De Buenos Aires à Espanha, torcida argentina celebra remontada e final da Copa do Mundo

O Lance! colheu depoimentos de torcedores que vivenciaram as celebrações desde Buenos Aires até a Espanha, e o sentimento é que ganhar da Inglaterra era uma obrigação

PorVinícius Espirito Santo SpadaSão Paulo (SP)
16/07/2026 16:53

Supervisionado porAndré Carbone,
Celebração do povo argentino, após a vitória contra a Inglaterra, no Obelisco, em Buenos Aires.
Celebração do povo argentino, após a vitória contra a Inglaterra, no Obelisco, em Buenos Aires - (Crédito: Luis ROBAYO / AFP).

O duelo da semifinal entre Inglaterra e Argentina, disputado na última quarta-feira (15), envolvia muito mais do que uma partida de futebol. O duelo, para os argentinos, além de ser a chance de chegar à segunda final seguida e ser o último Mundial de Lionel Messi, relembrava ao povo argentino a guerra travada contra os ingleses por conta das Malvinas. Por outro lado, para a Inglaterra, o confronto carregava também a chance de chegar à final de uma Copa do Mundo após 60 anos.

O contexto histórico que cercava o confronto criou a expectativa entre os argentinos de que a grande final da Copa do Mundo seria na partida contra os ingleses. Tanto que a vitória contra a Inglaterra e o avanço para a final do Mundial fizeram com que a festa fosse maior se comparada à quando a seleção albiceleste passou da Croácia na Copa do Mundo de 2022. O Lance! colheu depoimentos de torcedores que vivenciaram as celebrações desde Buenos Aires até a Espanha, e o sentimento é que ganhar da Inglaterra era uma obrigação.

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— A comemoração de ontem (15) foi muito maior do que quando vencemos a Croácia e chegamos à final em 2022. Repito: ontem, além do futebol, travamos a nossa própria guerra. Para 90% das pessoas que conheço, ontem foi a final. Todos com quem conversei já estão satisfeitos. Precisávamos vencer ontem, e vencemos de forma convincente. Para completar, os jogadores abraçaram a causa "As Malvinas são argentinas". Ninguém estava pensando além de ontem. Isso pode mudar à medida que o domingo se aproxima, mas, neste momento, ninguém se importa com a final ou com a Espanha. Queremos vencer, claro, mas ganhamos a nossa Copa do Mundo ontem (vencendo a Inglaterra) — destaca Alejo, torcedor argentino entrevistado pelo Lance!.

Giovani Lo Celso ajustando a bandeira com os dizeres: "As Malvinas são Argentinas".
Giovani Lo Celso ajustando a bandeira com os dizeres: "As Malvinas são Argentinas" - (Foto: Jewel SAMAD / AFP)

Entre Buenos Aires e Espanha: a história é celebrada

A capital da Argentina, Buenos Aires, desde a manhã do jogo contra a Inglaterra, já se preparava para a grande batalha contra os ingleses. A cidade sentia que a partida ia além do futebol, e que a equipe comandada por Lionel Messi entraria para jogar pela própria guerra, a do povo argentino, as Malvinas e a de todos que lutaram naquela batalha contra os ingleses em 1982.

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Antes mesmo de começar a partida, já mesmo no momento do hino, o confronto estava posto, as torcidas cantavam alto e mostravam, no estádio, que o jogo seria intenso. Às 16h, em Buenos Aires, Argentina, iniciou o confronto da semifinal da Copa do Mundo entre Inglaterra e Argentina. O primeiro tempo foi brigado, parecia até mesmo uma partida de Libertadores, e terminou em 0 a 0.

O segundo tempo prometia ser inesquecível. Aos 10 minutos da etapa final, os ingleses abriram o placar com Morgan Rogers. Porém, depois de tanto pressionar, aos 40 minutos do segundo tempo, Enzo Fernández, meio-campista da Argentina, empatou o placar. Mas, como um bom tango argentino, o drama não poderia faltar. Aos 47 minutos, Lionel Messi cruzou e encontrou Lautaro Martínez livre para colocar a Argentina em vantagem e classificar a albiceleste para a final da Copa.

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A partir do fim da partida, com a vitória por 2 a 1, a tensão que vivia Buenos Aires se transformou em alívio, celebração, euforia e festa, na capital do país.

