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Futebol dinâmico e histórias de superação: o México que pode enfrentar o Brasil na Copa

Equipe de Javier Aguirre tem 100% de aproveitamento e ainda não sofreu gols

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
03/07/2026 06:00
Jogadores do México se direcionam à torcida para comemorar vitória sobre o Equador na Copa do Mundo
Jogadores do México se direcionam à torcida para comemorar vitória sobre o Equador na Copa do Mundo (Foto: Yuri Cortez / AFP)

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O México é uma das sensações desta Copa do Mundo: jogando diante da sua torcida, a equipe alcançou as oitavas de final com 100% de aproveitamento e nenhum gol sofrido. O próximo jogo, contra a Inglaterra, será o último em solo mexicano no torneio. Se "La Tri" levar a melhor, pode ser a adversária da Seleção Brasileira nas quartas de final.

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A qualidade dos donos da casa não surpreende Paulo Victor Gomes, novo treinador das seleções brasileiras sub-20 e sub-23. Entre 2023 e 2026, o profissional auxiliou André Jardine no trabalho multicampeão à frente do América do México. Consequentemente, acompanhou de perto a preparação da equipe nacional até o Mundial. Em entrevista ao Lance!, ele destacou que já nutria otimismo com o desempenho dos mexicanos, mesmo em ciclo marcado por troca no comando técnico — em julho de 2024, Javier Aguirre substituiu Jaime Lozano.

— Eu tinha certeza de que o México teria uma grande seleção no Mundial. O torcedor e a imprensa no México são muito críticos, atrapalham a construção de um processo a longo prazo na seleção, principalmente quando causam trocas de treinadores. Mas eu ainda tinha essa certeza, porque a seleção tem muitos bons jogadores. Quando a seleção se reunia, a gente conversava e dizia que eram muitas boas peças, que formariam uma equipe competitiva associando os vários bons jogadores da liga mexicana com os que jogavam na Europa — contou.

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☝️ América homenageia Paulo Victor, que deixou o clube como ídolo.

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O sufocante México de Aguirre

O mexicano Javier Aguirre, de 67 anos, com carreira expressiva em clubes mexicanos e espanhóis, reassumiu a seleção do seu país a dois anos da Copa — antes, havia comandado La Tri na campanha até as oitavas de final do Mundial de 2010.

Classificado antecipadamente por ser um dos três países-sede, o México teve ciclo mais tranquilo, sem disputar as Eliminatórias. Ainda assim, a campanha discreta na Copa América de 2024 ocasionou a demissão de Lozano. Após a chegada do novo treinador, a equipe mexicana venceu dois torneios entre seleções das Américas Central e do Norte: Gold Cup e Concacaf Nations League.

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Desde o início de 2026, os mexicanos mostravam indícios do futebol demonstrado no Mundial. Invictos no ano, venceram também os três jogos pré-Copa — no mais recente, goleando a Sérvia por 5 a 1. Antes do início da competição mais esperada, o time já somava expressivas 17 vitórias, oito empates e quatro derrotas sob comando de Aguirre.

Javier Aguirre grita à beira do campo no jogo entre México e Equador pela Copa do Mundo
Javier Aguirre grita à beira do campo no jogo entre México e Equador pela Copa do Mundo (Foto: Yuri Cortez / AFP)

Na Copa do Mundo, o destaque dos mexicanos vai muito além dos resultados. Especialmente nas duas partidas mais recentes, contra República Tcheca e Equador, impressionaram pela forma como sufocaram os adversários. O time treinado por Javier Aguirre é vertical, dinâmico e tem muita qualidade. Por mais que só tenha superado a posse de bola do rival no primeiro duelo, diante da África do Sul, teve mais finalizações ao gol em todos os quatro confrontos.

Armada no 4-3-3, a equipe mexicana imprime muita velocidade quando rouba a posse de bola. Sem egoísmo, os jogadores trocam passes e sempre buscam o companheiro mais livre. E é claro que o estilo de jogo é favorecido pela presença da sua torcida, que cria uma atmosfera completamente diferente nas partidas da seleção mexicana.

