Lúcio de Castro vê crise da CBF longe do fim e defende Vini Jr.
Jornalista relaciona bastidores da CBF ao desempenho da Seleção e não vê culpa de Vini

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega, na Copa do Mundo, abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o estado do futebol brasileiro. No episódio #13 do "Lúcio de Papo", Lúcio de Castro afirmou que os problemas da CBF estão diretamente ligados ao desempenho dentro de campo e classificou Vini Jr. como um dos raros pontos positivos da campanha. A queda brasileira ocorreu em um ciclo marcado por trocas no comando da entidade, disputas políticas e instabilidade na Seleção.
Para Lúcio, a crise da CBF não é um problema isolado nem recente. O jornalista citou a sequência de presidentes afastados ou envolvidos em escândalos e afirmou que uma instituição com esse histórico dificilmente consegue produzir estabilidade esportiva.
— Não há como dar certo. É impraticável que uma instituição com esse histórico dê certo — afirmou.
A relação entre escândalos da CBF e rendimento da Seleção
Na avaliação do jornalista, os problemas administrativos da CBF têm reflexo direto na Seleção. Lúcio lembrou que o futebol internacional se modernizou e que seleções competitivas dependem cada vez mais de gestão, planejamento e identidade.
Segundo ele, o Brasil deixou há tempos a primeira prateleira do futebol mundial e agora corre o risco de perder força também entre seleções de segundo nível competitivo.
— O Brasil agora está perdendo na segunda prateleira. Ele está com dificuldade para se estabilizar na segunda prateleira — disse.
O jornalista citou eliminações recentes para Bélgica, Croácia e Noruega como sinais de perda de força. Para ele, o problema não se resume a um jogo ruim ou a uma geração menos brilhante, mas a um sistema que impede renovação e favorece a permanência dos mesmos grupos no poder.

Samir Xaud é citado como símbolo da disputa política
Outro ponto central da conversa foi a situação de Samir Xaud, presidente da CBF. Lúcio afirmou que o dirigente está enfraquecido politicamente e o chamou de "morto-vivo no poder", sustentando que sua permanência depende mais da disputa interna entre grupos da entidade do que de um projeto de gestão.
Samir foi eleito presidente da CBF como candidato único após receber apoio de federações e clubes em 2025. O dirigente também foi alvo de busca e apreensão em uma operação da Polícia Federal que apura suposta compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Roraima.
Para Lúcio, a escolha de dirigentes dentro da estrutura atual mantém um ciclo fechado.
— Você tem um sistema viciado, em que presidentes de federações que também têm o mesmo histórico elegem o igual deles sempre — afirmou.
Vini Jr. é defendido após eliminação
Apesar do tom duro sobre a Seleção, Lúcio apontou Vini Jr. como o principal ponto positivo do Brasil na Copa. O jornalista destacou a pressão carregada pelo atacante, alvo recorrente de racismo no futebol europeu, e criticou tentativas de responsabilizá-lo pela eliminação.
— Ele foi protagonista do Brasil em todos os momentos. É de uma injustiça profunda querer debitar nele a questão de não bater pênalti — disse.
Antes da Copa, Vini Jr. chegava ao Mundial com status de líder técnico da Seleção, especialmente pelo trabalho de Carlo Ancelotti, treinador com quem viveu seus melhores momentos no Real Madrid.
Lúcio também afirmou que a escolha dos batedores era responsabilidade de Ancelotti e relacionou parte das críticas ao atacante a um componente racial.
— Você escolhe um preto para ser o culpado. Alguns agora querem imputar uma culpa ao Vini Jr. que ele não tem — declarou.
Neymar também entra na crítica
O jornalista ainda criticou a presença de Neymar na Copa e a postura do camisa 10 em um momento decisivo. Para Lúcio, a convocação teve influência de pressões externas e mercadológicas, e o atacante não estava em condições ideais para disputar o Mundial.
A situação de Neymar já era tratada como delicada durante o ciclo. Carlo Ancelotti não estava totalmente convencido sobre a presença do jogador na Copa e que a decisão passou também pela cúpula da CBF.
Para Lúcio, a cena de Neymar comemorando um gol enquanto o Brasil ainda precisava buscar o resultado sintetizou problemas maiores da Seleção.
— No momento em que o Brasil mais está precisando dele, resolve fazer aquela cena grotesca — criticou.
Crise não deve acabar no curto prazo
No fechamento da análise, Lúcio de Castro foi pessimista sobre a chance de mudança na CBF. Para ele, a estrutura atual não permite que o futebol se sobreponha aos interesses políticos da entidade.
A fala reforça a leitura de que a eliminação do Brasil não deve ser tratada apenas como fracasso esportivo. Para o jornalista, a queda expõe uma crise de comando que atravessa gestões, afeta a formação de identidade da Seleção e coloca o futebol brasileiro em uma posição cada vez mais desconfortável no debate internacional.
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