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Messi x Cristiano Ronaldo: interminável rivalidade abrilhanta mais uma Copa do Mundo

Um dia após argentino balançar as redes duas vezes, português repete o feito

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
23/06/2026 19:42
Cristiano Ronaldo e Messi
Cristiano Ronaldo e Messi se olham durante cerimônia de premiação (Foto: Ben Stansall / AFP)

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A Copa do Mundo repetiu o previsível, mas sempre fascinante roteiro. Em um dia, Messi faz dois gols e bate recorde. No outro, é Cristiano Ronaldo quem marca duas vezes e alcança marca histórica. Um torneio que parecia despedida simbólica dos dois craques mostra que, mesmo no último capítulo, a rivalidade Messi x CR7 ainda é a grande história do futebol.

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O Mundial começou com o argentino protagonista aos 39 anos: foram três gols contra a Argélia e mais dois diante da Áustria, tornando-se o maior artilheiro da história da competição. Já o português teve atuação bem apagada no primeiro jogo, contra a República Democrática do Congo. Mas ninguém gosta tanto de calar críticos: aos 41 anos, CR7 marcou dois na goleada sobre o Uzbequistão e passou a ser o único a balançar as redes em seis edições diferentes.

Após semana marcada por especulações de vestiário insatisfeito e críticas de torcedores e da imprensa, o português fez o Estádio de Houston inteiro gritar "SÍÍÍ!" em uníssono. Temporariamente afastado dos holofotes da Copa do Mundo de 2026, voltados para Messi, Mbappé e outros craques, Cristiano Ronaldo fez questão de desafiar a lógica de quem já o descartava.

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Cristiano Ronaldo faz tradicional comemoração em frente à torcida portuguesa
Cristiano Ronaldo faz tradicional comemoração em frente à torcida portuguesa após marcar contra o Uzbequistão (Foto: Paul Ellis / AFP)

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Jogar por Messi, jogar para Cristiano Ronaldo

O começo de Copa do Mundo brilhante de Messi contrastou com o início apagado de Cristiano Ronaldo e levantou o debate: os portugueses não jogam em prol de seu craque como os argentinos?

O questionamento ganhou força entre fãs de CR7 após declarações controversas dos jovens João Neves e Francisco Conceição. O meio-campista do PSG afirmou que o capitão era "mais um no grupo", enquanto o atacante da Juventus disse que "não era obrigado a passar para Cristiano". Nenhum dos dois quis menosprezar o ídolo português, mas reforçar a força da seleção como conjunto. No entanto, ambos foram duramente criticados nas redes sociais, não só por fãs, mas até pela irmã do veterano, Elma Aveiro.

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— Todos sabemos o que Cristiano Ronaldo fez por nós, pela seleção portuguesa e pelo mundo do futebol, mas, neste momento, ele sabe, assim como nós, que não é diferente dos outros. É mais um jogador da equipe que ajuda o grupo, exatamente como todos os outros jogadores fazem. Ele está aqui para contribuir e apoiar a seleção, assim como todos os demais — falou João Neves.

Do outro lado, viralizam imagens de uma Argentina que espera o aval de Messi até para se movimentar no túnel do vestiário. Desde o ciclo para a Copa anterior, o elenco argentino não esconde que joga em função de seu ídolo. O plano de jogo é muito claro: disputar cada lance, controlar a posse e, claro, fazer a bola chegar a quem melhor trata a redonda no planeta.

Mas talvez a aparente diferença de tratamento também passe pelas características de cada um dos craques. De fato, Messi sempre foi menos dependente dos companheiros para criar os seus gols, como exemplifica o primeiro de seus tentos nesta edição do Mundial. Ou seja, sim, faz todo sentido um plano de jogo que se baseie em fazer Leo receber a bola onde deseja.

Cristiano Ronaldo participa do jogo mais próximo à grande área, sem a mesma capacidade de construção. Então, como o técnico da seleção portuguesa, Roberto Martínez, bem definiu, CR7 é a peça final do modelo de jogo de Portugal. Assim aconteceu no duelo com Uzbequistão, quando o veterano mostrou a espetacular capacidade de posicionamento e finalização.

— Ele é um jogador que tem essa movimentação para criar espaço e o toque final. É como se fosse a peça final dentro do modelo de jogo que temos em Portugal — disse o técnico.