México na Copa do Mundo de 2026:

ResultadoEstádioPúblico

México 2 x 0 África do Sul

Azteca (Cidade do México)

80.824 pessoas

México 1 x 0 Coreia do Sul

Akron (Guadalajara)

45.522 pessoas

México 3 x 0 Tchéquia

Azteca (Cidade do México)

80.824 pessoas

México 2 x 0 Equador

Azteca (Cidade do México)

80.824 pessoas

Agora, o México joga novamente no lendário Estádio Azteca pelas oitavas de final da Copa do Mundo. O confronto com a Inglaterra acontece no domingo (5), às 21h (de Brasília), e será a despedida da seleção de seu país. A partir da eventual quartas de final, possivelmente contra o Brasil, a equipe de Aguirre jogaria apenas nos Estados Unidos.

Mexicanos invadem monumento na Cidade do México para comemorar classificação às oitavas de final da Copa do Mundo
Mexicanos invadem monumento na Cidade do México para comemorar classificação às oitavas de final da Copa do Mundo (Foto: Claudia Rosel / AFP)

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Quem são os craques mexicanos na Copa?

A seleção mexicana tem muitos destaques nesta Copa do Mundo, desde a defesa imbatível até o ataque letal. O capitão é o zagueiro Montes. A criatividade passa pelo "motorzinho" Alvarado, que já distribuiu três assistências na competição. Quem também chama atenção é o meia Gilberto Mora, de apenas 17 anos, o mais novo do torneio e da história do México em Mundiais. Em contraste, o elenco tem o lendário Guillermo Ochoa, que, aos 40 anos, disputa sua sexta edição.

Contudo, os maiores personagens desta equipe certamente são os atacantes Raúl Jiménez e Julián Quiñones, autores dos gols contra o Equador. No segundo, inclusive, combinaram lindamente em tabela até finalização perfeita de Jiménez. A dupla marcou cinco dos oito gols mexicanos na Copa até agora. Mas a capacidade artilheira de ambos não é novidade.

Jiménez e Quiñones correm para celebrar juntos o segundo gol na vitória sobre o Equador
Jiménez e Quiñones correm para celebrar juntos o segundo gol na vitória sobre o Equador (Foto: Yuri Cortez / AFP)

Raúl Jiménez: o homem que desafiou a morte

Raúl Jiménez personifica a superação da seleção mexicana. Aos 35 anos, o centroavante enfim é titular depois de três edições de Copa no banco de reservas (2014, 2018 e 2022). Na estreia, contra a África do Sul, aproveitou a oportunidade tão aguardada para também marcar o seu primeiro gol em Mundiais. Por trás, um roteiro cinematográfico: a mesma cabeça que exige utilização de um protetor há seis anos finalizou com precisão o cruzamento de Alvarado.

O atacante começou a carreira como promessa no América do México. Depois, teve passagem apagada pelo Atlético de Madrid e foi bicampeão português com o Benfica antes de chegar à badalada Premier League. Vestindo as camisas de Fulham e Wolverhampton, já marcou 68 gols em 233 jogos. Mas também foi na Inglaterra que viveu o maior susto da vida: em novembro de 2020, se chocou com o zagueiro brasileiro David Luiz, fraturou o crânio e sofreu uma hemorragia intracraniana, que, em muitos casos, leva a vítima à morte. Foram dez meses até o retorno aos gramados.

No entanto, a disputa da Copa do Mundo envolveu outra superação dolorosa para Jiménez. Três meses antes do torneio, o astro mexicano perdeu o pai. Ao celebrar o gol de cabeça na vitória sobre a África do Sul, o segundo do Mundial, ele apontou emocionado para o céu.

