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Do favoritismo ao sufoco: o balanço do Fluminense na Libertadores

Tricolor se classificou dependendo do resultado do outro jogo do grupo

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Pedro Brandão
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 04/06/2026
07:00
Canobbio comemora terceiro gol do Fluminense contra o La Guaira (Foto: Marina Garcia/ Fluminense FC)
imagem cameraCanobbio comemora terceiro gol do Fluminense contra o La Guaira (Foto: Marina Garcia/ Fluminense FC)

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A classificação veio. O objetivo foi cumprido. Mas o caminho percorrido pelo Fluminense na fase de grupos da Libertadores esteve muito longe do que o clube imaginava no sorteio. Favorito em uma chave com Independiente Rivadavia, Bolívar e Deportivo La Guaira, o Tricolor transformou uma campanha que parecia tranquila em uma das classificações mais dramáticas de sua história recente no torneio.

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➡️Balanço do Brasileirão: Fluminense vê sonho do título ficar mais distante

O time de Luis Zubeldía avançou às oitavas de final apenas na última rodada, dependendo não só da vitória sobre o Deportivo La Guaira, mas também de um tropeço do Bolívar diante do Independiente Rivadavia. A vaga veio com sofrimento, tensão até os minutos finais e uma explosão de alívio no Maracanã.

Agora, o Fluminense terá justamente o Independiente Rivadavia pela frente nas oitavas. O mesmo adversário que mais complicou sua vida durante a fase de grupos.

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O grupo parecia ideal

Quando a Conmebol definiu os grupos, o Fluminense apareceu imediatamente como favorito da chave. Campeão da Libertadores há poucos anos, com um dos elencos mais caros do continente e acostumado a disputar as fases decisivas da competição, o Tricolor parecia ter caminho aberto para avançar sem grandes sustos. Após a classificação, o próprio Luis Zubeldía admitiu que o cenário parecia favorável.

— No papel, pela estrutura do Fluminense, pelo investimento do clube e pelo peso que tem um time brasileiro na Libertadores, eu reconheço que era um grupo acessível. Não fácil. Fácil é uma palavra que não cabe no futebol.

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A campanha mostrou exatamente isso. Na visão da comissão técnica, a classificação ficou em risco por causa das duas primeiras rodadas.

A estreia contra o Deportivo La Guaira, na Venezuela, terminou empatada em 1 a 1. O Fluminense criou oportunidades suficientes para vencer, teve reclamações de arbitragem e deixou escapar dois pontos importantes. Na sequência veio o golpe mais duro da campanha.

Mesmo jogando no Maracanã, o Tricolor perdeu por 2 a 1 para o Independiente Rivadavia. O time saiu na frente, mas sofreu a virada diante de sua torcida e viu cair uma longa sequência de invencibilidade como mandante na Libertadores. Foi justamente após essa derrota que o grupo começou a se complicar.

A altitude aumentou a pressão

Se os tropeços iniciais já haviam colocado o Fluminense em situação delicada, a derrota para o Bolívar, em La Paz, aumentou ainda mais a pressão.

O revés por 2 a 0 era um resultado possível diante dos 3.600 metros de altitude, mas encontrou um contexto desfavorável. O Tricolor chegou à Bolívia precisando recuperar pontos perdidos anteriormente e voltou ao Rio de Janeiro pressionado. A partir dali, cada jogo passou a ter caráter decisivo.

John Kennedy evitou o desastre

A campanha poderia ter acabado ainda na penúltima rodada. Em Mendoza, contra o Independiente Rivadavia, o Fluminense voltou a apresentar dificuldades. Saiu atrás no placar, criou pouco durante boa parte da partida e caminhava para uma derrota que deixaria a classificação extremamente improvável.

Foi então que apareceu John Kennedy. O atacante saiu do banco e marcou nos minutos finais para garantir o empate por 1 a 1. O gol valeu muito mais do que um ponto. Manteve o Fluminense vivo e permitiu que a equipe chegasse à rodada final dependendo de uma combinação possível de resultados. Não por acaso, JK terminou a fase de grupos como principal personagem da campanha tricolor.

O Maracanã da apreensão

O início do jogo contra o Bolívar parecia ser o momento da virada na campanha. O Fluminense pressionou, abriu o placar, mas foi vazado mais uma vez e a sensação ao final do jogo foi de frustração. O Tricolor precisava de uma vitória por margem maior para depender apenas de si na rodada final. As oportunidades desperdiçadas custaram caro e a fragilidade da defesa custaram caro.

