Da desconfiança ao protagonismo: a ascensão de Vini Jr na Seleção Brasileira
Em uma linha do tempo, o Lance! mostra como o atacante superou críticas e chegou à Copa como referência do Brasil
A Copa do Mundo de 2026 presenteou Vini Jr com o protagonismo na Seleção Brasileira, e ele tem mostrado que "não foge à luta" diante da responsabilidade. O atacante traz consigo uma evolução em um aspecto apontado como o seu calcanhar de Aquiles nos últimos anos: a finalização. Esses dois pontos, entretanto, foram apenas mais alguns dos desafios com os quais precisou conviver e, assim como em outros momentos da carreira, superar.
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Ao longo do processo de evolução, duas cobranças o acompanharam de forma constante com a camisa do Brasil. A primeira era técnica. Dono de dribles desconcertantes e de uma velocidade capaz de desmontar qualquer defesa, ele ainda era questionado pela ineficiência na finalização, especialmente nos primeiros anos de Real Madrid. A segunda dizia respeito ao protagonismo na Seleção Brasileira, já que, enquanto encantava a Europa, demorou a causar o mesmo impacto vestindo a camisa mais pesada do futebol mundial.
A Copa de 2026, no entanto, parece representar a resposta definitiva às críticas. Aos 25 anos, Vini assumiu a responsabilidade durante a ausência de Neymar, que, antes da partida contra a Escócia, na quarta-feira (24), em Miami, não vestia a camisa do Brasil há dois anos e oito meses. Em sua segunda Copa, o camisa 7 se consolidou como referência ofensiva da Seleção, passou a decidir com atuações destacadas nos três jogos da fase de grupos, com o poder de finalização em dia. Para quem acompanha sua trajetória desde o início, a evolução não é surpresa.
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Campeão mundial pelo Flamengo em 1981 e com passagens pela Seleção Brasileira, Andrade acredita que o atacante finalmente assumiu o protagonismo que o Brasil precisava e esperava. Em entrevista ao Lance!, o ex-jogador, hoje treinador, afirmou que a ascensão de Vini também simboliza a recuperação da confiança da Seleção.
— Ter alguém para assumir essa responsabilidade é muito bom. Estava difícil no início. Foi um começo complicado, mas, como brasileiros, temos que acreditar sempre. Sempre foi assim e sempre deu certo no final. O Vinicius Júnior é um grande exemplo para todos os que estão lá. Além disso, com o Neymar voltando à ativa, seriam dois jogadores que poderiam fazer a diferença nessa seleção.
— Devemos sempre acreditar na Seleção Brasileira. Mesmo nos momentos difíceis pelos quais a equipe passou, é preciso manter a confiança, pois temos grandes jogadores. O time pode não estar em um bom momento agora, mas, de um jogo para o outro, acaba crescendo e fazendo a diferença. O Vinicius Júnior está aí, carregando o time, e quem sabe o restante do grupo não siga pelo mesmo caminho que ele.
As declarações reforçam o momento de afirmação vivido por Vini Jr, que passou a ser visto como uma das principais referências da Seleção. Em campo, o atacante vive talvez o melhor momento da carreira, também consolidado como um dos protagonistas do Real Madrid em conquistas recentes. Mas essa transformação até o topo não aconteceu de forma imediata.
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Muito antes dos aplausos nos grandes estádios da Europa, dos títulos pelo Real Madrid e do reconhecimento como melhor jogador do mundo pela Fifa, em 2024, havia um garoto chamado apenas de "Vinicinho". Antes de se tornar referência no futebol mundial, ele precisou superar desafios, amadurecer dentro e fora de campo e percorrer um caminho que ajuda a explicar o jogador que é hoje.
Para entender o fenômeno Vinicius Jr. e a mudança de postura que hoje chamam a atenção na Amarelinha, o Lance! revisitou os principais capítulos de sua trajetória e conversou com personagens que acompanharam de perto sua evolução. A seguir, confira a linha do tempo dessa caminhada que levou o atacante ao protagonismo no futebol mundial.

Origem de São Gonçalo, ainda como Vinicinho
O ponto de partida de Vini Jr foi em São Gonçalo, município do Rio de Janeiro, onde, ainda criança, conciliava a rotina escolar com os treinos na escolinha do Flamengo, no Mutuá, e no Canto Rio, em Niterói. Desde cedo, já enfrentava uma rotina exigente para a idade, mas sem perder a determinação de seguir no futebol.

