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Nosso fracasso na Copa começa com a falta de uma estratégia para o produto futebol

Reconstrução passa por gestão, planejamento e fortalecimento de toda a cadeia esportiva

PorRaul Costa Jr.
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
20/07/2026 14:16

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Seleção Brasileira após a derrota para a Noruega
Seleção Brasileira após a derrota para a Noruega (Foto: Timothy A. Clary/AFP)

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Terminada a Copa, está na hora de o Brasil olhar para si mesmo e procurar respostas e caminhos para reconstruir nosso futebol. Reconstruir no sentido mais amplo, em que o negócio futebol seja pensado e visto além das fronteiras nacionais. Um negócio no qual buscaremos ser uma marca reconhecida e um produto atrativo nos diversos mercados mundiais. Apesar de a camisa canarinho ser uma marca e um produto mundial, nossos clubes não tem relevância e muito menos atratividade. Talvez a Flamengo e Corinthians sejam pequenas exceções, que, mesmo assim, não voam muito alto.

Se você for a qualquer grande capital da Europa ou Estados Unidos, ou mesmo da América do Sul, não verá qualquer camisa de clube brasileiro sendo vendida. Não adianta pensarmos em Seleção Brasileira forte sem clubes fortes e sem campeonatos atrativos e com audiência. Se acharmos que o fiasco desta Copa foi um time ruim ou um treinador sem ideias, ainda não entendemos nada. Nosso fracasso começa antes, com a falta de uma estratégia para o produto futebol. Nem CBF e nem clubes, nem federações e nem jogadores conseguem trabalhar alinhados com os mais diferentes players do mundo futebol. Os parceiros de mídia são parceiros e assim deveriam ser tratados, com os dirigentes entendendo que jogos em horários diferentes servem para promover o futebol em outros mercados, que a mídia pode ser o parceiro ideal para construir modelo e discursos que nos permitam alcançar novos mercados. Novos mercados exigirão clubes e entidades do futebol mais modernos, alinhados com as melhores práticas e buscando o máximo em resultados que reverterão para a qualidade em campo, pois, somente com clubes bem geridos e entidades pensando em qualificação é que teremos horizonte.

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Não dá pra pensar futebol com práticas clientelistas e produtos fracos. As federações e a CBF precisam transformar cada jogo em espetáculo, em beleza que começa na entrada em campo, em campos perfeitos e cuidado nos detalhes. Isto significará cada vez mais dinheiro e patrocínios que ajudarão a manter craques novos e antigos disputando nossos campeonatos, aumentando também a qualificação das competições. Repensar a Seleção Brasileira significa repensar clubes (sem eles não existe futebol), manter atletas e desenvolver soluções de marketing que levam à internacionalização da marca futebol brasileiro. Futebol é negócio e assim deve ser tratado, com profissionais e dirigentes qualificados tocando o negócio com visão de longo prazo. Esse caminho pode passar por SAF? Depende da realidade de cada clube, mas o importante é que existam soluções que contemplem as melhores práticas e busquem trazer de volta o que tivemos durante dezenas de anos e começamos a perder nos últimos 20 anos: um futebol reconhecido.

Enquanto pensarmos todo universo do futebol separadamente, seguiremos remando em busca de soluções que podem parecer miragem. O fraco desempenho em campo desde 2006 ilustra muito o universo do esporte que não consegue caminhar junto. Nosso futebol não consegue crescer como produto, não consegue se organizar para virar uma marca relevante e isto se reflete na atratividade da nossa Seleção. No fim das contas o que precisamos é marcado na veia do futebol.

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O choro de Messi, logo após o apito do juiz, não era o choro de um atleta que encerrava ali as participações em Copa. Era o choro de um guerreiro frustrado por não poder entregar ao seu país mais um momento de glória. Lindo demais, mas muito distante dos nossos atletas. Falta um Messi ao Brasil.

Messi sentado no gramado do MetLife Stadium após derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo
Messi sentado no gramado do MetLife Stadium após derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026 (Foto: Paul Ellis/AFP)

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