— Era algo que eu buscava, mais do que marcar meu primeiro gol na Copa do Mundo, poder dedicá-lo ao meu pai, que eu acho que seria o mais feliz de estar aqui no estádio, mas sei que lá do céu ele está me apoiando e me incentivando — revelou após o jogo.

Raúl Jiménez aponta para o céu ao comemorar seu primeiro gol em uma Copa do Mundo
Raúl Jiménez aponta para o céu ao comemorar seu primeiro gol em uma Copa do Mundo (Foto: Rodrigo Oropeza / AFP)

Depois de passar em branco contra a Coreia do Sul e ser poupado diante da Tchéquia, o centroavante voltou a marcar em grande estilo no mata-mata. A pintura contra os equatorianos foi assistida por seu parceiro de ataque, o habilidoso Julián Quiñones.

➡️ Após vitória, atacante do México afirma: 'Europa não faz jogador melhor'

Julián Quiñones: o arrependimento colombiano

Julián Quiñones, de 29 anos, nasceu em Magüi Payán, na Colômbia, e começou a carreira no país natal. Em 2015, porém, migrou para o futebol mexicano, onde permaneceu até 2024. O atacante integrou a seleção colombiana de base, mas foi ignorado na equipe principal. Isso até 2023, quando finalmente recebeu um convite. Tarde demais: insatisfeito com a falta de oportunidades, o jogador já havia decidido defender a nação que o abraçou.

A estreia pelo México aconteceu em novembro de 2023. Agora, na Copa do Mundo, o velocista fez questão de se apresentar aos que não o conheciam na Colômbia e no resto do mundo: marcou logo o primeiro gol do torneio. Desde então, já balançou as redes outras duas vezes e deu uma assistência. Além de artilheiro, é quem mais corre na equipe mexicana (39 km) no Mundial. Segundo o Power Ranking da Fifa, também é o 12º melhor jogador de ataque da competição.

Quiñones carrega o México ao ataque no jogo contra o Equador pela Copa do Mundo
Quiñones carrega o México ao ataque no jogo contra o Equador pela Copa do Mundo (Foto: Alfredo Estrella / AFP)

Quiñones brilhou por onde passou. Ganhou títulos por Tigres, Atlas e América do México, onde encerrou sua passagem pelo país e conquistou os torneios Apertura e Clausura da Liga MX sob comando de André Jardine e Paulo Victor. Para o atual técnico das seleções brasileiras de base, o papel que exerce nesta Copa extrai o seu melhor.

— O Julián é um jogador muito acima da média, que nos ajudou muito. É um atleta especial, que consegue desempenhar qualquer função do ataque, seja pelo lado esquerdo ou direito, como segundo atacante ou camisa 9. Mas a sua melhor função é a que está executando agora na Copa do Mundo: um atacante pela esquerda, que se converte em segundo atacante, próximo ao centroavante, liberando o corredor para o lateral — analisou.

Em 2024, Quiñones trocou o América pelo Al-Qadsiah, do endinheirado futebol saudita, que pagou € 13,8 milhões por sua contratação. No clube árabe, acumula números impressionantes: 62 gols em 68 jogos. Paulo Victor conhece bem a veia artilheira do astro mexicano, mas admira ainda mais a forma como concilia a capacidade dentro da área com contribuição tática.

— Julián é um jogador muito conectado com o gol, mas com uma taxa de trabalho altíssima, que se dedica muito à equipe na fase defensiva, se sacrifica, tem percepção de defesa. É um jogador completo, que todo treinador e equipe gostariam de ter. É muito influente no ataque, com gols, assistências e movimentos para a profundidade, mas também na defesa — disse.

O Mundial é a maior vitrine para qualquer jogador. Aos 29 anos, em plena forma física, o artilheiro do México deve virar um dos mais desejados do mercado de transferências após o torneio. E quem diz entende do assunto: treinador da base do Palmeiras entre 2021 e 2023, Paulo Victor projetou craques como Endrick e Estêvão.

