Erros, acertos e novas regras: a arbitragem da Copa do Mundo de 2026
Edição é marcada por inovações e mudanças para acabar com a cera

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A Copa do Mundo de 2026 é marcada por novas regras e orientações da Fifa à arbitragem, que vão desde o combate à cera às novas intervenções do VAR. As mudanças para aumentar o tempo de bola rolando tiveram impacto positivo e a tecnologia exerceu papel essencial em momentos-chave das partidas. Por outro lado, o torneio não se viu livre de erros e polêmicas.
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Mudanças de arbitragem na Copa de 2026:
Regras anticera
Para a Copa de 2026, medidas foram ampliadas contra a perda deliberada de tempo. Entre as novidades estão a contagem regressiva de cinco segundos para cobranças de lateral e tiro de meta, o limite de dez segundos para que jogadores substituídos deixem o gramado e a obrigatoriedade de um minuto fora de campo após atendimento médico.
Ao fim da fase de grupos, o tempo médio de bola rolando deste Mundial era de 58 minutos e seis segundos, três segundos a mais do que na edição anterior, no Catar, e três minutos e 14 segundos a mais do que em 2018, no torneio da Rússia. No entanto, os resultados são melhores percentualmente, já que a duração dos jogos em 2026 é menor do que em 2022.
A Copa do Mundo do Catar ficou marcada pelos acréscimos expressivos, orientados pela Fifa de forma a compensar o tempo de jogo parado. Contudo, isso não foi necessário na edição da América do Norte, justamente pelo impacto positivo das medidas contra a cera.
Para a ex-árbitra Nadine Bastos, hoje comentarista no "SBT", as mudanças cumpriram o propósito, especialmente para evitar as falsas lesões com o objetivo de esfriar o jogo.
— Na minha avaliação, as mudanças surtiram efeito e contribuíram para aumentar o tempo de bola em jogo. A regra que mais funcionou, na minha visão, foi a que determina que o jogador atendido em campo permaneça um minuto fora antes de retornar. Ficou evidente que muitos atletas passaram a levantar rapidamente, em vez de permanecer no chão alegando dores após faltas, marcadas ou não pelo árbitro. Isso ajudou a reduzir a cera e deu mais dinâmica às partidas — opinou ao Lance!.

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Novas tecnologias
O Mundial de 2026 também prosseguiu com o uso cada vez maior da tecnologia na arbitragem. O impedimento semiautomático, já adotado em 2022, passou por evolução para esta edição, incluindo uma inteligência artificial que elabora gráficos 3D para ajudar na visualização.
Como resultado, a tecnologia enxergou o que o olho humano não seria capaz. Dessa forma, foram anulados gols como o do colombiano Davinson Sánchez, no jogo contra Portugal, que tinha o pé pouquíssimos centímetros à frente do zagueiro adversário. Lances como esse esquentaram novamente o debate sobre mudanças na regra do impedimento — Arsène Wenger, ex-técnico do Arsenal e chefe de desenvolvimento global de futebol da Fifa, por exemplo, propõe que o jogador só esteja fora de jogo se o corpo inteiro estiver adiantado em relação ao penúltimo defensor.

Outro recurso aprimorado foi o sensor na bola, equipada com um chip capaz de detectar qualquer mínimo toque. Assim foi anulado o gol da Croácia contra Portugal nos 16 avos de final: o resvalo na cabeça de Matanovic gerou o impedimento de Pasalic, conforme identificado pela tecnologia e apresentado na transmissão por meio de um gráfico. Da mesma forma, a Fifa rejeitou as alegações de jogadores noruegueses de que a bola teria tocado no cabo de uma câmera aérea na jogada do primeiro gol da Inglaterra nas quartas de final.

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Intervenção do VAR e outras mudanças
O VAR também ganhou novas atribuições na Copa do Mundo de 2026. Agora, os árbitros da cabine podem recorrer às imagens para corrigir escanteios marcados erroneamente ou cartões amarelos aplicados de maneira incorreta.
A mudança causou estranheza, já que o juiz não pode ignorar infrações ao assistir ao vídeo. Na expulsão do atacante suíço Embolo contra a Argentina, o VAR chamou o árbitro para sinalizar a aplicação indevida do cartão amarelo ao volante argentino Paredes, mas o português João Pinheiro, ao ver o lance no monitor, percebeu a clara simulação do jogador europeu, que recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O mesmo já havia acontecido com o paraguaio Almirón na fase de grupos.

O meia-atacante do Paraguai, aliás, foi "cobaia" das novas regras: o atleta também foi o primeiro expulso por discutir com o adversário cobrindo a mão com a boca. A Fifa adotou medida rigorosa para situação como essa após Vini Jr acusar o argentino Prestianni de proferir ofensas racistas enquanto escondia a boca no duelo entre Benfica e Real Madrid pela Champions League.
A primeira fase da Copa do Mundo teve um VAR pouco intervencionista, mas no mata-mata a arbitragem de vídeo participou mais frequentemente das partidas.
— Na fase de grupos, a orientação parecia ser deixar o jogo correr mais, com menos interferências do VAR e uma arbitragem mais tolerante em alguns lances de contato e na aplicação de cartões. Já no mata-mata, o VAR passou a atuar de forma mais presente, principalmente em lances de pênalti que, na fase anterior, muitas vezes não eram revisados. Considero que essa mudança foi positiva, porque, em jogos eliminatórios, o custo de um erro é muito maior. Embora tenha aumentado um pouco o número de paralisações, a prioridade deve ser a correção das decisões mais importantes — afirmou Nadine.
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Saldo da arbitragem foi positivo?
Apesar das mudanças bem avaliadas da Fifa, a arbitragem não passou ilesa na Copa do Mundo. Para Nadine Bastos, um erro grave foi a não-expulsão de Lionel Messi na estreia da Argentina, contra a Argélia, quando pisou na perna do zagueiro Aissa Mandi.
— Sim, houve alguns erros importantes. O lance que mais repercutiu mundialmente, na minha opinião, foi a não-expulsão do Messi ainda na fase de grupos. Naquele momento, entendi que era um lance para cartão vermelho, e o VAR sequer recomendou a revisão. Foi uma decisão que gerou bastante discussão e marcou a atuação da arbitragem na competição — disse.

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