Análise tática do Guffo: como o Brasil pode vencer o Japão?
Seleção aposta na leitura de jogo para superar pressão e explorar espaços na defesa

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O Brasil chega ao primeiro teste de fogo da Copa do Mundo diante de um Japão que é exatamente o oposto do que a Seleção Brasileira viveu neste ciclo. Enquanto Carlo Ancelotti ainda ajusta peças e busca o encaixe ideal com o torneio em andamento, Hajime Moriyasu comanda os Samurais Azuis há mais de sete anos. O Japão é um time de processos longos, obediência tática e mecanismos muito bem azeitados. Mas, como todo sistema rígido, ele oferece janelas de oportunidade que o talentos da Seleção Brasileira podem explorar no mata-mata da Copa do Mundo.
O primeiro ponto que o Brasil precisa entender é que o Japão de 2026 é uma equipe vertical, direta e que constrói desde o goleiro Zion Suzuki com um objetivo claro: atrair a pressão para espetar a bola no espaço vazio. O mecanismo é letal. Suzuki atrai o atacante, libera um zagueiro (como Tomiyasu ou Ito) para conduzir e, num passe longo, aciona o centroavante Ueda. Ueda atua como um falso 9, baixando para tirar o zagueiro da linha e abrindo a porta para as infiltrações em velocidade de Maeda, Kamada ou dos alas.
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Diante desse cenário, a escolha de Ancelotti sem a bola será a chave do jogo. Subir o bloco e pressionar a saída japonesa de forma atabalhoada é exatamente o que eles querem. O Brasil precisa de um bloco médio, negando o passe longo e controlando a profundidade. O trabalho de quem recompõe de fora para dentro na segunda linha do Brasil, bloqueando os zagueiros laterais do Japão, será fundamental. Se Marquinhos e Gabriel Magalhães não saltarem desesperadamente nas iscas de Ueda, o Japão perde sua principal arma de ruptura.
Japão também tem seus truques em ataque posicional
Mas o Japão também tem seus truques em ataque posicional, especialmente pelos lados. Eles defendem com uma linha de cinco, mas atacam projetando os alas (Doan e Nakamura) e, de forma muito inteligente, soltando os zagueiros laterais para o ataque. Hiroki Ito faz muito isso pela esquerda, criando superioridade numérica. Para o Brasil, isso significa que Paquetá e Rayan terão que ser disciplinados na recomposição. A comunicação entre lateral, zagueiro e volante no setor da bola precisa ser impecável para não permitir que o Japão crie o 2 contra 1 nas beiradas.
E é justamente dessa agressividade japonesa que nasce o caminho para a vitória do Brasil. Quando o zagueiro japonês se lança ao ataque, o volante recua para cobrir o setor. É uma improvisação momentânea. Se o Brasil recuperar a bola e quebrar a pressão pós-perda dos japoneses, que é muito forte, especialmente com Tanaka, o cenário vira um paraíso para Vini Jr. e Matheus Cunha. Atacar o espaço deixado pelo zagueiro japonês, forçando o volante a defender em campo aberto, é a mina de ouro da Seleção.
Eles têm pontos fracos também
Além disso, a defesa japonesa tem mostrado fragilidades crônicas na proteção da entrada da área. Como a linha de cinco afunda muito para proteger a pequena área (sabendo que não são tão físicos no jogo aéreo), eles oferecem a meia-lua. Holanda e Suécia fizeram gols exatamente assim: bola na beirada, a defesa afunda, o passe vem para trás e o finalizador bate de frente, com a área aberta.
Para o Brasil, esse defeito é um convite. Temos pontas que jogam de pé trocado: Vini Jr. na esquerda cortando para o meio e Rayan na direita puxando para a canhota. Se Douglas Santos e Danilo fizerem as ultrapassagens por fora, arrastando os alas japoneses, Vini e Rayan terão o corredor central livre para finalizar. E mais: Bruno Guimarães e Matheus Cunha, que têm pisado muito bem nessa zona, podem ser os elementos surpresa para castigar esse espaço que o Japão insiste em ceder.
Como o Brasil pode vencer o Japão? Os Samurais Azuis chegam desfalcados de peças vitais como Endo, Mitoma, Minamino e possivelmente Kubo, mas a força deles é o coletivo. O Brasil, por outro lado, tem a individualidade capaz de quebrar qualquer sistema. A equação para avançar é simples na teoria e exigente na prática: não morder a isca da pressão alta, circular a bola com rapidez para não deixar a defesa japonesa se compactar e, na retomada, acelerar nas costas dos zagueiros que sobem. O Japão é organizado, mas deixa a porta aberta. Se o Brasil tiver frieza para ler o jogo, o talento fará o resto.
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