A primeira frustração veio aos nove anos, quando foi reprovado no teste para o time de futsal do Flamengo por ser considerado muito novo. Em vez de desistir, persistiu e, no ano seguinte, foi federado no futebol de campo, iniciando, de fato, a sua caminhada no clube.
Na base do Rubro-Negro, o talento chamava atenção pela facilidade nos dribles, pela velocidade e pela personalidade. Não demorou para que treinadores, dirigentes e familiares começassem a enxergar algo raro naquele garoto. Para quem convivia diariamente com ele, a dúvida nunca foi se chegaria ao futebol profissional, mas até onde seria capaz de chegar.
— A gente tinha certeza de que ele seria jogador, por tudo que ele fazia, pela dedicação e pelo talento, porque ele respirava isso 24 horas por dia, mas a gente não tinha noção do nível que ele poderia chegar — afirmou Ulysses, tio de Vinícius, em entrevista à "Fifa".
Mesmo após alcançar o topo do futebol mundial, o atacante não abre mão das origens e mantém viva a ligação com o lugar onde tudo começou. São Gonçalo segue ocupando um espaço especial na trajetória de Vini, que, sempre que pode, retorna à cidade e à escolinha do Flamengo no Mutuá, onde um mural celebra sua caminhada com a frase "Daqui saiu o melhor do mundo".

Se por um lado a escolinha do Flamengo no Mutuá simboliza o início da caminhada de Vini Jr. e a base de sua formação no futebol, por outro a quadra do Colégio Odete São Paio, no Colubandê, representa outro capítulo marcante dessa história. Foi ali que o atacante também desenvolveu parte de sua relação com o jogo, em um ambiente que ultrapassou o esporte e se tornou parte da memória afetiva da cidade.
O espaço já recebeu homenagens ao jogador e reuniu centenas de moradores em celebrações ao longo dos anos. Além disso, foi eternizado em murais do artista Siri do Muro, reforçando a ligação de Vini com São Gonçalo e transformando a quadra em um símbolo vivo de suas origens.
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— Eu me sinto muito lisonjeado por ter sido convidado para fazer este mural. Retratar o Vinícius Júnior é uma grande representatividade e também uma enorme responsabilidade — relatou o artista à reportagem.
Destinado ao topo
Se a infância em São Gonçalo foi marcada por sacrifícios, a passagem pelas categorias de base do Flamengo transformou a esperança em convicção. No clube, Vini deixou de ser apenas uma promessa para se consolidar como uma das maiores revelações do Rubro-Negro, chamando atenção pela capacidade de decidir jogos sozinho e pela habilidade de driblar em velocidade pela esquerda.

Sua irreverência já era evidente ainda nas categorias de base, muito antes da estreia no profissional. Atuações decisivas e lances marcantes, como em um clássico contra o Vasco, em São Januário, ajudaram a construir sua reputação de talento fora do comum. Foi nesse período que o "Vinicinho" começou a se transformar em um nome conhecido e temido no futebol de base brasileiro.
Nas arquibancadas, a confiança no jovem atacante já era tanta que os torcedores até antecipavam seus dribles.
— Vai lambretar! Vai lambretar! — dizia um torcedor.
Toda essa projeção ganhou ainda mais força em 2017, ano que marcou a consolidação de Vini Jr como uma das maiores promessas do futebol mundial. Com a Seleção Brasileira Sub-17, ele foi artilheiro e eleito o melhor jogador do Campeonato Sul-Americano, chamando a atenção internacional e reforçando as expectativas em torno de seu futuro.
No mesmo ano, o reconhecimento se transformou em oportunidades concretas. O atacante assinou seu primeiro contrato profissional com o Flamengo, passou a figurar em listas das maiores promessas do futebol mundial, incluindo a do jornal inglês "The Telegraph", e despertou o interesse dos principais clubes da Europa.
Pouco depois, o Real Madrid venceu a disputa com o Barcelona e acertou sua contratação por 45 milhões de euros (cerca de R$ 164 milhões na cotação da época), em uma negociação histórica para um jogador de apenas 16 anos.
Na época, Vini Jr. era apontado como um possível sucessor de Neymar, graças ao drible, à velocidade e à capacidade de desequilíbrio no um contra um. Ainda assim, precisava evoluir em fundamentos como a finalização e a tomada de decisão.
