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10 ou ponta: Gabriel Mec enfrenta dilema que impacta a Seleção

Na busca por meias, Brasil vê surgir mais uma joia com função indefinida

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
02/08/2026 06:00
Gabriel Mec conduz o Grêmio ao ataque em jogo da Copa Sul-Americana
Gabriel Mec conduz o Grêmio ao ataque em jogo da Copa Sul-Americana (Foto: Richard Ducker / DiaEsportivo / Folhapress)

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Aos 18 anos, Gabriel Mec já é titular com regularidade no Grêmio. O jogador foi promovido ao time profissional como um camisa 10, posição carente do futebol brasileiro e por tanto tempo ocupada por Neymar Jr na Seleção. No entanto, também atua nos lados do campo e é mais um talento que encara o dilema sobre qual função seguir na carreira.

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Ao longo dos últimos anos, muitos atletas ofensivos migraram da zona central para o lado de campo, um setor que potencializa o 1x1 e representa o típico perfil buscado por times europeus no Brasil: pontas habilidosos, rápidos e disciplinados taticamente. Um exemplo é Estêvão, que era incentivado a jogar centralizado na base do Palmeiras, mas acabou caindo para a direita na equipe principal, papel que também exerce frequentemente no Chelsea.

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O resultado é uma carência no país que um dia teve Pelé, Zico, Rivaldo e, mais recentemente, Neymar — neste caso, um jogador que, já experiente, fez o caminho contrário e tornou-se camisa 10 para influenciar mais no andamento das partidas. A recém-finalizada Copa do Mundo, inclusive, evidenciou as dificuldades de Carlo Ancelotti em encontrar peças que pudessem exercer essa ponte entre o meio-campo e o ataque.

Gabriel Mec pode ser uma exceção. Nos sete jogos em que foi titular nesta edição do Brasileirão, começou centralizado em quatro partidas e aberto nas demais. Por mais que não seja um autêntico organizador, o jovem tem capacidade técnica para impactar o jogo na zona mais povoada, além de ótima chegada à área. Por isso, era escalado como camisa 10 também na base do Grêmio, na qual teve Fabiano Daixt como treinador entre 2024 e 2025.

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— Eu sempre acreditei que o Mec era mais meia do que extremo. Ele fez jogos comigo como meia, como "falso 9", que não deixa de ser um meia, e como extremo. Com a qualidade técnica, velocidade e drible que tem, acho mais fácil achar espaços jogando no meio. A função de extremo também exige muito da parte física, o comprometimento defensivo. Jogando no meio, ele fica mais próximo ao gol e mais livre dessa responsabilidade. Para mim, repito, é mais meia do que extremo. Mas pode jogar aberto dos dois lados e, quando joga por ali, também é comprometido na defesa — contou ao Lance!.

Pela Seleção Brasileira sub-17, com a qual chegou à semifinal do Mundial em 2025, o gremista fez também jogos como meia-atacante e outros na ponta, especialmente quando a equipe era escalada com dois atacantes por Dudu Patetuci. No Tricolor Gaúcho, o português Luís Castro aproveita a versatilidade da joia, que ora é titular, ora entra no decorrer dos confrontos.

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Gabriel Mec não é aquele articulador que dita o ritmo do jogo, mas consegue usar seus dribles e velocidade para quebrar a defesa adversária em arrancadas pelo meio-campo, como nos exemplos abaixo:

Gabriel Mec arranca contra defensores do Palmeiras
Gabriel Mec arranca contra defensores do Palmeiras (Foto: Reprodução)
Gabriel Mec arranca contra defensores do Internacional
Gabriel Mec arranca contra defensores do Internacional (Foto: Reprodução)

O movimento que Mec pode contrariar

Para o ex-treinador de base do Grêmio, hoje comandante do Gaúcho, a escassez de camisas 10 se dá por uma cultura de colocar os jogadores mais talentosos nos lados do campo, que popularizou esquemas sem essa função nos últimos anos. Assim, ao longo da década passada, vimos os times mais vitoriosos do planeta escalados com trios de meio-campo, como o Real Madrid de Casemiro, Modric e Kroos ou o Barcelona de Busquets, Xavi e Iniesta. No entanto, a Copa do Mundo mostrou uma nova tendência — os quatro semifinalistas atuavam com um 10: Espanha (Dani Olmo), Argentina (Lionel Messi), Inglaterra (Jude Bellingham) e França (Michael Olise).

