Argentina desafia o impossível, leva Messi a mais uma final e busca o tetra da Copa
Argentinos viraram semifinal contra a Inglaterra nos acréscimos

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Poucos campeões sobrevivem apenas pelo talento. Os maiores encontram maneiras de permanecer vivos quando tudo parece perdido. Foi exatamente isso que a Argentina fez mais uma vez nesta Copa do Mundo. Depois de escapar de situações quase irreversíveis diante de Egito, Cabo Verde e Suíça, a equipe de Lionel Scaloni escreveu outro capítulo de sua campanha resiliente ao derrotar a Inglaterra por 2 a 1, de virada, na semifinal.
A classificação teve roteiro de drama. A Argentina esteve atrás do placar até os 40 minutos do segundo tempo, protagonizando a virada mais tardia já registrada por uma seleção vencedora no tempo normal de uma semifinal de Copa do Mundo. O prêmio agora é uma decisão contra a Espanha, seleção que chega embalada pela campanha defensiva mais dominante do torneio.
— Foi incrível tudo o que vivemos, desde o começo, como dissemos. Embora fosse uma partida de futebol, quando começamos a entrar em campo e no hino, vivemos sensações especiais, e o grupo sentiu isso. Não foi apenas mais uma vitória; foi uma vitória importante, que o povo argentino queria e nós também, e que nos colocou em mais uma final do mundo — afirmou Messi.
Será o encontro entre duas equipes que chegaram à final por caminhos distintos. De um lado, a frieza coletiva da Espanha. Do outro, uma Argentina que parece crescer justamente quando a partida escapa ao controle.
Messi aparece quando o jogo pede um protagonista
Durante boa parte da semifinal, o jogo caminhou para um roteiro diferente. O primeiro tempo foi praticamente um duelo de nervos. Houve 19 faltas e nenhum chute no alvo. Nos primeiros 30 minutos, sequer houve uma finalização, algo inédito no histórico estatístico da competição.

Quando Anthony Gordon abriu o placar aos 10 minutos do segundo tempo, após cruzamento de Morgan Rogers, a sensação era de que a Inglaterra finalmente encontrara o jogo que tanto procurava.
Só que esta Argentina já havia vivido situações semelhantes durante todo o torneio. Nas oitavas, precisou sobreviver à prorrogação contra Cabo Verde. Nas quartas, virou um 2 a 0 diante do Egito nos minutos finais, naquela que foi a maior reação já registrada por uma seleção que perdia por dois gols em uma Copa do Mundo sem precisar disputar a prorrogação. Contra a Suíça, também precisou buscar forças extras antes de decidir a classificação no tempo adicional.
Desta vez, o roteiro voltou a se repetir. Com a vantagem inglesa, Thomas Tuchel recuou sua equipe, reforçou a defesa e entregou completamente o controle territorial aos argentinos. Entre o gol de Gordon e o gol da vitória, a Argentina chegou a impressionantes 88% de posse de bola.
Espanha impõe força coletiva em busca do bicampeonato da Copa do Mundo
Era apenas uma questão de tempo até Lionel Messi encontrar espaço. Aos 85 minutos, o camisa 10 encontrou Enzo Fernández, que acertou um chute preciso de fora da área para empatar a partida. Nos acréscimos, depois de Alexis Mac Allister acertar novamente a trave, Messi recuperou a jogada e levantou bola perfeita para Lautaro Martínez, livre para cabecear e colocar a Argentina em mais uma final.
— É uma loucura jogar duas finais do mundo seguidas. Enfim, esse grupo é incrível. Hoje fomos atrás de novo quando a situação ficou difícil, nunca deixou de acreditar, de tentar. Com futebol, hoje jogamos muito bem quando estávamos atrás no placar. Encurralamos eles e foi uma felicidade enorme — disse Messi.
Uma campanha construída sobre coragem e insistência
Há campanhas que convencem pela superioridade. A da Argentina convence pela capacidade de permanecer viva.
Nenhum mata-mata foi confortável. A equipe precisou suportar pressão, enfrentar prorrogações, buscar viradas improváveis e aprender a jogar sob tensão permanente. Ainda assim, jamais perdeu a convicção de que conseguiria voltar ao jogo.

Essa fortaleza emocional tem um líder evidente. Mesmo sem marcar diante da Inglaterra, Messi terminou novamente como protagonista absoluto. Foram duas assistências decisivas, ampliando um recorde que talvez demore décadas para ser alcançado.
Agora, o argentino soma 12 assistências em Copas do Mundo, sendo dez apenas em confrontos eliminatórios. Nenhum outro jogador na história registrada da competição ultrapassou oito assistências no total.
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A influência vai além dos números. O camisa 10 também passou a registrar participação direta em gols em 11 partidas consecutivas de Copa do Mundo, sequência inédita desde que esse tipo de levantamento passou a ser realizado.
Enquanto isso, a defesa argentina também entregou uma atuação de enorme consistência. Jude Bellingham e Harry Kane, principais referências ofensivas da Inglaterra, terminaram a semifinal sem registrar sequer um toque dentro da área defendida pela Argentina, retrato da eficiência com que a equipe neutralizou os dois principais finalizadores ingleses.
Agora vem a Espanha
A recompensa por mais uma classificação dramática será talvez o maior desafio desta geração argentina.
A final colocará frente a frente os atuais campeões do mundo e uma Espanha que chega embalada por uma campanha praticamente impecável. A equipe de Luis de la Fuente eliminou a França controlando completamente um dos ataques mais fortes do torneio e alcançou a decisão apoiada na melhor defesa da competição.
O contraste torna a decisão ainda mais fascinante. A Espanha construiu seu caminho pela organização coletiva, pela posse de bola e por uma estrutura defensiva que quase não concede oportunidades.
A Argentina avançou porque desenvolveu uma capacidade rara de sobreviver às partidas mais difíceis. Sempre que pareceu próxima da eliminação, encontrou um jogador, um lance ou uma inspiração de Messi para mudar completamente a história.
É um encontro que reúne duas maneiras muito diferentes de dominar um torneio.
De um lado estará uma seleção que controla os jogos desde o primeiro minuto. Do outro, uma equipe que nunca deixa de acreditar, mesmo quando o relógio parece trabalhar contra ela.
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Se existe uma certeza depois desta semifinal, é que ninguém deveria considerar a Argentina derrotada antes do apito final. Nesta Copa do Mundo, ela já transformou o improvável em rotina. Agora tentará fazer isso mais uma vez diante da Espanha, na partida que decidirá o novo campeão do mundo.
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