã e o Egito são dois países muçulmanos com profundas afinidades culturais e religiosas, e as opiniões expressas por ambas as federações refletem os valores e as crenças compartilhados pelos povos de ambos os países.

Nossa posição é a de que nenhuma cerimônia ou atividade promocional associada a esse movimento deve ocorrer dentro do estádio ou fazer parte do ambiente da partida. Essa posição foi comunicada à FIFA pelos canais apropriados. Acreditamos que a FIFA deve levar em consideração as opiniões e preocupações das seleções participantes ao analisar questões relacionadas ao ambiente da partida e à apresentação do estádio.

A FIFA foi informada sobre essa posição conjunta de ambos os países e espera-se que tome as medidas necessárias para garantir que nenhuma cerimônia ou atividade promocional relacionada ocorra dentro do estádio ou como parte do ambiente oficial da partida"
.

Manifestação em apoio ao governo iranianio, com presença da seleção do Irã na Copa, na praça Enghelab, centro de Teerã. Na imagem, uma multidão se concentra à noite empunhando bandeiras do país e celulares em frente a um grande palco iluminado, sob um imenso painel vertical que exibe jogadores da seleção nacional de futebol perfilados.
Manifestação em apoio ao governo com a seleção do Irã em Teerã (Foto: Patrícia Campos Mello/Folhapress)

Desde dezembro de 2025, as federações nacionais de Irã e Egito já se posicionam com veemência contra a designação da partida desta sexta-feira (26) no Lumen Field como "Pride Match". No início deste mês, segundo a imprensa iraniana, o ministro do Esporte e da Juventude do Irã, Ahmad Donyamali, afirmou que o técnico e a equipe do país teriam obrigação de abandonar a partida no caso de exibição de bandeiras "não oficiais" ou cânticos entoados contra a seleção. No Irã, a relação afetiva entre pessoas do mesmo sexo pode receber até mesmo a pena de morte.

Seattle comunicou Fifa sobre leis antidiscriminação

O Lance! consultou, além da Fifa e países envolvidos, a Prefeitura de Seattle sobre a realização do Pride Weekend. A cidade se posicionou de maneira firme e informou que comunicou, antes do início da Copa do Mundo, a sua posição à entidade esportiva.

— Na preparação para o início dos jogos, a cidade comunicou à Fifa que Seattle possui leis antidiscriminatórias rigorosas que protegem o direito dos torcedores de expressarem pacificamente suas crenças políticas, inclusive nos estádios. Compartilhamos com a Fifa que a posição da cidade não se restringe a nenhum ponto de vista ou ideologia política específica, mas sim visa proteger todos os cidadãos da cidade — respondeu o escritório da prefeita Katie Wilson, que confirmou presença nas marchas programadas para a cidade.

Porém, questionada sobre o que os fãs teriam liberdade para fazer dentro do estádio, a resposta da prefeitura foi de que essa questão seria com a própria Fifa. O governo local também informou que não teve qualquer ingerência sobre as datas escolhidas para as partidas.

— Para questões relacionadas a qualquer coisa dentro do estádio, por favor, contate o comitê organizador local da Fifa.

➡️Irã ameaça interromper jogo da Copa do Mundo em caso de manifestações LGBTQIA+

Hedda McLendon, do comitê organizador local da Copa do Mundo em Seattle, declarou:

— A celebração do Orgulho LGBTQIA+ acontece há mais de 50 anos. Vai acontecer neste fim de semana; vai acontecer muito depois da Copa do Mundo.

Cartaz exposto durante desfile da Pride Week em Seattle (Foto: Stephen Anunson)
Seattle ganha cores e itens à venda em comemoração à semana do Orgulho (Foto: Elliot Thorson)

Diretora da Human Rights Watch mostra preocupação

Diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch, Minky Worden esteve recentemente em Seattle, tem contato direto com os organizadores do Pride Weekend e lembrou casos de omissão da Fifa durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar.

