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Fifa anuncia desistência de plano de Infantino para vender parte da Copa

Entidade divulgou comunicado oficializando a desistência

PorAbner ReyRio de Janeiro (RJ)
31/07/2026 21:00
Fala de Gianni Infantino repercute fortemente após triunfo de Argentina sobre Cabo Verde (Foto: Patrick T. Fallon/AFP)
Gianni Infantino, presidente da Fifa (Foto: Patrick T. Fallon/AFP)

A Fifa anunciou oficialmente a desistência do polêmico projeto de vender parte dos direitos comerciais da entidade e da Copa do Mundo para investidores privados. O próprio presidente da entidade, Gianni Infantino, admitiu a desistência em entrevista à Sky News. A decisão ocorre após uma onda de repercussão negativa e a forte oposição das principais confederações. Em comunicado, a Fifa admitiu que o projeto criou divisões que impedem o cumprimento do objetivo original de união e fortalecimento do esporte.

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Entneda qual era o objetivo do o plano da Fifa

Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento da Copa do Mundo de 2026
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento da Copa do Mundo de 2026 (Divulgação/Fifa)

A proposta central girava em torno da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária comercial com controle majoritário da Fifa, mas que permitiria a venda de 20% de suas ações para o setor privado. Essa empresa passaria a ser a responsável por realizar as operações comerciais e gerir os ativos dos torneios da entidade, como a Copa do Mundo e o novo Mundial de Clubes.

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Como principal atrativo para convencer as federações nacionais, a Fifa projetava um salto drástico nos repasses financeiros: o valor anual subiria dos atuais US$ 8 milhões para US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 102 milhões) no ciclo 2027-2030. Na prática, a iniciativa "privatizaria" os principais torneios.

Fifa entrou em "guerra" com a Uefa e ideia sofreu rejeição global

A Uefa foi a primeira e mais contundente voz contra a iniciativa, liderando uma oposição que chegou a confirmar um boicote total às competições da Fifa caso o plano avançasse. A entidade europeia alegou que a medida colocaria o lucro acima da essência esportiva, cogitando inclusive a criação de uma Copa do Mundo própria em resposta à batalha política.

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Essa resistência foi acompanhada pela Concacaf (Américas do Norte e Central), que rejeitou o plano por unanimidade citando falta de transparência e prazos curtos impostos pela Fifa. A AFC (Ásia) também se posicionou de forma contrária, considerando que o projeto dificilmente alcançaria a unidade necessária para prosperar. Figuras históricas, como o ex-presidente Joseph Blatter, uniram-se aos críticos, afirmando que o dinheiro jamais deve se tornar o único objetivo da entidade.

Conmebol foi a última a se manifestar

Diferente da rejeição imediata de europeus e norte-americanos, a Conmebol adotou uma postura diplomática e foi a última das confederações a se pronunciar sobre o tema. Em nota oficial publicada poucas horas antes do cancelamento do projeto, a entidade sul-americana evitou apoiar ou condenar a iniciativa, mantendo-se em uma posição de observação.

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Sob o lema de que "o futebol vem sempre em primeiro lugar", a confederação afirmou que as decisões de caráter comercial jamais devem se sobrepor à essência do esporte. A Conmebol solicitou esclarecimentos adicionais à Fifa sobre governança, estrutura e impactos do projeto FFE, convocando uma reunião extraordinária de seu conselho para avaliar o rigor da matéria — processo que agora perde o objeto com o recuo de Infantino.

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Próximos passos

Com o engavetamento da proposta, Gianni Infantino afirmou que sua intenção agora é "reunir novamente todas as partes interessadas em um espírito de interesse comum pelo esporte". O objetivo declarado é continuar promovendo o crescimento do futebol mundial, especialmente nos países que mais precisam de apoio, mas por meio de caminhos que não gerem a fragmentação vista nesta semana.

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