Foi justamente o aprimoramento desses aspectos, já no Real Madrid, que impulsionou sua transformação em um dos principais jogadores do mundo e no protagonista da Seleção Brasileira.
A trajetória de Vini Jr: da estreia ao protagonismo mundial
Os primeiros passos no profissional
Após encantar nas categorias de base, Vini Jr estreou no profissional do Flamengo em 13 de maio de 2017, contra o Atlético-MG. Cercado de expectativa, o atacante de apenas 16 anos entrou no segundo tempo, mostrou personalidade e tentou suas primeiras jogadas em velocidade, mas a partida serviu mais como uma apresentação ao torcedor do que como uma afirmação.
A adaptação ao futebol profissional exigiu paciência. Em sua primeira temporada, Vini disputou 37 jogos, mas foi titular em apenas cinco, marcando quatro gols e dando uma assistência. O talento que encantava na base seguia evidente, especialmente no drible e na velocidade, mas o impacto imediato esperado por muitos deu lugar a um processo de amadurecimento diante das exigências do mais alto nível, principalmente no quesito finalização.
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Foi justamente nesse período que Maurício Barbieri passou a conviver diariamente com Vini. O treinador acompanhou uma fase importante do amadurecimento do atacante e afirma que, mesmo tão jovem, já era possível perceber que havia algo diferente.
— É um sentimento de satisfação e privilégio por poder ter participado da carreira de um jogador do mais alto nível como ele e ter contribuído de alguma forma. É uma alegria vê-lo brilhar com a camisa da Seleção, não apenas pelo jogador que ele se tornou, mas pelo ser humano especial que ele sempre foi — disse ao Lance!.
Na visão de Barbieri, o talento nunca esteve em discussão. O diferencial era a forma como Vini encarava o próprio desenvolvimento, principalmente da necessidade de ser mais decisivo na finalização da jogada.
— Desde aquela época, ele fornecia indícios de que poderia ser a grande estrela que é hoje, tanto que, mesmo naquele momento, já estava negociado com o Real Madrid. É evidente que, daquele momento até hoje, houve muita dedicação, trabalho e empenho das pessoas que o ajudaram, mas, sobretudo e principalmente, dele para superar os desafios e dificuldades e se tornar o grande jogador que é hoje.

A despedida do Flamengo em 2018
Em 2018, Vini deixou de ser apenas promessa e passou a assumir protagonismo no Flamengo, ganhando sequência como titular e começando a decidir partidas importantes. Um dos jogos mais marcantes foi contra o Emelec, pela Libertadores, quando se destacou com velocidade, dribles e personalidade. Outro momento simbólico veio diante do Botafogo, quando marcou um belo gol e comemorou com o gesto do "chororô", reforçando sua identificação com a torcida rubro-negra.
Sua despedida aconteceu em junho de 2018, no Maracanã, após pouco mais de um ano no profissional, com números de 67 jogos, 14 gols e cinco assistências. Quem viveu esse momento de forma ainda mais próxima foi Felipe Vizeu, cria da base do Flamengo e atualmente no Sporting Cristal, que também se despediu do clube na mesma partida.
O jogador dividiu com Vini Jr não apenas o vestiário, mas também o último capítulo da passagem do atacante pelo Flamengo. Ao Lance!, o centroavante relembrou aquele dia especial.
— Nossa despedida no Maracanã foi juntos, né? Foi no jogo contra o Paraná. Inclusive, eu fiz um gol nessa partida também e dei um passe para ele, deixando-o cara a cara com o goleiro. Foi muito emocionante, porque a gente se abraçou bastante. Tem um vídeo nosso juntos, nos abraçando, de quando fomos acenar para a torcida ali, em despedida.
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— Então, foi muito gratificante participar dessa evolução dele, desse início, sabe? Dessa projeção. É um menino que, desde o começo, a gente sabia que ia ser grande. As pessoas que não conviviam com ele, às vezes, não imaginavam isso; tinham muita dúvida, mas ele tem um brilho que é só dele.
— Quando você chega perto dele, muita gente acha que ele tem um estilo marrento. É normal julgar um atleta assim, mas ele é uma pessoa maravilhosa. É um amigão meu, com quem converso sempre também.