Mesmo vencendo, o time deixou o gramado sob vaias e sabendo que precisaria torcer contra o Bolívar na última rodada.

O capítulo decisivo aconteceu diante do Deportivo La Guaira. O Fluminense fez sua parte e venceu por 3 a 1 no Maracanã. Mas a classificação não dependia apenas disso.

Enquanto a bola rolava no Rio de Janeiro, o Bolívar enfrentava o Independiente Rivadavia na Bolívia. A torcida acompanhava os dois jogos ao mesmo tempo. Houve comemoração de gol anulado, momentos de silêncio e muita tensão.

Após o apito final no Maracanã, jogadores e torcedores permaneceram atentos ao que acontecia no outro confronto. Quando o Independiente Rivadavia marcou os gols que garantiram a vitória por 3 a 1 sobre o Bolívar, o estádio explodiu. Foi o momento que definiu a classificação tricolor.

— A emoção que vivemos ali foi muito linda. Escutávamos um gol, depois um silêncio, depois um gol que não foi. Foi uma noite muito especial — resumiu Zubeldía.

Os protagonistas da classificação

Se a vaga veio com sofrimento, alguns jogadores foram decisivos para evitar uma eliminação precoce. John Kennedy foi o principal deles. Artilheiro da equipe na temporada, marcou gols fundamentais e assumiu protagonismo nos momentos mais difíceis.

Martinelli também teve papel importante. Recuperado de lesão, voltou justamente na rodada decisiva e deu a assistência para o gol de Hércules contra o La Guaira, devolvendo equilíbrio ao meio-campo.

Canobbio completou a lista. O uruguaio marcou um dos gols da classificação e abriu mão de se apresentar antecipadamente à seleção de seu país para permanecer no Rio de Janeiro e ajudar o Fluminense na partida decisiva.

A defesa virou o principal problema

Se o ataque encontrou soluções ao longo da campanha, a defesa foi o grande ponto de preocupação. O Fluminense sofreu gols em todos os jogos da fase de grupos a partir da segunda rodada, acumulou erros individuais e viu crescer a pressão sobre o setor.

A campanha irregular também teve impacto fora das quatro linhas. A Conmebol paga bônus por vitória na fase de grupos, e o Fluminense conquistou apenas dois triunfos em seis partidas.

Com isso, o clube deixou milhões de reais pelo caminho em comparação ao cenário ideal projetado para a competição. Por outro lado, a classificação às oitavas garantiu uma premiação adicional importante e evitou um prejuízo ainda maior no planejamento financeiro da temporada.

A pausa para a Copa do Mundo oferece ao Fluminense a oportunidade de corrigir problemas que quase custaram a classificação. O clube busca reforços para o segundo semestre, terá a chegada de Hulk e espera melhorar principalmente o rendimento defensivo.

O curioso é que o primeiro desafio após a retomada da Libertadores será justamente contra o adversário que mais complicou sua caminhada. O Independiente Rivadavia tirou pontos do Fluminense nos dois jogos da fase de grupos, ajudou o Tricolor a se classificar ao derrotar o Bolívar e agora reaparece no caminho das oitavas. A vaga veio. Mas a campanha deixou uma lição clara: o Fluminense sofreu muito mais do que deveria para continuar sonhando com a América.

Elenco do Fluminense ganha férias durante a Copa do Mundo

O Fluminense encerrou o primeiro semestre do ano neste domingo (31), diante do Cruzeiro, no Mineirão. O elenco está liberado para férias a partir de 1º de junho. O descanso vai até o dia 22, com reapresentação marcada para 23 de junho no CT Carlos Castilho. O Tricolor segue vivo em todas as competições.

A preparação para a sequência da temporada acontecerá integralmente no Rio de Janeiro. A comissão técnica pretende utilizar o período como uma espécie de intertemporada, aproveitando as semanas sem partidas para ajustes físicos, técnicos e táticos. O clube também estuda a realização de até dois amistosos durante esse período, embora adversários e datas ainda estejam sendo definidos.

Savarino é cercado pelos marcadores do Independiente Rivadavia (Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense F.C.)
Savarino é cercado pelos marcadores do Independiente Rivadavia (Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense F.C.)
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