CBF envia ofício à Fifa reclamando de gol anulado de Vini Jr
Entidade cita diferença de critério entre jogos e questiona escolha de árbitro

MORRISTOWN, NJ (EUA) - A CBF enviou um ofício à Fifa nesta quinta-feira (25) reclamando da anulação daquele que seria o segundo gol de Vini Jr no duelo do Brasil com a Escócia, realizado na quarta-feira (24), em Miami, nos Estados Unidos. No lance, o árbitro mexicano César Ramos invalida o gol após revisão sugerida pelo VAR por suposta falta do atacante brasileiro em disputa de bola na entrada da área.
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A carta, ao qual o Lance! teve acesso, é assinada pelo presidente da CBF, Samir Xaud, e endereçada ao da Fifa, Gianni Infantino. Com 11 parágrafos, o ofício tem tom cordial, mas questiona posturas diferentes dos árbitros de vídeo em outros jogos da Copa do Mundo, bem como a escolha de César Ramos para apitar o jogo do Brasil no Mundial, já que o mexicano tivera a atuação contestada na estreia da Seleção na Copa do Mundo da Rússia, em 2018.
"Um aspecto que chamou particularmente nossa atenção durante este torneio (Copa do Mundo de 2026) foi a abordagem adotada pelo Árbitro Assistente de Vídeo (VAR). Ao longo da competição, parece ter havido uma ênfase clara em respeitar a interpretação do árbitro em campo e limitar a intervenção a situações que envolvessem erros claros e evidentes. Acreditamos que essa filosofia beneficia o futebol, preserva a autoridade do árbitro e contribui positivamente para o andamento da partida", diz trecho da carta.
Na sequência, a CBF enumera lances em que não houve a intervenção do VAR, mesmo que a ação no campo sugerisse essa possibilidade. Xaud não cita os jogadores, mas uma referência é clara ao lance em que Lautaro Martínez acerta um jogador da Áustria no início da jogada que resultou no primeiro gol da Argentina naquela partida, válida pela segunda rodada.
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"Vários incidentes durante o torneio parecem consistentes com essa abordagem, incluindo uma possível falta na fase de ataque antes do primeiro gol da Argentina contra a Áustria, uma possível situação de pênalti envolvendo a Inglaterra e Gana aos 78 minutos e outra envolvendo o Senegal e a França aos 58 minutos. Em cada caso, as decisões em campo foram respeitadas, reforçando a percepção de um limiar de intervenção do VAR mais moderado", diz o texto.
É a partir daí que a CBF protesta contra a anulação do gol de Vini Jr.
"O gol brasileiro anulado contra a Escócia aos 21 minutos não parece estar alinhado com a filosofia adotada ao longo da competição. Notavelmente, a decisão pareceu inesperada não apenas para a Seleção Brasileira, mas também para os jogadores escoceses, cujas reações imediatas sugeriram que eles não haviam previsto uma revisão ou a subsequente anulação do gol. Respeitamos plenamente o processo de tomada de decisão e não temos intenção de debater a interpretação técnica desse incidente específico. Nossa preocupação não é a decisão em si, mas sim a importância de garantir que o mesmo padrão seja aplicado de forma consistente em todas as partidas e para todas as nações participantes".

Além do gol anulado, CBF questiona escolha do árbitro para o jogo
No mesmo ofício, a CBF questiona a escolha de César Ramos para apitar o jogo com os escoceses.
"O árbitro mexicano designado para a partida entre Brasil e Escócia é, sem dúvida, um profissional experiente e qualificado. No entanto, ele também foi o árbitro da partida do Brasil contra a Suíça na Copa do Mundo da Fifa de 2018, quando o gol de empate da Suíça foi validado apesar de uma falta cometida contra o zagueiro brasileiro imediatamente antes do gol. Naquela ocasião, o VAR confirmou o gol, e o incidente gerou considerável polêmica e preocupação no futebol brasileiro. Portanto, é compreensível que surjam questionamentos quando o mesmo árbitro está novamente envolvido em uma decisão importante que afeta o Brasil em uma Copa do Mundo da Fifa", sustenta Samir Xaud.
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