Celebração dos argentinos após a classificação para a final da Copa, no tradicional bairro de Buenos Aires, Caballito.
Celebração dos argentinos após a classificação para a final da Copa, no tradicional bairro de Buenos Aires, Caballito - (Foto: Arquivo Pessoal)

Alejo Carrera, de 30 anos, advogado argentino que vive em Buenos Aires, contou ao Lance! todo o sentimento gerado pela partida e a importância do contexto histórico que fazia parte do duelo contra a Inglaterra.

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— Na Argentina, quando nascemos, aprendemos algumas coisas e você as reforça ao longo da vida: as Malvinas são argentinas. A Argentina vive isso como uma partida de futebol, sim, mas sempre que os enfrentamos (os ingleses), também vivemos como uma miniguerra. É como uma homenagem, uma homenagem às Malvinas, a nossos soldados. Vive e revive a memória de Diego — afirma Alejo.

Cruzando o oceano, no território europeu, a Espanha, país que enfrentará a Argentina na final da Copa do Mundo, também estava sendo marcada por muita celebração com a classificação da seleção Albiceleste no Mundial.

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O território espanhol, que conta com mais de 450 mil pessoas nascidas na Argentina, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), com processamento da LN Data, foi palco de festa pelos hermanos. O Lance! conversou também com torcedores argentinos que participaram da comemoração em Barcelona e transformaram a cidade, que concentra a maior quantidade de argentinos que vivem na Espanha, com mais de 92 mil argentinos, de acordo com dados oficiais, como se fosse uma rua de Buenos Aires.

Segundo Sergio Pizzi, argentino de 29 anos, nascido em Bahía Blanca, província de Buenos Aires, e que vive em Barcelona há mais de 4 anos, destacou a importância de celebrar junto com o povo argentino que vive na cidade espanhola, fazendo com que haja mais união entre as pessoas distantes do país e também a possibilidade de se unir com a família na Argentina.

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— Essas partidas fazem com que as pessoas se unam mais fora do país. Estar fora de casa, distante, abre a possibilidade de se juntar a muitos argentinos e se sentir um pouco mais próximo do país. Também se unir mais com a família (que está na Argentina), estar falando sobre isso, do Mundial, por mensagem e com os amigos — ressalta Sergio.

Festa dos argentinos na cidade de Barcelona, no bairro de Glóries.
Festa dos argentinos na cidade de Barcelona, no bairro de Glóries (Foto: Arquivo Pessoal)

Ao comentar sobre a importância da partida contra a Inglaterra, Sergio também destacou a necessidade de vencer o confronto e ressaltou estar vendo a história pelos próprios olhos com os feitos alcançados pela seleção argentina nos últimos mundiais.

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— Sim ou sim, havia que ganhar (a partida contra a Inglaterra), pelo político, pela história. E queríamos isso. A partida contra a Inglaterra foi sonhada e histórica, uma semifinal, último Mundial de Messi, muita coisa que faz ser histórico. Ver uma partida da Argentina é sofrer os 80 minutos e gritar com tudo nos últimos 10. Nesse momento estamos vendo a história. Chegar a três finais das últimas quatro não é normal acontecer.

Sobre a festa realizada após a partida, distante de Buenos Aires, em Barcelona, assim que a Argentina venceu a Inglaterra, as ruas da capital catalã já estavam cheias de argentinos, que caminharam para o bairro de Glóries, tradicional zona da cidade de Barcelona.

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— Estar aqui na Espanha faz se unir mais com os outros argentinos. Ontem saímos (após a partida), apenas descemos do prédio e já cruzamos com um grupo de argentinos que estava indo a Glories (bairro de Barcelona) e festejamos lá. E fomos cantando todo o caminho, cruzando sempre com mais argentinos — disse Sergio ao Lance!.

A expectativa para a final contra Espanha

A final entre Espanha e Argentina está marcada para domingo (19), às 16h (horário de Brasília). O confronto coloca frente a frente o passado e o futuro do futebol e de jogadores formados pelo Barcelona; Messi e Lamine Yamal se enfrentam pela primeira vez.

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— Domingo não espero muito. Quero ganhar, lógico, mas estou tranquilo — afirma Alejo.

Ao mesmo tempo, há uma esperança na equipe, uma certa ilusão por ter virado duas partidas na fase do mata-mata, mesmo com a força da equipe espanhola.

— A Espanha joga como uma máquina. E a gente (argentinos) está com esperança, como sempre. Acredito nessa equipe, acredito que os jogadores representam o que as pessoas querem e o que esperamos deles. Ainda mais agora, de virar duas partidas, estamos esperançosos — comenta Sergio.

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