Voto de confiança em CR7

A transição do primeiro para o segundo jogo da seleção portuguesa mostrou um claro voto de confiança no artilheiro. Na Copa do Mundo de 2022, o ídolo do Real Madrid perdeu a titularidade no mata-mata. Em 2026, a primeira exibição apagada abriu debate se o mesmo aconteceria. Mas o treinador espanhol não só bancou o seu capitão, como promoveu mudanças táticas em seu benefício. Contra a equipe congolesa, Portugal foi mais lento, controlador, e CR7 ficou isolado entre os três zagueiros rivais. Já diante dos uzbeques, o técnico abriu Pedro Neto e João Félix, deixou o time mais leve e voltado a criar para o camisa 7.

Cristiano Ronaldo conversa com Bruno Fernandes e João Félix
Cristiano Ronaldo conversa com Bruno Fernandes e João Félix antes de bola rolar para Portugal x Uzbequistão (Foto: Roberto Schemidt / AFP)

A idade avançada de seus craques requer mais adaptações de Portugal do que da Argentina. Nenhum dos dois contribuirá tanto defensivamente, claro. Mas o argentino depende menos da parte física: seu diferencial é a velocidade de raciocínio e capacidade de, mesmo sem correr, achar espaços livres no campo. Apesar do vigor impressionante aos 41 anos, Cristiano Ronaldo precisa brigar com os zagueiros o jogo todo e dar mais piques para se desvencilhar da marcação. Com isso, cenários como o da estreia portuguesa não o favorecem.

Tudo isso pode ajudar a explicar a facilidade dos argentinos em jogarem "por Messi", em contraste a um elenco luso que prefere ressaltar CR7 como "mais uma peça". O português pode fazer a diferença, claro. Mas o argentino é a diferença entre os atuais campeões e qualquer outra seleção, entre o comum e o extraordinário nos ataques da Albiceleste.

Messi x CR7 na Copa do Mundo de 2026:

  1. Gols: Messi 5 x 2 Cristiano Ronaldo
  2. Minutos para participar de gols: Messi 34 x 90 Cristiano Ronaldo
  3. Grandes chances criadas: Messi 2 x 0 Cristiano Ronaldo
  4. Passes decisivos: Messi 2 x 0 Cristiano Ronaldo
  5. Dribles certos por jogo: Messi 1,5 x 0 Cristiano Ronaldo
  6. Duelos ganhos por jogo: Messi 6 x 2,5 Cristiano Ronaldo
  7. Faltas sofridas por jogo: Messi 2,5 x 0,5 Cristiano Ronaldo
  8. Ações com a bola por jogo: Messi 64 x 29,5 Cristiano Ronaldo
Lionel Messi comemora após marcar gol contra a Áustria
Lionel Messi comemora após marcar contra a Áustria (Foto: Paul Ellis / AFP)

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Duas formas de liderar

A construção da rivalidade entre Messi e Cristiano Ronaldo passa pelas personalidades absolutamente diferentes. De um lado, timidez e humildade. Do outro, paixão pelos holofotes. Por muitos anos, a apatia do argentino diante de recorrentes frustrações com sua seleção foi questionada em seu país. Enquanto isso, a liderança do português era elogiada e tratada como fundamental até quando não estava em campo, como na final da Eurocopa vencida por Portugal em 2016.

O ótimo trabalho de Lionel Scaloni e um elenco que tinha Messi como ídolo ajudaram a despertar uma versão mais ativa de Leo desde a Copa do Mundo de 2022. Ainda assim, em entrevistas, sempre manteve a humildade. Como nesta semana, quando fez pouco caso do recorde individual de maior artilheiro de Copas.

Cristiano Ronaldo, por sua vez, nunca escondeu a obsessão por recordes. E foi assim que se tornou um dos jogadores mais vitoriosos e goleadores da história, com capacidade física impressionante aos 41 anos. E a postura, claro, também se reflete em exigência por dedicação dos companheiros.

As mesmas características que fizeram CR7 ser considerado um líder melhor do que Messi durante anos, hoje são apontadas para justificar a maior comoção do elenco argentino por seu craque. O que para alguns é ego, para outros é exemplo. Quando para alguns sobra humildade, para outros falta carisma. No fim, há quem se identifique mais com um ou com outro. E lá se vão 20 anos do mesmo debate. Em um dia, o genial Messi brilha. No outro, o incansável Cristiano Ronaldo decide.

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