Além da proibição da braçadeira com as cores do arco-íris, que seria usada pelos capitães de seleções europeias como parte da campanha "One Love" para promover a inclusão e os direitos LGBTQIA+, houve casos de jornalista barrado por vestir uma camisa com as cores do arco-íris e um torcedor americano retirado da arquibancada por estar com uma braçadeira com a mesma referência (veja abaixo).

Estados Unidos x Irã - Braçadeira LGBTQIA+
Torcedor dos EUA é retirado por usar braçadeira LGBTQIA+ na Copa do Catar em 2022 (Glyn Kirk/AFP)

— Na verdade, eles (Fifa) não têm escolha (em permitir bandeiras do arco-íris e outros símbolos do movimento LGBTQIA+). Quer dizer, isso não é direito deles… Isso é liberdade de expressão. E eu não gostaria que a Fifa recebesse crédito por fazer algo que é legalmente obrigada a fazer. Então, eles violaram sua própria política de direitos humanos ao permitirem que o Catar saísse impune depois de ameaçar e intimidar torcedores, detendo até um jornalista que usava uma camiseta com as cores do arco-íris. Portanto, a Fifa já violou suas próprias regras sobre direitos LGBT e criou uma situação de perigo para os torcedores — explicou Worden.

➡️Federação do Egito quer barrar ações ligadas ao orgulho LGBTQ+ em jogo da Copa contra o Irã

Minky Worden, diretora de inciativas globais da Human Rights Watch (Foto: Divulgação)
Minky Worden, diretora de inciativas globais da Human Rights Watch (Foto: Divulgação)

Irã descarta troca de sede se passar de fase

Desde o início da competição, diversas medidas extremas de segurança em relação à emissão de vistos surgem na Copa do Mundo. Jogadores interrogados por horas, delegações revistadas ao lado do avião, ainda na pista de pouso, e profissionais (como o fotógrafo oficial do Iraque e o melhor árbitro da África em 2025) barrados.

No caso do Irã, além dos relatos de vetos a jornalistas, torcedores e membros da delegação no Mundial, a seleção foi forçada a trocar sua sede de treinos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México — o que acarretou inclusive o cancelamento de amistosos preparatórios.

O técnico da seleção já reclamou das condições desiguais, afirmou que a Fifa tenta colaborar nesse sentido, mas não consegue. Para esta partida, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (Department of Homeland Security, ou DHS na sigla em inglês), confirmou ao Lance! que permitiria a chegada da seleção ao país com dois dias de antecedência, mas avisou que as medidas e protocolos de segurança permaneceriam e que os atletas terão de retornar ao México logo após o confronto com o Egito.

seleção iraniana
Seleção iraniana enfrenta dificuldades na Copa do Mundo Foto: Divulgação/AFP

➡️Negativa de vistos e hospedagem obriga o Irã a mudar sua base na Copa do Mundo

O secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, em entrevista à emissora Fox News, afirmou que as delegações normalmente viajam com cerca de 120 pessoas, mas que somente 53 da delegação iraniana foram liberadas.

O motivo é a alegada ligação dos integrantes barrados com o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), popularmente conhecido como Guarda Revolucionária do Irã — organização considerada terrorista pelos americanos. Trata-se de um braço militar e econômico de elite do regime iraniano.

Apesar de todas essas questões que acarretam prejuízos à isonomia esportiva, a Fifa atribui aos EUA a responsabilidade sobre quem pode entrar e sair do país, e se diz de mãos atadas. E a Federação de Futebol do Irã, sem ter outra solução, confirmou ao Lance! que se avançar na Copa do Mundo, continuará em Tijuana até o fim da competição.

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Egito e Irã: onde assistir ao confronto

Egito e Irã entram em campo à meia-noite de sexta-feira (26), em Seattle, pela terceira e última rodada do Grupo G da Copa do Mundo de 2026. O confronto terá transmissão ao vivo pela CazéTV. ➡️Clique para assistir à Copa do Mundo na Cazé TV com Disney+!

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