Pausas para hidratação geram receita de US$ 250 milhões na Copa do Mundo
Intervalos obrigatórios durante as partidas geram nova fonte de renda para emissoras

As pausas para hidratação implementadas pela Fifa durante a Copa do Mundo de 2026 se tornaram um dos temas mais controversos desta edição do torneio. Apresentadas oficialmente como uma medida para proteger a saúde dos jogadores, elas também criaram uma nova e valiosa oportunidade comercial para emissoras de televisão, gerando receitas que podem ultrapassar US$ 250 milhões apenas nos Estados Unidos.
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De acordo com informações divulgadas pelo Wall Street Journal, a Fox, detentora dos direitos de transmissão da Copa nos EUA, está cobrando cerca de US$ 200 mil por comerciais de 30 segundos exibidos durante as pausas para hidratação. Em jogos da seleção norte-americana, os valores chegaram a US$ 750 mil por anúncio.
Com 104 partidas previstas para o torneio e duas pausas obrigatórias por jogo, a estimativa é de que sejam disponibilizados 832 espaços comerciais exclusivos. Considerando um valor médio de US$ 300 mil por inserção publicitária, a arrecadação pode alcançar aproximadamente US$ 250 milhões — mais da metade dos US$ 485 milhões pagos pela Fox pelos direitos de transmissão da competição.
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Motivos das pausas na Copa do Mundo
As paradas para hidratação surgiram na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Na ocasião, uma ação judicial movida por representantes dos jogadores questionou a realização de partidas sob temperaturas extremas. Uma decisão da Justiça do Trabalho determinou que a Fifa introduzisse intervalos quando o índice de calor medido pelo WBGT (Wet Bulb Globe Temperature) atingisse níveis considerados perigosos.
O WBGT é um indicador mais completo do que a temperatura convencional, pois leva em conta fatores como umidade, radiação solar, vento e cobertura de nuvens. Na prática, os limites adotados pela FIFA em 2014 significavam que apenas condições climáticas realmente extremas justificariam uma interrupção da partida.

Nos Mundiais seguintes, disputados na Rússia em 2018 e no Catar em 2022, as pausas foram utilizadas de forma pontual. No entanto, a política mudou gradualmente. Durante o Mundial de Clubes realizado nos Estados Unidos em 2025, a entidade reduziu os parâmetros para interrupções e, posteriormente, decidiu tornar as pausas obrigatórias em todos os jogos da Copa de 2026, independentemente das condições climáticas.
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Observadores apontam que os intervalos alteram a dinâmica das partidas, permitem ajustes táticos adicionais e podem influenciar diretamente o desempenho das equipes. Em diversas transmissões, narradores chegaram a comparar os momentos às pausas entre quartos de esportes como basquete e futebol americano.
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Críticos argumentam ainda que nenhuma partida da Copa de 2026 teria exigido pausas obrigatórias caso os critérios climáticos adotados originalmente em 2014 tivessem sido mantidos
A controvérsia ganhou força em março de 2026, quando a FIFA autorizou oficialmente as emissoras a exibirem comerciais durante as pausas para hidratação.
Pelas regras estabelecidas, as redes de televisão precisam apenas respeitar uma pequena janela antes e depois da interrupção para manter imagens ao vivo da partida. O restante do tempo pode ser ocupado por publicidade.
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Na prática, a maioria das emissoras aproveitou a oportunidade. Nos Estados Unidos, a Fox passou a exibir blocos completos de anúncios durante quase todas as pausas, transformando o que antes era um momento de descanso dos atletas em um novo produto comercial de alto valor.
A principal questão, porém, será observar se as pausas obrigatórias continuarão existindo em edições disputadas em condições climáticas mais amenas. A Copa de 2030 será realizada em Espanha, Portugal e Marrocos, enquanto a edição de 2034, na Arábia Saudita, deve ocorrer durante o inverno local para evitar o calor extremo.
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