Análise tática do Guffo: como o Brasil pode vencer a Noruega
Seleção Brasileira precisa de intensidade no meio e velocidade na esquerda

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Quando se fala em enfrentar a Noruega, a primeira imagem que assombra o torcedor do Brasil é Erling Haaland atropelando zagueiros em campo aberto. É natural. Mas o futebol não se resume a um trator camisa 9. A verdade nua e crua é que o jogo deste domingo (05/07) contra os noruegueses oferece um encaixe tático muito mais favorável à Seleção Brasileira do que o xadrez sufocante do Japão. A Noruega tem um soco pesadíssimo, mas carrega uma mandíbula de vidro.
Para vencer, o primeiro passo é desarmar a bomba. Haaland vive de espaços e de gatilhos de pressão. Se a Seleção Brasileira vacilar com passes para trás na saída de bola, ele vai engolir a defesa. Foi assim que a Noruega puniu Iraque, França e Senegal no erro do adversário. A missão de anular o cometa passa pelo duelo individual de Gabriel Magalhães, que já o conhece de cor da Premier League, mas principalmente por cortar a origem da jogada: Martin Ødegaard. E é aqui que a ausência de Lucas Paquetá precisa ser resolvida com inteligência.
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O reserva que vai melhorar o time
Sem o camisa 10, a escolha óbvia e necessária para o meio-campo é Danilo Santos. O jogador do Botafogo entra para ser o pulmão do time e trazer muita intensidade para a meiuca brasileira. Danilo tem a força física para bater de frente com a trinca da Noruega, fechar o setor de Ødegaard e, com a bola, entregar a progressão e a pisada na área que o Brasil tanto precisa. Num jogo de imposição física, ter um meio-campista que morde na marcação e rompe linhas é questão de sobrevivência.
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A presença de Danilo Santos também resolve um problema defensivo grave. A Noruega ataca de forma assimétrica: Alexander Sørloth, um centroavante de ofício, joga improvisado na ponta direita. Com a bola, ele corta para dentro para fazer dupla com Haaland, arrastando Douglas Santos e abrindo o corredor para a ultrapassagem do lateral norueguês. Danilo será vital para fechar esse lado esquerdo, dobrar a marcação com Douglas e impedir que o Brasil fique em inferioridade numérica no setor.
Mas se Sørloth é um perigo no ataque, ele é a grande falha estrutural da Noruega sem a bola. Como não tem o cacoete de ponta, ele simplesmente não recompõe. Ele "dorme" na marcação e abandona o lateral direito à própria sorte. É um erro crônico no sistema tático deles. E deixar um lateral exposto no mano a mano no setor esquerdo do ataque brasileiro é, basicamente, assinar a própria sentença de morte. Veja no mapa de calor de Sørloth contra a Costa do Marfim como ele pouco ocupou o setor defensivo (arte abaixo).
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((Arte BraxNor 001))

Malvadão é a solução
Esse é o caminho para a vitória: o corredor de Vinícius Júnior. Com Sørloth desconectado da defesa, Vini terá o cenário dos sonhos. Um contra um isolado ou, melhor ainda, um dois contra um com as ultrapassagens de Douglas Santos. A Noruega até tenta se fechar num 4-5-1, mas as linhas são frouxas. O espaço nas costas dos volantes (o famoso entrelinhas) é um latifúndio. Matheus Cunha, fazendo aquele papel de falso 9 que brilhou nos últimos jogos, terá liberdade para flutuar ali, girar e acionar Vini em velocidade.
Os vídeos não mentem: a Noruega sofre gols de dentro da área mesmo quando tem superioridade numérica. Eles olham para a bola e perdem a referência dos infiltradores. Se o Brasil rodar a bola com rapidez, tirar o jogo da zona de pressão e inverter para o lado esquerdo, vai encontrar uma defesa desorganizada e pronta para ser castigada.
O cenário é de um jogo tenso, mas taticamente desenhado para o Brasil. A Noruega vai tentar impor um jogo físico e punir qualquer erro na nossa saída de bola. O risco é claro: um vacilo atrás, e Haaland não perdoa. Mas se a Seleção mantiver a concentração na base da jogada, usar Danilo Santos para equilibrar o meio e explorar a avenida deixada por Sørloth no lado esquerdo, a classificação é o destino natural. A Noruega é mortal quando ataca, mas é ingênua quando defende. E em Copa do Mundo, a ingenuidade costuma cobrar uma conta bem cara.
ARTES E DADOS: SportsBase
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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