— Em teoria, Julián é um jogador que começou a se destacar mais tarde na carreira, construída desde a formação no México. Hoje é o artilheiro da sua liga, então vejo grande possibilidade de voos maiores. Também porque é um jogador privilegiado fisicamente, com vigor e saúde interessantes. Além disso, é uma pessoa e um profissional espetacular. Eu desejo muito sucesso para o Quiñones, porque realmente merece e fez por onde — acrescentou o técnico.

Jogadores do México jogam Quiñones para o alto em comemoração da classificação às oitavas da Copa do Mundo
Jogadores do México jogam Quiñones para o alto em comemoração da classificação às oitavas da Copa do Mundo (Foto: Alfredo Estrella / AFP)

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Do México para o mundo

O bom desempenho apresentado pelo México na Copa do Mundo é reflexo do futebol local. A liga mexicana recebe investimento pesado de grandes empresários, que financiam os principais clubes, e tem crescido ano após ano. Segundo o portal especializado em finanças do futebol "Capology", a Liga MX é a 12ª que mais gasta com salários no mundo.

Alguns veteranos estrangeiros, como o francês André-Pierre Gignac e o espanhol Sergio Ramos, passaram pelo Campeonato Mexicano recentemente. Nesta temporada, os brasileiros Lima e Raphael Veiga também migraram para lá. Mas grande parte dos investimentos são em atletas que já disputam a liga. O resultado: 12 dos 26 jogadores convocados atuam no país. Assim, a equipe que encanta o planeta nesta Copa do Mundo aproveita o que tem de melhor na essência do futebol mexicano.

— O que essa equipe tem de mais marcante são características relacionadas ao que é o futebol mexicano: a velocidade dos seus jogadores, o futebol ofensivo, leve, veloz. As equipes prezam muito pelo jogo ofensivo, de ataque. São equipes ousadas, destemidas, como a gente também está conseguindo ver dentro da seleção mexicana neste Mundial — concluiu Paulo Victor Gomes.

Elenco do México na Copa do Mundo de 2026:

JogadorPosiçãoIdadeClube (País)

Raúl Rangel

Goleiro

26

Chivas (México)

Carlos Acevedo

Goleiro

30

Santos Laguna (México)

Guillermo Ochoa

Goleiro

40

AEL Limassol (Chipre)

Johan Vásquez

Zagueiro

27

Genoa (Itália)

César Montes

Zagueiro

29

Lokomotiv (Rússia)

Luis Romo

Zagueiro

31

Cruz Azul (México)

Mateo Chávez

Lateral-esquerdo

22

AZ Alkmaar (Holanda)

Jesús Gallardo

Lateral-esquerdo

31

Toluca (México)

Israel Reyes

Lateral-direito

26

América (México)

Jorge Sánchez

Lateral-direito

28

PAOK (Grécia)

Edson Álvarez

Meio-campista

28

West Ham (Inglaterra)

Érik Lira

Meio-campista

26

Cruz Azul (México)

Luis Chávez

Meio-campista

30

Dínamo (Rússia)

Obed Vargas

Meio-campista

20

Atlético (Espanha)

Orbelín Pineda

Meio-campista

30

AEK Atenas (Grécia)

Álvaro Fidalgo

Meio-campista

29

Betis (Espanha)

Gilberto Mora

Meio-campista

17

Tijuana (México)

Brian Gutiérrez

Meio-campista

23

Chivas (México)

Alexis Vega

Atacante

28

Toluca (México)

César Huerta

Atacante

25

Anderlecht (Bélgica)

Roberto Alvarado

Atacante

27

Chivas (México)

Santiago Gimenez

Atacante

25

Milan (Itália)

Armando González

Atacante

23

Chivas (México)

Julián Quiñones

Atacante

29

Al-Qadsiah (Ar. Saudita)

Raúl Jiménez

Atacante

35

Wolves (Inglaterra)

Guillermo Martínez

Atacante

31

Pumas UNAM (México)

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