Análise tática do Guffo: sem Paquetá, como o Brasil pode enfrentar a Noruega?
Ausência do meia nas oitavas de final é um quebra-cabeça complexo para Ancelotti

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O Brasil sobreviveu ao xadrez japonês, e a vitória nas oitavas de final fala muito sobre a maturidade tática da Seleção de Ancelotti. Enfrentar o Japão de Hajime Moriyasu foi um teste de paciência. É um time que joga para que você perca a cabeça, suba a marcação de forma atabalhoada e deixe o campo aberto nas costas da defesa. Carlo Ancelotti entendeu a armadilha e fez o que grandes técnicos fazem em Copas do Mundo: adaptou o cenário para não jogar o jogo do adversário.
O mecanismo da vitória começou sem a bola e o Brasil não mordeu a isca. Ancelotti posicionou a Seleção em um bloco médio, negou o passe longo e controlou a profundidade. Marquinhos e Gabriel Magalhães foram disciplinados: não saltaram no vazio. Sem o espaço nas costas da defesa, o Japão perdeu sua principal arma de ruptura e foi forçado a um jogo posicional onde é bem menos letal.
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Com a bola, o Brasil explorou o defeito crônico da linha de cinco japonesa: a proteção da entrada da área. Como a defesa nipônica afunda muito para proteger a pequena área, a meia-lua fica escancarada. Foi ali que o Brasil construiu o resultado, como você leu aqui nesta coluna semana passada. Com Vini Jr. e Rayan jogando de pé trocado, cortando das pontas para o meio, e Matheus Cunha flutuando nas costas dos volantes, a Seleção castigou o espaço que o Japão insistia em ceder.
A vitória teve o seu preço

Mas a classificação cobrou seu preço, e a ausência de Lucas Paquetá para as oitavas de final é um quebra-cabeça complexo. Paquetá não é apenas o volante construtor clássico; no losango de Ancelotti, ele é o fiel da balança. É ele quem fecha o corredor esquerdo sem a bola, compensando as subidas de Douglas Santos, e quem dita o ritmo da transição ofensiva. Perder Paquetá é perder o jogador que conecta a base do meio-campo à explosão de Vini e Cunha.
Como Ancelotti resolve isso? A solução mais natural é a entrada de um meio-campista que mantenha a pegada, mas ofereça dinâmica e pisada na área. A troca natural para manter a estrutura do losango, entregando passe e chegada, é a entrada de Danilo Santos. O Brasil perde em refino técnico no último terço, mas ganha em intensidade de combate, algo que será vital no próximo duelo. Uma opção mais leve é entrar com Endrick de referência no ataque, e botar Matheus Cunha de meia. Funcionou no final do jogo contra o Japão.
Mas talvez Danilo Santos ajude mais, porque o que vem pela frente é um animal completamente diferente. Esqueça o jogo posicional, a paciência e as armadilhas curtas do Japão. A Noruega é força, imposição física e jogo direto. É um time construído para roubar a bola, entregar no pé de Martin Ødegaard e acionar o trator chamado Erling Haaland em campo aberto. Se o Japão exigiu leitura de espaço e controle territorial, a Noruega vai exigir resistência a impacto e concentração absoluta na bola aérea.
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A Copa do Mundo é um laboratório de sobrevivência. O Brasil provou contra o Japão que sabe ser frio para desmontar um sistema organizado e punir falhas estruturais. Contra a Noruega, a exigência muda de prateleira: sai o xadrez, entra a guerra física. Sem Paquetá, Ancelotti terá que redesenhar o motor do time, mas o recado das oitavas foi dado. A Seleção aprendeu a sofrer e a se adaptar ao contexto do jogo. Se tiver a mesma inteligência para neutralizar o jogo direto nórdico, o caminho para as quartas estará pavimentado.

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