A lembrança de Vizeu ajuda a dimensionar o impacto daquele momento no vestiário rubro-negro. Entre abraços e despedidas, o jogo contra o Paraná marcou o fim de um ciclo para ambos no clube e simbolizou a última página de Vini Jr. antes da ida ao Real Madrid.
Aplaudido de pé, ele deixou o Maracanã como a maior joia revelada na base, abrindo caminho para a transferência ao futebol europeu. Emocionado, não conteve as lágrimas ao se despedir da Nação Rubro-Negra, um adeus que, para muitos, soava mais como um "até logo".
O Flamengo via partir sua maior joia, enquanto o Real Madrid apostava em um talento que ainda precisava amadurecer para alcançar a elite do futebol mundial.
Real Madrid: das dúvidas à adaptação
A chegada de Vini Jr ao Real Madrid marcou a realização de um sonho, mas também o início do período mais desafiador de sua carreira. Aos 18 anos, ele não foi imediatamente integrado ao elenco principal, passando antes pelo Real Madrid Castilla, onde atuou por cinco jogos, marcou quatro gols e rapidamente demonstrou estar acima do nível da equipe.
Promovido ao time principal, o brasileiro iniciou sua adaptação ao futebol europeu em um contexto de forte exigência tática e física. Diferente do Brasil, onde o drible e a velocidade eram suficientes, na Espanha ele passou a enfrentar defesas mais experientes e um sistema mais rígido, o que expôs dificuldades na tomada de decisão e na finalização.
As críticas da imprensa e a pressão por eficiência se intensificaram, especialmente diante de jogadas desperdiçadas e decisões precipitadas no último terço do campo. Um dos episódios mais emblemáticos desse período foi uma conversa entre Benzema e Mendy, durante um jogo de Champions League, em 2020, que viralizou e simbolizou a desconfiança inicial em torno de Vini: "Não passa a bola para ele. Ele está jogando contra nós."
Apesar do cenário adverso, ele foi resiliente e terminou as primeiras temporadas com números modestos, mas evolução constante. Apesar da oscilação, começou a construir a base do que marcaria a sua transformação definitiva no Real Madrid, abrindo caminho para a ascensão que viria nos anos seguintes.
A chegada de Ancelotti e a virada de chave
Com o retorno de Carlo Ancelotti ao Real Madrid em 2021, Vinicius Jr passou por uma virada decisiva na carreira. O treinador italiano simplificou seu jogo, orientando-o a atacar mais os espaços, escolher melhor os momentos de drible e evoluir na finalização, o que acelerou sua transformação de promessa em jogador de elite.

Na temporada 2021/22, ao lado de Benzema, Vini formou uma das duplas mais letais da Europa e atingiu o auge simbólico ao marcar o gol do título na final da Champions League contra o Liverpool. O lance representou a superação das antigas críticas e consolidou sua ascensão definitiva no futebol mundial.
Os títulos vieram em sequência, e o amadurecimento técnico caminhou lado a lado com a confiança. Quem acompanhou de perto esse processo foi Sávio, outra cria do Flamengo que também brilhou com a camisa do Real Madrid e vestiu a Amarelinha.
Em conversa com o Lance!, o ex-jogador afirmou que o protagonismo atual de Vini Jr. é consequência natural da forma como o atacante enfrentou as dificuldades no início da carreira na Europa.
— A princípio, havia muito questionamento e me perguntavam muito sobre o início irregular no clube. Foi muito jovem para o Real Madrid, um clube de muita pressão. Aos poucos foi se adaptando, ganhando experiência, confiança e tendo grandes atuações. Tem muita qualidade técnica.
Agora, o ex-atacante observa o mesmo amadurecimento refletido também na Seleção Brasileira.
— Não é surpresa pelo talento que tem. Mas realmente, nesse início de Copa, as atuações que vêm tendo são de muito destaque. Está muito confiante e jogando solto, assumindo a responsabilidade de destaque na Seleção.
A evolução da finalização e a construção do craque na Seleção
Vini Jr chegou à Copa do Mundo de 2026 em um patamar diferente de qualquer outro momento da carreira, mas não por velocidade, drible ou capacidade de decisão — atributos que sempre fizeram parte do seu jogo desde a base no Flamengo. A principal transformação de sua trajetória aconteceu em um aspecto específico: a finalização, antes apontada como sua maior fragilidade no futebol europeu.
