Análise: bola aérea afunda o sonho da Holanda de sair do 'quase' na Copa

Erros defensivos apareceram em momentos decisivos na competição

PorGuilherme LesnokSão Paulo (SP)
30/06/2026 14:56
Gakpo e De Jong lamentam queda da Holanda para Marrocos nos pênaltis
Holanda cai para Marrocos nos pênaltis e amplia jejum pelo título mundial (Foto: Alfredo Estrella/AFP)

A Holanda foi eliminada da Copa do Mundo na madrugada desta terça-feira (30), no Estádio BBVA, em Guadalupe, no México, pela segunda fase da competição. Embora o ataque tenha feito sua parte ao longo do torneio, os problemas defensivos voltaram a aparecer no momento decisivo e acabaram custando a permanência da equipe.

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Após empate por 1 a 1 com Marrocos no tempo regulamentar, a seleção holandesa acabou derrotada por 3 a 2 nos pênaltis. O gol que levou a partida para a prorrogação saiu nos acréscimos, quando o zagueiro Diop aproveitou cruzamento na área para empatar o confronto.

A eliminação encerrou mais uma tentativa da Holanda de conquistar o título mundial inédito. Em quatro partidas, a equipe somou duas vitórias e dois empates, marcou 11 gols e sofreu cinco.

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— É difícil analisar agora. Foi uma partida intensa. Infelizmente, estamos fora. Em alguns momentos, o jogo correu bem. Claro que poderia ter sido melhor, mas isso não ajuda em nada. Estes são os momentos mais terríveis para um jogador de futebol — disse o zagueiro Virgil van Dijk.

Campanhas da Holanda na Copa do Mundo

  • 1974: vice-campeã
  • 1978: vice-campeã
  • 1990: eliminada nas oitavas de final
  • 1994: eliminada nas quartas de final
  • 1998: 4º lugar
  • 2002: não se classificou
  • 2006: eliminada nas oitavas de final
  • 2010: vice-campeã
  • 2014: 3º lugar
  • 2018: não se classificou
  • 2022: eliminada nas quartas de final
  • 2026: eliminada na segunda fase (16 avos de final)
Virgil van Dijk aparece em pé, com as mãos na cintura, durante partida da Holanda pela Copa do Mundo
Virgil van Dijk durante a partida da Holanda contra Marrocos (Foto: Alfredo Estrella/AFP)

Bola aérea foi o principal problema

Um dos pontos mais fracos da seleção holandesa na Copa do Mundo foi a bola aérea defensiva. Mesmo contando com zagueiros altos e experientes, como Van Dijk e Jan Paul van Hecke, a equipe de Ronald Koeman encontrou dificuldades para neutralizar cruzamentos e bolas paradas dos adversários.

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Dos cinco gols sofridos pela Holanda na competição, três nasceram em jogadas aéreas. Dois deles tiveram peso decisivo na campanha: o gol sofrido diante do Japão, nos minutos finais do empate por 2 a 2 na estreia, e o gol marcado por Diop para Marrocos nos acréscimos da segunda fase.

O lance contra o Japão, inclusive, gerou críticas ao sistema defensivo e especialmente ao capitão holandês.

— Preciso ser sincero: fiquei bastante chocado com Van Dijk. Especialmente quando ele precisa virar o corpo. Está sendo muito difícil. É um pouco como um Boeing 747 girando. Espero que ele comece a girar um pouco mais rápido durante o torneio — disse o ex-jogador Rafael van der Vaart fez.

Em toda a disputa da Copa do Mundo de 2026, a Holanda sofreu, em média, 11,8 finalizações por jogo, sendo cinco delas no alvo. Além disso, concedeu nove chances claras aos adversários, número superior ao de oportunidades cristalinas criadas pela própria equipe, e registrou apenas 52% de aproveitamento nos duelos disputados.

