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Lúcio de Castro: os vendilhões do templo e a final da Copa

Entre o último tango de Messi e o intervalo comercial da FIFA, a dolorosa certeza de que o futebol brasileiro virou coadjuvante

PorLúcio de Castro
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
17/07/2026 07:00

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Gianni Infantino segurando a taça da Copa do Mundo de frente para Donald Trump, que usa um boné vermelho, e bandeiras dos Estados Unidos ao fundo
Gianni Infantino e Donald Trump em momento de descontração (Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

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É um crime com data, hora marcada e autor conhecido.

Mas nada será feito para que o criminoso seja detido.

Vai ter um gênio da bola em campo.

Daquele tipo cuja aparição na terra muda a história.

Espantando o mundo aos 39 anos.

Vai ter Rodri, toda tecnologia já inventada reunida num cérebro só desfilando de vermelho.

Mas a FIFA achou por bem que um espetáculo dessa magnitude e excelência precisa de uma força de Justin Bieber e do Burna Boy, seja lá o que isso quer dizer.

Como dito, é um crime.

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O intervalo da discórdia na grande final

Argentina e Espanha farão no domingo uma final daquelas de parar o mundo e prender respirações. O último tango de Messi.

Mas a FIFA achou por bem ampliar o intervalo dos tradicionais 15 minutos para surreais 30, comportando assim seu show de caça-níquel.

É um crime de lesa-futebol.

A gente sabe o motivo.

A mercantilização do espetáculo por Infantino

O último ato de Gianni Infantino nessa Copa que misturou na mesma intensidade as mesmas distintas sensações: dentro do campo, tudo aquilo que só o futebol pode entregar. Uma overdose de beleza e emoção que nenhuma big tech pode entregar.

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O estado permanente de genuflexão a Donald Trump desde antes do mundial terá seu último ato no domingo num grotesco intervalo prolongado.

Não bastou fazer muita força para estragar tudo aceitando a interferência do anfitrião até em cartão vermelho. Infantino quer mais.

Já tinha feito na final do Mundial de Clubes, quando o intervalo foi até inacreditáveis 22 minutos.

Donald Trump e Gianni Infantino
Gianni Infantino tem cumprido agenda frequente com Donald Trump (Foto: Divulgação/fifa)

O futebol se basta por si só

Parece ironia ter que explicar algo sobre futebol ao mandatário.

O futebol se basta por ele mesmo. A própria Copa do Mundo nos prova isso todos os dias.

A ideia de domesticar a magia do jogo em uma festa cafona de quermesse internacional é a cara desta FIFA. A mercantilização de cada suspiro acima de qualquer questão.

Sem nenhum estudo técnico que demonstre não haver prejuízo técnico ao jogo.

Meia hora interrompendo toda adrenalina do mundo.

É um crime com data, hora marcada e autor conhecido.

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Cada dia mais longe...

A final de domingo tem outro enfoque desagradável, difícil de engolir...

A estranha sensação de que estar num palco de final de Copa do Mundo ficou cada dia mais longe para o país que já foi tão íntimo desse dia.

Pior: a sensação de que o que aconteceu nesse mundial para o Brasil já tem alguns anos, tão distante que é do que estamos vendo, por exemplo, os finalistas fazendo em campo.

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Mas... calma, nem tudo está perdido.

Ao menos é o que a CBF garante.

Num vídeo que parece mais pegadinha de tão patético.

Como se aquilo ali pudesse maquiar tanto desmando, tanta lama.

Ainda dá tempo de soltar uma nota e dizer que a entidade foi hackeada.

Que alguém muito perverso fez aquele vídeo e soltou em nome da entidade.

Tem uma sensação pior, que é aquela com a qual me encontro de uns dias para cá vendo essa Copa: a pior coisa que pode acontecer: viramos irrelevantes num cenário de disputa mundial.

Respiro para encarar esse tema. Voltaremos a ele.

Lúcio de Castro: leia mais colunas

Lúcio de Castro escreve sua coluna no Lance! todas as sextas-feiras. Veja outras colunas:

➡️ Nos meus pesadelos, Neymar ainda ri aos 45 do 2º tempo
➡️ Quando Brasil e Argentina inventaram a beleza do futebol
➡️ Uma revolução chamada Pep Guardiola
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