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Contudo, o profissional acredita que a carência também é fruto de uma crise na formação de talentos no Brasil de forma geral, motivada pelo menor tempo que as crianças passam jogando futebol.

— A cada ano que passa, temos menos crianças jogando bola. Você não vê mais tanto aquele futebol de rua, aquela brincadeira com o chinelo. Hoje em dia, as escolinhas são pagas, três horas por semana. Antigamente, jogava-se futebol o dia inteiro. Também se jogava com amigos mais velhos, mais fortes, o que motivava o uso da habilidade, do improviso. Hoje, o número de "horas de futebol" diminuiu. Para mim, esse é o grande motivo para a gente estar se enfraquecendo — opinou Fabiano.

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Gabriel Mec, acostumado às expectativas

Evidentemente, é muito cedo para colocar no atleta de 18 anos uma responsabilidade de futuro camisa 10 da Seleção Brasileira, mas Gabriel Mec surge como um nome para Carlo Ancelotti observar durante o próximo ciclo. As expectativas, porém, não são novidade para o garoto, já avaliado em 16 milhões de euros (R$ 93 milhões, na cotação atual) pelo "Transfermarkt" e com multa fixada em € 50 milhões (R$ 293 milhões) para clubes estrangeiros.

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Gabriel Mec veste máscara de homem-aranha em comemoração de gol do Grêmio contra o Corinthians
Gabriel Mec veste máscara de homem-aranha em comemoração de gol do Grêmio contra o Corinthians (Foto: Maxi Franzoi / AGIF / Folhapress)

O jogador ingressou na escolinha do Grêmio aos nove anos, após se destacar em torneio no Rio de Janeiro, seu estado natal. No Imortal, teve trajetória precoce: aos 15 anos, já foi promovido ao time sub-17 e, aos 16, para o sub-20, quando também fez sua estreia na equipe principal. Em 2025, foi considerado uma das dez maiores promessas internacionais pelo jornal espanhol "Marca" e um dos 60 nomes mais promissores do planeta pelo periódico inglês "The Guardian".

Ligado à empresa da família de Neymar, a NR Sports, o meia-atacante já despertava interesse do gigante inglês Chelsea antes mesmo de subir ao futebol profissional. Mais recentemente, virou alvo do ucraniano Shakhtar Donetsk.

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— Eu fiquei muito contente de trabalhar com o Mec, porque é um jogador que cumpria o que era pedido. Um guri extremamente dedicado, que sabe sua qualidade, mas também que precisa trabalhar e evoluir. Tem um potencial muito grande e pode, sim, chegar à Seleção. É um jogador humilde, apesar de todo esse contexto de fama, de ser "a promessa". Para mim, é um baita exemplo e acredito muito nele — acrescentou Fabiano Daixt.

Confira abaixo números e mapa de calor de Gabriel Mec em 2026:

  1. 31 jogos (14 como titular)
  2. 3 gols
  3. 2 assistências
  4. 288 mins p/ participar de gol
  5. 1,6 dribles certos por jogo (57% de acerto)
  6. 0,6 passe decisivo por jogo (18 no total)
Mapa de calor de Gabriel Mec na temporada

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Próximo compromisso do Grêmio

Eliminado da Copa Sul-Americana e em momento delicado no Brasileirão, o Grêmio de Gabriel Mec tenta dar resposta na Copa do Brasil. O Tricolor enfrenta o Mirassol pelo jogo de ida das oitavas de final neste domingo (2), às 18h (de Brasília), no Maião, na cidade paulista. A volta será já na quarta-feira (5), às 19h30 (de Brasília), em Porto Alegre.

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