Mesmo vencendo 62% dos duelos aéreos ao longo da Copa, a Holanda falhou justamente nos momentos mais importantes. As dificuldades na marcação pelo alto acompanharam a equipe do início ao fim do torneio e acabaram sendo determinantes para a eliminação.

Holanda na Copa de 2026:

  1. 4 jogos
  2. 2-2-0 V-E-D
  3. 67% de aproveitamento
  4. 11 gols marcados
  5. 5 gols sofridos
  6. 6 chances claras criadas
  7. 9 chances claras cedidas
  8. 11.5 finalizações por jogo
  9. 5.5 finalizações no gol por jogo
  10. 11.8 finalizações cedidas por jogo
  11. 5.0 finalizações no gol cedidas por jogo
  12. 52% de duelos ganhos
  13. 62% de duelos aéreos ganhos
  14. 53% de posse de bola

Mudança de esquema não funcionou

Diante dos problemas apresentados durante a fase de grupos, Ronald Koeman decidiu mudar a estrutura da equipe para enfrentar Marrocos. O treinador sacou o meio-campista Tijjani Reijnders e optou por uma formação com três zagueiros, reforçando o setor defensivo.

A intenção era dar mais segurança à equipe diante de um adversário considerado perigoso ofensivamente. O próprio treinador explicou a escolha após a partida.

— Decidi jogar assim porque demos espaço demais na fase de grupos. Precisávamos marcar melhor. Marrocos é uma excelente seleção, com craques. Daí, decidi isso após uma reunião com o grupo. Não me arrependo nem um pouco — afirmou à emissora NOS.

Na prática, porém, a alteração não surtiu efeito. A Holanda teve dificuldades para controlar o jogo e foi dominada durante boa parte da partida. A equipe terminou o confronto com apenas 30% de posse de bola, criou apenas uma grande chance e finalizou seis vezes. Marrocos, por outro lado, registrou seis grandes oportunidades e 11 finalizações.

A mudança também reduziu a força do meio-campo, setor que, entre altos e baixos, vinha se estabilizando. A tentativa de corrigir um problema defensivo acabou gerando novos desequilíbrios na equipe.

O saldo positivo

Se a Holanda teve motivos para se animar durante a Copa do Mundo, eles passaram principalmente pelos pés de Cody Gakpo. O atacante terminou a competição como artilheiro da equipe, com três gols marcados.

Contra Marrocos, foi dele o gol que abriu o placar e colocou os holandeses em vantagem. Além dos gols, Gakpo foi uma das principais referências ofensivas da equipe ao longo do torneio. Em quatro partidas, além dos três gols, distribuiu uma assistência, participando diretamente de quatro tentos da seleção.

Além da eficiência ofensiva, registrou média de 2,5 finalizações por jogo, sendo 1,5 no alvo, e contribuiu na criação de jogadas com 0,8 passe decisivo por partida. Gakpo também teve média de 0,8 drible certo, venceu 4,2 duelos por jogo e sofreu 0,8 falta por confronto, encerrando a competição com nota 7,55 no Sofascore.

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Brian Brobbey também terminou a competição com três gols, enquanto Crysencio Summerville marcou duas vezes e ainda distribuiu duas assistências.

O trio surge como esperança para o futuro da seleção holandesa após uma Copa do Mundo que terminou longe do desfecho desejado.

Gols da Holanda na Copa do Mundo:

  • Cody Gakpo - 3
  • Brian Brobbey - 3
  • Crysencio Summerville - 2
  • Jan Paul van Hecke - 1
  • Virgil van Dijk - 1

Assistências da Holanda na Copa do Mundo:

  • Crysencio Summerville - 2
  • Denzel Dumfries - 2
  • Ryan Gravenberch - 2
  • Memphis Depay - 1
  • Tijjani Reijnders - 1
  • Virgil van Dijk - 1
  • Cody Gakpo - 1
Ronald Koeman, técnico da Holanda, olhando para frente
Ronald Koeman, técnico da Holanda (Foto: Juan Madromata/AFP)

Escolhas questionáveis: Ronald Koeman na corda bamba

Ainda durante a fase de grupos, a imprensa holandesa já discutia o futuro de Ronald Koeman no comando da seleção. O treinador possui contrato apenas até o final do ano e ainda não renovou seu vínculo.

