Paulo Sérgio cobra reformulação total na Seleção: 'Amadorismo não vai trazer o hexa'

Em evento do Bayer Leverkusen no Rio, tetracampeão critica desorganização do futebol brasileiro, pede mudanças na diretoria e defende permanência de Ancelotti

PorLucas Moreira GomesRio de Janeiro (RJ)
08/07/2026 15:48
Paulo Sérgio em entrevista no projeto no Parque Madureira
Paulo Sérgio durante entrevista (Foto: Lucas Moreira/Lance!)

A eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo gerou forte cobrança de Paulo Sérgio, ex-jogador com passagem pelo futebol alemão e ligação com o Bayer Leverkusen. Em entrevista ao Lance! durante evento do clube alemão com o projeto "Bola Pra Frente", no Rio de Janeiro, ele afirmou que o Brasil precisa de uma reformulação ampla para voltar a competir pelo hexa.

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A queda da Seleção para a Noruega, nas oitavas de final, encerrou a campanha brasileira no Mundial e aumentou a pressão sobre jogadores, comissão técnica e dirigentes. Para o tetracampeão, o problema vai além do jogo que decretou a eliminação. Ele apontou falhas acumuladas no ciclo, lembrou resultados ruins recentes e disse que a expectativa criada antes da Copa escondia questões estruturais.

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— Nós esquecemos que o Brasil perdeu para a Argentina duas vezes, perdeu para o Japão, perdeu para Marrocos, empatou com a Venezuela. Em prol de uma Copa do Mundo, a gente esquece, mas a realidade, infelizmente, é outra — afirmou.

Segundo ele, a Seleção não soube disputar a competição da forma necessária para avançar.

— O futebol é assim: se você não souber jogar a competição, acaba perdendo. Em 1994, nós soubemos jogar aquela Copa do Mundo e, por isso, conquistamos. Infelizmente, essa Seleção não soube jogar esta Copa — disse.

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Paulo Sérgio pede mudanças na CBF e na formação de jogadores

A principal cobrança de Paulo Sérgio foi por uma mudança profunda na estrutura do futebol brasileiro. Ele citou trocas de presidentes, mudanças de treinadores e falta de planejamento como fatores que ajudam a explicar o momento da Seleção.

— A desorganização que nós temos durante todo esse período, troca de presidente, troca de treinadores, isso é reflexo daquilo que vivemos no nosso país. Temos que profissionalizar, ter pessoas capacitadas. Amadorismo não vai levar o Brasil ao hexa — declarou.

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O ex-jogador também apontou a formação de atletas como uma das áreas mais preocupantes. Para ele, o Brasil deixou de produzir jogadores em posições essenciais, como as laterais.

— Precisamos refletir onde está a base. Nós não conseguimos, durante todos esses anos, revelar laterais. Se todos juntos não se profissionalizarem, infelizmente vamos cair por muito mais tempo — completou.

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Paulo Sérgio defende reformulação total no próximo ciclo da Seleção

Questionado sobre o futuro da equipe, Paulo Sérgio foi direto ao defender uma reformulação completa, inclusive no primeiro escalão de dirigentes.

Ele afirmou que jogadores experientes, como Neymar, Marquinhos e Casemiro, não devem ser tratados como culpados isolados, mas indicou que o momento exige uma mudança de rumo.

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— Precisa haver uma reformulação total, desde o primeiro escalão, de dirigentes e staff. Ou você moderniza, ou entende verdadeiramente o propósito — afirmou.

Paulo Sérgio citou o exemplo da Alemanha, que passou por mudanças profundas após chegar envelhecida à Copa de 2002 e, anos depois, foi campeã mundial, em 2014.

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— Esses jogadores não são culpados, esses garotos hoje não são culpados. Mas eles precisam entender que, daqui para frente, vão ter que dar mais e entender a responsabilidade de vestir a Seleção Brasileira — disse.

Crítica à falta de protagonismo de Vini Jr. em momento decisivo

Um dos pontos mais comentados da eliminação foi a decisão de Vini Jr. de não assumir a cobrança de pênalti, uma das principais chances da Seleção no jogo contra a Noruega, na decisão da Copa do Mundo. A escolha ficou com Bruno Guimarães por orientação de Carlo Ancelotti, segundo foi relatado na entrevista após o jogo.

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Para Paulo, em jogos decisivos, os grandes jogadores precisam chamar a responsabilidade, algo bastante questionado após a queda do Brasil.

— Eu duvido que, em um momento tão importante, se o Romário estivesse ali brigando pela artilharia da Copa, mesmo não sendo o batedor oficial, ele não pegaria a bola para bater — afirmou.

Para o ex-jogador, Vini Jr. tinha a oportunidade de assumir um papel maior dentro da Seleção.

— Era um momento do Vinícius Júnior. Um momento em que ele brigaria por uma artilharia. É isso que os grandes estão pensando: Haaland, Cristiano Ronaldo, Messi, Mbappé. Se nós não tivermos esses jogadores nas próximas seleções, vamos ficar no mesmo — analisou.

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Paulo também criticou a tentativa de "robotizar" o jogador brasileiro. Na visão dele, o Brasil precisa absorver métodos europeus, mas sem abrir mão de suas características.

— É importante entender a metodologia europeia, mas estamos perdendo nossas qualidades internas, aquilo que somos, de onde viemos. Isso não é bom — disse.

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Apoio à permanência de Ancelotti, mas cobrança resultados

Apesar das críticas ao ciclo, Paulo defendeu a permanência de Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira Ele afirmou que, inicialmente, não via necessidade de um técnico estrangeiro, mas reconheceu o peso do treinador italiano e disse que o próximo ciclo será decisivo para avaliar seu trabalho.

— A princípio, eu achava que não precisaria de um treinador estrangeiro. Mas, com a vinda do Ancelotti, é um treinador de expressão, importante. Ele também precisa de tempo para entender o que é uma seleção — afirmou.

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Na avaliação de Paulo, comandar um clube é diferente de treinar a Seleção Brasileira, principalmente pela pressão envolvida.

— Esses quatro anos vão determinar se ele é capaz de fazer um belo trabalho na Seleção Brasileira ou não. Treinar clube é completamente diferente de treinar seleção. Trabalhar com o país pentacampeão do mundo é outra pressão — completou.

A permanência, porém, precisa vir acompanhada de respaldo institucional.

— A permanência do treinador tem que existir desde que, lá em cima, os dirigentes também se unam e trabalhem em prol do futebol, juntamente com as categorias de base, dando oportunidade para esse treinador trabalhar tranquilamente — concluiu.

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Bayer Leverkusen amplia relação com o futebol brasileiro

Antes de falar sobre a Seleção Brasileira, Paulo destacou a presença de dirigentes do Bayer Leverkusen no Brasil e a expansão de projetos do clube no país.

Segundo ele, a relação começou a ganhar força há cerca de um ano e meio, em conversas com o presidente Fernando Carro.

O ex-jogador citou a Bayer Academy como uma das frentes de trabalho e afirmou que há conversas para expansão em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Ele também lembrou parcerias em Belford Roxo e com o Colégio Corcovado, no Rio.

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— O Fernando Carro é um cara muito aberto, gosta de estar perto, conhecer e dar oportunidades. Foram 24 jogadores brasileiros que passaram por Leverkusen, entre eles Lúcio, Zé Roberto, Renato Augusto e, atualmente, Arthur — destacou.

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Conteúdo original do Lance!, com uso de IA na transcrição e revisão, sob edição final da equipe

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