Negativa de vistos e hospedagem obriga o Irã a mudar sua base na Copa do Mundo
Iranianos ficarão em Tijuana e presidente mexicana confirma a recusa dos EUA

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O clima de tensão entre Estados Unidos e Irã obrigou a seleção iraniana a mudar sua logística na Copa do Mundo. Em vez de se hospedar em Tucson, no Arizona, como inicialmente haviam programado, os iranianos agora terão como base a cidade de Tijuana, no México. A recusa dos americanos em conceder visto para membros da delegação e a hostilidade das autoridades foram as razões para a mudança.
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O cenário de disputa de uma Copa do Mundo com um país-sede e um dos participantes em guerra é inédito. O clima é tratado com extrema cautela e a Fifa conduz as negociações. O conflito no Oriente Médio se arrasta há muito mais tempo do que previu o presidente Donald Trump. Assim, a medida do desencontro diplomático se percebe nas declarações oficiais. Enquanto a mídia internacional noticia uma proibição dos americanos à permanência do Irã em seu território para treinos, o comitê organizador americano não se pronuncia e a Federação Iraniana de Futebol declara apenas que a Fifa atendeu ao seu pedido de mudança de sede para treinamento.
Coube à presidente do México, Claudia Sheinbaum, esclarecer a questão em diálogo com repórteres, relatado pela Associated Press:
— Os EUA não querem que a seleção iraniana passe a noite no país — disse a mandatária mexicana.
Sheinbaum, então, contou ter sido abordada por um representante da Fifa indagando se poderiam passar a noite no México. E respondeu:
— Sim, sem problemas. Não temos restrições a isso.
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Além do Irã, outras seis seleções farão seus treinamentos em território mexicano: Colômbia, Coreia, África do Sul, Tunísia, Uruguai e os próprios anfitriões. Boa parte das conversas acontecem na Turquia, onde os iranianos se preparam para o Mundial.
Perto da fronteira com os EUA, a seleção iraniana poderá se deslocar rapidamente até o território americano para os jogos da fase de grupos, mas retornará imediatamente ao país vizinho. O Irã está no Grupo G e fará seus dois primeiros jogos em Los Angeles: contra a Nova Zelândia, no dia 15 de junho, e diante da Bélgica, em 21 de junho. Depois, enfrenta o Egito, em Seattle, no dia 26. De Tijuana a Los Angeles, são 55 minutos de voo.

Jogo em Seattle no Dia do Orgulho Gay
A complexidade política e cultural do que está por vir com a passagem iraniana por terras americanas tem mais um ingrediente capaz de azedar rapidamente a frágil receita de paz: o jogo marcado para Seattle para o dia 26 de junho, entre Irã e Egito. Dois países com dura legislação contra homossexualidade se enfrentarão na cidade americana que, justamente no mesmo fim de semana, celebra o Pride Weekend, com dezenas de ações e eventos em prol da comunidade LGBTQIA+. As duas federações se manifestaram e protestaram, mas a Fifa se calou. Consultada sobre o tema, a entidade não respondeu.
Internamente, a questão é tratada como "assunto para a cidade". Leia-se comitê organizador da Copa em Seattle — que também foi consultado por e-mail pela reportagem, sem resposta. A Fifa não informou se algum pedido oficial de homenagem, manifestação ou apresentação durante o jogo foi solicitado. A princípio, somente ações da própria Fifa e de patrocinadores são autorizadas dentro das arenas da competição e no perímetro demarcado. Mas, no entorno, não há a mesma restrição.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem na bagagem uma negociação bem-sucedida com os iranianos, que culminou com a permissão de entrada de mulheres nos estádios. Em meio ao fogo cruzado de chefes de Estado, a entidade internacional mantém a posição de que os iranianos jogarão aonde o sorteio determinou.
Vistos não foram concedidos
Até agora, os vistos para a delegação iraniana não foram concedidos. O maior entrave para a emissão dos vistos não é somente para atletas e membros de comissão técnica que eventualmente tenham cumprido serviço militar obrigatório na Guarda Revolucionária Iraniana — braço econômico e militar do governo classificado como organização terrorista por EUA e Canadá. Estes estão contemplados na legislação americana para liberação específica em competições. Porém, dirigentes não entram na lista do "Immigration and Nationality Act". E a possível relação desses cartolas, especialmente da federação nacional, com a Guarda é um complicador.
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