Segundo o jornalista Valentijn Driessen, durante participação no podcast "Kick-off", do jornal De Telegraaf, alguns nomes já aparecem como possíveis substitutos caso Koeman deixe o cargo.

— Provavelmente, todos querem deixar claro que estão disponíveis. Acho que Peter Bosz também, de repente, deixou cair um pequeno indício de disponibilidade para a seleção holandesa. Arne Slot está disponível e Michael Reiziger já trabalha na Holanda. Se Koeman se aposentar após este torneio, e é o que presumo, um desses quatro provavelmente se tornará o técnico da seleção holandesa — afirmou.

A eliminação aumenta ainda mais a pressão sobre o treinador. A principal crítica gira justamente em torno da formação utilizada diante de Marrocos.

Koeman e Van Dijk estão jogando o futebol holandês fora. O técnico deveria pedir para sair da seleção. Ao escolher um quinto defensor (Aké), tirando o meio-campista Tijani Reijnders, Koeman colocou a cabeça na guilhotina uma hora e meia antes do início do jogo. E o trauma da Holanda nos pênaltis só aumenta, passando pelas Eurocopas de 1996 e 2000 e pelas Copas do Mundo de 1998, 2014 e 2022 — publicou o De Telegraaf.

— O técnico da seleção holandesa, Ronald Koeman, ajustou sua tática em comparação com os jogos da fase de grupos e optou por jogar com cinco defensores em vez de quatro. O meio-campista Tijani Reijnders foi para o banco de reservas, enquanto o zagueiro Nathan Aké entrou no time titular. Isso não impediu que Marrocos dominasse toda a partida. A Holanda se defendeu na maior parte do tempo e só representou perigo esporadicamente — escreveu o jornal Volkskrant.

E o Memphis?

Um dos principais nomes da seleção holandesa nos últimos anos, Memphis Depay teve participação discreta na Copa do Mundo de 2026.

Contra Marrocos, o atacante sequer saiu do banco de reservas. Ronald Koeman realizou seis substituições ao longo da partida, mas optou por utilizar Koopmeiners, Hato, Timber, De Roon, Kluivert e Weghorst.

Memphis terminou sua participação no torneio com apenas 51 minutos disputados em três partidas. Nenhuma delas como titular.

Mesmo com pouco tempo em campo, o atacante registrou uma assistência. Seus números na competição incluem média de 8,3 ações com a bola por jogo, 5,0 passes certos por partida e 0,7 passe decisivo por confronto, além de um cartão amarelo.

A pouca utilização de um dos jogadores mais experientes do elenco certamente será tema de debate nos próximos meses.

Memphis olhando para baixo
Memphis não saiu do banco de reservas na eliminação da Holanda (Foto: Agência Efe/Folhapress)

O futuro da seleção holandesa

Com o futuro de Ronald Koeman indefinido, a Holanda inicia agora um novo ciclo de olho na Copa do Mundo de 2030.

Seria exagero falar em uma reconstrução completa. A média de idade do elenco na Copa foi de 27 anos, indicando uma base ainda capaz de competir em alto nível nos próximos anos.

Por outro lado, alguns nomes importantes devem passar por avaliação. O principal deles é Virgil van Dijk, de 34 anos, que já admitia antes da competição a possibilidade de disputar sua última Copa do Mundo.

Outros jogadores experientes também chegam ao próximo ciclo cercados por dúvidas, como o goleiro Mark Flekken, de 32 anos, o volante Marten de Roon, de 35, e o atacante Wout Weghorst, de 33.

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