Final da Copa entre Argentina e Espanha confirma força de quem domina a bola
Brasil ficou fora do Top 10 entre as seleções que mais trocaram passes

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Em uma Copa do Mundo marcada por transições rápidas, ataques letais e decisões nos detalhes, um indicador ajuda a explicar por que algumas seleções permaneceram vivas até os últimos dias do torneio: a capacidade de controlar a bola. Não por acaso, as duas equipes que mais trocaram passes em toda a competição chegaram à decisão. Argentina e Espanha, finalistas do Mundial, também lideram o ranking de circulação de bola.
Os números da Fifa mostram que o volume de passes não representa apenas uma preferência estética. Em muitos casos, ele revela controle territorial, domínio emocional das partidas e capacidade de impor o próprio ritmo mesmo diante dos adversários mais fortes. A seguir, um ranking das dez seleções que mais trocaram passes na competição, além do Brasil, que terminou logo atrás do grupo principal.
1. Argentina — 4.772 passes
Nenhuma seleção trocou mais passes do que a Argentina. Foram 4.772 ao longo da campanha, reflexo de um time que soube alternar momentos de aceleração com longos períodos de controle, quase sempre conduzidos por Lionel Messi, Enzo Fernández, Rodrigo De Paul e Alexis Mac Allister.
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A liderança no ranking acompanha a trajetória até a decisão da Copa do Mundo. Os argentinos sobreviveram a partidas dramáticas contra Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra, sempre encontrando soluções quando pareciam encurralados. A vaga na final veio com uma virada histórica sobre os ingleses nos minutos finais, após a Argentina alcançar 88% de posse de bola no segundo tempo, levando os atuais campeões a mais uma disputa pelo título.
2. Espanha — 4.592 passes
A Espanha confirmou que continua sendo uma das maiores referências mundiais quando o assunto é circulação de bola. Os 4.592 passes mostram uma equipe que manteve sua identidade histórica, agora combinando posse com um jogo muito mais vertical.
A campanha até a final foi construída diante de adversários de enorme peso. Depois de eliminar Portugal nas oitavas e superar a Bélgica nas quartas, os espanhóis fizeram uma atuação dominante diante da França na semifinal, anulando o melhor ataque do torneio e confirmando presença na decisão.

3. França — 3.865 passes
Mesmo com um perfil ofensivo mais acelerado, a França terminou o torneio como a terceira seleção que mais trocou passes. O crescimento coletivo ficou evidente na campanha conduzida por Kylian Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé e Désiré Doué.

Os franceses chegaram às semifinais depois de eliminar o Marrocos nas quartas de final. O sonho do título terminou diante da Espanha, que reduziu drasticamente os espaços para o quarteto ofensivo e limitou a equipe a uma produção muito abaixo da média apresentada durante a competição.
4. Marrocos — 3.665 passes
O quarto lugar mostra que o Marrocos deixou de ser apenas uma seleção competitiva para se tornar também protagonista com a bola nos pés. Os 3.665 passes representam uma evolução importante em relação aos últimos grandes torneios.
A campanha terminou nas quartas de final, quando os marroquinos encontraram a França. Mesmo conseguindo períodos de posse diante dos europeus, a equipe não teve força ofensiva suficiente para transformar esse domínio em classificação.
5. Inglaterra — 3.479 passes
A Inglaterra aparece na quinta colocação com uma campanha marcada pelo controle territorial e pela boa circulação da bola durante praticamente todo o torneio. O meio-campo formado por Declan Rice, Jude Bellingham e companhia deu sustentação ao modelo de jogo de Thomas Tuchel.
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Na semifinal, porém, os ingleses viveram uma das eliminações mais dolorosas de sua história recente. Depois de abrir o placar contra a Argentina, recuaram excessivamente, perderam o controle da posse e sofreram a virada nos minutos finais, adiando novamente o sonho de disputar uma final mundial.
6. Suíça — 3.231 passes
A Suíça consolidou sua evolução técnica ao terminar entre as seis seleções que mais trocaram passes na competição. O volume de circulação da bola mostrou uma equipe segura, organizada e confortável em controlar o ritmo das partidas.
Nas quartas de final, os suíços faziam talvez sua melhor atuação no torneio diante da Argentina e controlavam boa parte do confronto. A expulsão de Breel Embolo, porém, mudou completamente o cenário. Com um jogador a menos, perderam força na reta final e acabaram eliminados pelos finalistas.
7. Noruega — 3.114 passes
A presença da Noruega entre as sete primeiras reforça o crescimento da seleção no cenário internacional. A equipe mostrou maturidade para construir desde a defesa e alternar momentos de posse prolongada com ataques rápidos.
A campanha terminou nas quartas de final, em um duelo bastante equilibrado diante da Inglaterra. Os noruegueses deixaram o torneio depois de eliminarem o Brasil nas oitavas, partida em que controlaram completamente o ritmo e limitaram os brasileiros a apenas 32% de posse de bola.
8. Bélgica — 3.081 passes
A Bélgica manteve sua tradição de privilegiar a posse e encerrou a competição com 3.081 passes. O número confirma uma equipe tecnicamente refinada, ainda capaz de controlar partidas durante longos períodos.
Nas quartas de final, contudo, encontrou pela frente a pressão sufocante da Espanha. Os belgas tiveram dificuldades para sair jogando e acabaram eliminados diante da equipe que mais tarde garantiria vaga na decisão.
9. Portugal — 2.946 passes
Portugal fechou sua campanha com 2.946 passes, mantendo uma proposta baseada na construção paciente das jogadas, sobretudo através da qualidade técnica de seu meio-campo.
A despedida aconteceu ainda nas oitavas de final justamente diante da Espanha. O clássico ibérico mostrou o controle espanhol sobre a posse e marcou o início da caminhada da finalista rumo à decisão.
10. Colômbia — 2.789 passes
A Colômbia encerrou sua participação entre as dez seleções que mais trocaram passes na Copa do Mundo, mostrando um futebol organizado e disposto a assumir protagonismo sempre que possível.
A eliminação veio nas oitavas de final em uma disputa equilibrada contra a Suíça. Depois do empate no tempo regulamentar e na prorrogação, os colombianos acabaram derrotados nos pênaltis, encerrando uma campanha consistente.
11. Brasil — 2.742 passes
O Brasil ficou logo atrás do top 10, com 2.742 passes. O dado evidencia uma equipe que tentou controlar mais as partidas do que em ciclos anteriores, embora tenha encontrado dificuldades para manter essa característica diante dos adversários mais organizados.

A eliminação nas oitavas de final ajuda a explicar esse contraste. Contra a Noruega, a Seleção teve apenas 32% de posse de bola, passou a maior parte do tempo sem conseguir controlar o jogo e acabou superada por um adversário que conseguiu impor seu ritmo desde os primeiros minutos. O resultado simbolizou uma campanha irregular, distante do domínio apresentado pelas duas seleções que hoje disputam a final da Copa do Mundo.
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