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Análise tática do Guffo: o nascimento de um Brasil diferente

Seleção mostra evolução coletiva e novas soluções na estrutura sob Ancelotti

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
25/06/2026 11:43

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Jogadores do Brasil reagem durante a partida entre Brasil e Escócia, pela Copa do Mundo de 2026 (Foto: Chandan Khanna/AFP)
Jogadores do Brasil reagem durante a partida entre Brasil e Escócia, pela Copa do Mundo de 2026 (Foto: Chandan Khanna/AFP)

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A vitória do Brasil sobre a Escócia precisa ser medida pela fragilidade do adversário, mas também pelo que a Seleção conseguiu fazer de diferente.

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Depois de uma estreia caótica, Carlo Ancelotti mexeu na estrutura e, mais importante, na dinâmica. O que se viu em campo foi um time que começou a entender como jogar junto. A mudança para o 4-4-2 em losango é uma declaração de intenções do "il Nonno Carletto": o Brasil parou de terceirizar a construção para as pontas e passou a organizar o jogo pelo centro.

Construção por dentro e novo desenho tático

O mecanismo dessa evolução passa diretamente por Matheus Cunha e Lucas Paquetá. Ao recuar Matheus Cunha para atuar como falso 9, Carlo Ancelotti criou um dilema para a defesa da Escócia.

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Como previsto na análise pré-jogo, quando Matheus Cunha baixava para o meio-campo, arrastava a marcação e abria um clarão nas costas da última linha.

Era a senha para Bruno Guimarães infiltrar e para Vinícius Júnior atacar a profundidade. A Seleção deixou de ser um time dependente do 1 contra 1 nas pontas e passou a construir por dentro, finalizando no espaço.

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Desempenho de Bruno Guimarães na partida entre Escócia e Brasil (Foto: Sportsbase)
Desempenho de Bruno Guimarães na partida entre Escócia e Brasil (Foto: Sportsbase)

Protagonista: Vini Jr

Essa mudança de eixo teve um beneficiário direto: Vinícius Júnior.

No modelo anterior, Vinícius Júnior precisava construir, acelerar e finalizar ao mesmo tempo. Agora, jogando mais próximo do gol, virou definidor. A relação com Carlo Ancelotti, consolidada no Real Madrid, aparece com força.

O técnico protege o camisa 7 defensivamente no 4-4-2 sem a bola e potencializa sua explosão ofensiva. O resultado foi uma atuação decisiva, com dois gols e protagonismo retomado.

Jovens, encaixes e funcionamento coletivo

O brilho ofensivo também passou pelo funcionamento coletivo. A escalação de Rayan na direita foi um acerto importante.

O atacante pressionou a saída da Escócia no lance do primeiro gol e mostrou maturidade para recompor e atacar espaços. A sintonia com Danilo foi um dos pontos altos: o lateral atacava o fundo enquanto Rayan cortava para dentro.

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Solidez defensiva

Sem a bola, a Seleção também evoluiu. A Escócia tentou jogo direto e cruzou nove bolas na área apenas no primeiro tempo.

A resposta brasileira foi compactação. Casemiro recuava para proteger a linha defensiva, Bruno Guimarães cobria a entrada da área e a dupla Gabriel Magalhães e Marquinhos manteve segurança pelo alto.

Destaque ainda para a leitura defensiva de Danilo, intenso nos duelos e decisivo na contenção pelos lados.

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O espaço para Neymar

Há ainda um elemento estratégico importante nesse novo desenho: o espaço para Neymar.

O 4-4-2 em losango com falso 9 e atacantes de profundidade parece ideal para a versão atual do camisa 10. Sem necessidade de atuar aberto, Neymar pode ser o cérebro do time, conectando Matheus Cunha e Lucas Paquetá.

Desempenho de Neymar na partida entre Escócia e Brasil (Foto: Sportsbase)
Desempenho de Neymar na partida entre Escócia e Brasil (Foto: Sportsbase)

Evolução em construção

O desafio agora é o tempo. A Seleção ainda precisa acelerar a circulação de bola contra defesas fechadas e consolidar entrosamento.

Mas a evolução é clara. O time encontrou uma estrutura que potencializa suas principais peças, protege fragilidades e cria mais condições para a individualidade decidir.

O Brasil que venceu a Escócia é mais maduro, inteligente e perigoso. Se Carlo Ancelotti conseguir refinar as conexões e integrar Neymar sem perder a pressão e a infiltração, a Seleção sobe de patamar.

A fragilidade escocesa ajudou no teste, mas o mecanismo está em construção. E o recado foi dado: a engrenagem começou a girar.

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