Na Espanha, ele conviveu com forte cobrança por decisões no último terço do campo e foi frequentemente alvo de críticas, memes e análises que questionavam sua capacidade de fazer gols. Em vez de alterar seu estilo de jogo, Vini Jr. manteve suas características e passou a investir diretamente no aprimoramento do fundamento, com foco em definição, posicionamento e tomada de decisão na hora de concluir as jogadas.
O resultado dessa evolução apareceu de forma progressiva nas temporadas seguintes pelo Real Madrid. Após anos de crescimento gradual, com quatro gols em 2018/19, cinco em 2019/20 e seis em 2020/21, o atacante deu um salto em 2021/22, quando marcou 22 gols e iniciou uma nova fase da carreira.
A partir daí, consolidou regularidade em alto nível: 23 gols em 2022/23, 24 em 2023/24 e 22 gols em 2024/25 e 2025/26, mantendo também o aumento no volume de finalizações por jogo, que saiu de médias próximas de uma no início da trajetória para mais de três nas temporadas recentes.
Esse crescimento técnico transformou seu perfil. Vini Jr passou a ser um atacante mais completo, combinando criação e finalização sem perder sua principal arma, o drible no um contra um. A evolução na conclusão das jogadas o colocou em outro patamar dentro do Real Madrid e reforçou sua importância como peça decisiva.
📈 Evolução de poder de finalização e gols de Vini Jr no Real Madrid
🗓️ 2018/19
Gols: 4
Finalizações/jogo: 2.9 (1 no gol)
🗓️ 2019/20
Gols: 5
Finalizações/jogo: 1.3 (0.6 no gol)
🗓️ 2020/21
Gols: 6
Finalizações/jogo: 1.2 (0.4 no gol)
🗓️ 2021/22 (virada de chave)
Gols: 22
Finalizações/jogo: 2.2 (1.1 no gol)
🗓️️ 2022/23
Gols: 23
Finalizações/jogo: 2.6 (1.3 no gol)
🗓️ 2023/24
Gols: 24
Finalizações/jogo: 3.2 (1.5 no gol)
🗓️ 2024/25
Gols: 22
Finalizações/jogo: 3.0 (1.2 no gol)
🗓️ 2025/26
Gols: 22
Finalizações/jogo: 3.2 (1.3 no gol)
Da promessa em 2022 ao protagonista em 2026: o líder que a Seleção esperava
Quando disputou sua primeira Copa do Mundo, no Catar, em 2022, ainda vivia um momento de transição. Chegou ao torneio como um dos principais nomes do Real Madrid, embalado pelo título da Champions League conquistado meses antes com gol decisivo na final diante do Liverpool.
Naquele Mundial, teve atuação consistente: em quatro jogos, marcou um gol, deu duas assistências e participou diretamente dos dois gols de Richarlison na estreia, além de somar nove finalizações (quatro no alvo), oito passes decisivos, cinco dribles certos, uma grande chance criada, 42% de eficiência nos duelos, média de 3,8 disputas vencidas por jogo e 1,8 faltas sofridas por partida.
Apesar da boa impressão individual, a eliminação para a Croácia nas quartas de final interrompeu o início de sua consolidação como protagonista da Seleção. Ainda naquele momento, sua finalização não tinha o mesmo peso que viria a ganhar nos anos seguintes.
Números de Vini Jr. na Copa do Mundo de 2022
- 4 jogos (4 como titular)
- 1 gol
- 2 assistências
- 101 minutos para participar de um gol
- 9 finalizações (4 no alvo)
- 8 passes decisivos
- 5 dribles certos
- 1 grande chance criada
- 42% de eficiência nos duelos
- 3,8 duelos ganhos por jogo
- 1,8 faltas sofridas por partida
Entre o Catar e a Copa de 2026, a mudança ficou evidente principalmente nesse aspecto. A evolução da finalização se tornou o ponto central de sua transformação, sustentada por repetição, ajuste técnico e amadurecimento competitivo no futebol europeu.
No Real Madrid, Vini Jr atingiu o auge técnico da carreira, tornou-se referência ofensiva, acumulou títulos e foi eleito o The Best da Fifa, mesmo sem conquistar a Bola de Ouro de 2024. A frustração não reduziu sua relevância. Pelo contrário, reforçou sua consistência entre os principais jogadores do mundo.
