Nova regra do impedimento mudaria história da primeira fase da Copa
Proposta de Arsène Wenger salvaria o Irã, mas árbitros divergem sobre eficácia

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O futebol caminha para uma de suas maiores revoluções táticas, e os primeiros impactos reais dessa mudança já causam intenso debate depois de dois lances polêmicos na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Uma nova regra de impedimento idealizada por Arsène Wenger, chefe de desenvolvimento global da Fifa, promete acabar com os gols anulados por linhas milimétricas do VAR. Se estivesse em vigor no Mundial, a história da primeira fase teria sido reescrita.

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A polêmica ganhou força após dois lances capitais no encerramento da fase de grupos: o gol anulado do zagueiro Davinson Sánchez, da Colômbia, contra Portugal, e o de Shoja Khalilzadeh, do Irã, diante do Egito. Marcado nos acréscimos, o gol iraniano teria garantido uma classificação histórica do país para a segunda fase da Copa do Mundo. Ambos os lances foram invalidados pela regra atual, mas seriam confirmados sem hesitação pelo novo formato. O impedimento foi marcado por questão de centímetros: apenas a ponta da chuteira dos jogadores estava à frente na linha do VAR.

O que diz a regra proposta por Wenger?
A proposta de Wenger é simples: o atacante só estará em impedimento se o seu corpo estiver inteiramente à frente do último defensor. Se qualquer parte do corpo do atleta de ataque que marcar um gol estiver na mesma linha ou atrás do zagueiro, o lance é legal.

A medida foi apelidada de regra da "luz do dia", pois exige que haja um espaço visual claro (luz) entre os dois jogadores para que a infração seja marcada. O objetivo principal é devolver a vantagem ao setor ofensivo, aumentar a média de gols e livrar o esporte da dependência extrema de linhas milimétricas traçadas pela tecnologia.
Embora tenha enfrentado forte resistência da International Board (Ifab) e da Uefa, a Fifa conseguiu aprovar a fase de testes práticos do projeto, que passou a rodar na liga profissional do Canadá. Em abril, durante o jogo entre Pacific FC e Halifax Wanderers pela Canadian Premier League, o atacante Alejandro Díaz se aproveitou da nova dinâmica para marcar o primeiro gol oficial sob a nova legislação após um rebote do goleiro.
Simon aprova, Sálvio alerta para "vantagem excessiva"
Caso essa implementação estivesse em vigor na Copa do Mundo deste ano, as decisões de campo teriam sido opostas e os gols de Colômbia e Irã seriam validados de forma legal, mexendo diretamente no chaveamento das oitavas de final. Para avaliar a aceitação da proposta, o Lance! consultou grandes nomes da arbitragem brasileira, que mostraram visões completamente distintas sobre o futuro do jogo.
O ex-árbitro de três Copas do Mundo Carlos Eugenio Simon foi direto em sua avaliação e declarou que é totalmente a favor da nova medida no futebol. Por outro lado, o também analista de arbitragem Sálvio Spínola demonstrou forte preocupação com o equilíbrio tático entre ataque e defesa se a mudança for adotada em definitivo.
— É muita vantagem para o ataque. Corpo inteiro, dificilmente o zagueiro chega na bola. Muda muito o jogo. A maioria dos treinadores se posicionou contra, e o técnico José Mourinho levanta esse coro — alertou Sálvio Spínola.

Sálvio também fez questão de explicar o funcionamento atual do torneio, que não deixa margem para interpretações humanas nesses lances polêmicos:
— No impedimento semiautomático não existe linha. Qualquer parte do corpo, exceto braço e mão, estando à frente de dois defensores é identificado pelo sistema. Por isso, os gols de Colômbia e Irã foram anulados. É um processo totalmente automático — completou o comentarista.
A discussão promete ganhar força nos bastidores da Fifa após o encerramento da Copa do Mundo. Enquanto os testes continuam em território canadense e dividem opiniões entre ex-juízes e treinadores pelo mundo, fica a certeza de que o futebol busca um caminho para se tornar mais agressivo e com mais bolas na rede.
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