Na Seleção Brasileira, essa evolução se refletiu diretamente no protagonismo. Em 2026, Vini Jr. chega mais maduro, mais eficiente na finalização e mais preparado para assumir responsabilidades ofensivas. Sob o comando de Ancelotti, seu ex-treinador no clube e agora na Seleção, ele consolida um ciclo de crescimento que tem como eixo central a transformação de um jogador extremamente talentoso em um atacante decisivo.
Esse amadurecimento, no entanto, não se limita ao campo. Ele também ajuda a consolidar Vini Jr. como uma estrela mundial em todos os aspectos da carreira.
A consolidação de Vini Jr. como estrela mundial
Reconhecimento internacional e ascensão global
Vini passou a figurar entre os melhores jogadores do mundo, conquistando prêmios individuais como o The Best da Fifa e mantendo-se em evidência mesmo após a frustração da Bola de Ouro de 2024. Ainda assim, sua evolução não se limitou ao desempenho dentro de campo. Paralelamente ao crescimento técnico e à consolidação como estrela global, em resposta aos críticos que duvidavam de seu poder de finalização, ele também passou a enfrentar uma batalha fora das quatro linhas, que ampliou sua relevância e transformou sua carreira em algo muito além do futebol.
A luta contra o racismo que marcou sua carreira
Enquanto evoluía dentro de campo, Vini Jr. passou a enfrentar uma luta ainda mais dura fora dele: o racismo. Os ataques se repetiram em diferentes estádios da Espanha, começando com insultos e cânticos discriminatórios, até chegarem a episódios mais graves, como a exposição de um boneco com sua imagem em Madrid e as agressões em Valência, que tiveram grande repercussão internacional.
Diante disso, ele escolheu não se calar. Vinicius passou a denunciar publicamente cada caso, cobrar punições e pressionar autoridades, transformando uma dor pessoal em uma causa coletiva. Inclusive, deu um testemunho afirmando que temeu pela sua vida e da sua família.
O posicionamento extrapolou as quatro linhas e, ao se firmar como uma das principais vozes do esporte mundial no combate ao racismo, levou o futebol a ampliar o debate sobre o tema.
Todo esse percurso, marcado pela evolução dentro de campo e pela postura fora dele, ajuda a contextualizar o momento em que Vini Jr. se consolida como uma das principais referências da Seleção Brasileira.
➡️Protagonista no Real e na Seleção, Vini Jr. vai além do futebol como líder antirracista

Vini Jr, a imagem viva da Seleção Brasileira
Com o passar dos anos, Vini Jr. evoluiu técnica e mentalmente, tornando-se um atacante mais completo e decisivo com a camisa da Seleção Brasileira. Esse crescimento dentro de campo veio acompanhado de uma postura cada vez mais madura fora dele, ampliando sua influência para além do futebol e fortalecendo sua atuação na luta contra o racismo, que passou a fazer parte central de sua trajetória.
O protagonismo de Vini na Seleção Brasileira foi construído ao longo de quase duas décadas, da infância em São Gonçalo até a consolidação no cenário internacional. Entre a formação na base e a promoção aos profissionais do Flamengo, a ida precoce para o Real Madrid e as críticas iniciais pela adaptação no futebol europeu e pela finalização ainda em desenvolvimento, ele conviveu com desconfianças sobre a capacidade de repetir na Amarelinha o nível apresentado no clube. Ainda assim, até aqui, respondeu em campo com dribles, gols, assistências e recordes, transformando expectativa em status de liderança no time do Brasil.
Vini Jr evolui finalização na Copa do Mundo 2026
- 3 jogos (3 titular)
- 4 gols
- 1 assistência
- 1.7 passes decisivos por jogo
- 4.0 finalizações por jogo (2.7 no gol)
- 33% de eficiência nos dribles
- 60% de conversão em grandes chances (3/5)
Ao longo desse percurso, a evolução técnica e mental se tornou evidente. Mais maduro, mais decisivo e mais participativo nas diferentes fases do jogo, Vini Jr consolidou sua presença como referência da Seleção Brasileira nesta geração, com poder de finalização letal na fase de grupos.
Ao mesmo tempo, ampliou sua relevância fora de campo, transformando visibilidade em voz ativa e reforçando um papel que ultrapassa as quatro linhas. Hoje, o atacante simboliza não apenas talento, mas também liderança, e chega ao auge de sua trajetória como o protagonista que a Seleção esperava.
Que Vini Jr siga bailando até a sonhada final na Copa do Mundo.

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