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Balanço do Brasileirão: Fluminense vê sonho do título ficar mais distante

Tricolor começou o ano forte, mas perdeu ritmo na corrida pela liderança.

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Pedro Brandão
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 03/06/2026
05:10
John Kennedy e Guga comemoram gol do Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves/ Fluminense FC)
imagem cameraJohn Kennedy e Guga comemoram gol do Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves/ Fluminense FC)

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A pausa para a Copa do Mundo encerra um primeiro semestre de contrastes para o Fluminense. Se o início da temporada colocou o time de Luis Zubeldía entre os principais candidatos ao título do Campeonato Brasileiro, a reta final antes da paralisação trouxe turbulências, pressão sobre o treinador, fragilidade defensiva e uma classificação dramática na Libertadores. Ainda assim, o Tricolor chega ao intervalo da temporada exatamente onde queria estar: vivo nas três principais competições do calendário.

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O Brasileirão começou ainda durante a disputa do Campeonato Carioca. Embalado por vitórias sobre Nova Iguaçu e Flamengo, o Fluminense estreou derrotando o Grêmio por 2 a 1 e rapidamente se consolidou entre os primeiros colocados. O empate por 1 a 1 com o Bahia deixou a sensação de que o resultado foi pouco pelo desempenho apresentado. Em seguida vieram vitórias sobre Botafogo e Vasco, além de uma atuação competitiva diante do Palmeiras, mesmo na derrota em Barueri.

Na quinta rodada, o Fluminense ocupava a quarta posição, com 10 pontos, apenas três atrás do líder São Paulo. Cinco rodadas depois, já aparecia em terceiro lugar, com 20 pontos, empatado com o próprio São Paulo e atrás apenas do Palmeiras. Naquele momento, o Tricolor era visto como candidato real ao G-4 e começava a entrar na discussão pela liderança da competição.

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O ponto de ruptura

A curva começou a mudar após o empate contra o Coritiba. O resultado em si não representou uma grande perda na tabela, mas coincidiu com o início de uma sequência de problemas que afetariam o semestre.

Vieram o desgaste físico provocado pelo calendário apertado, a discussão sobre o adiamento do Fla-Flu, oscilações na Libertadores e dificuldades cada vez maiores para manter o nível de atuação apresentado nos primeiros meses do ano.

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Mesmo assim, o Fluminense conseguiu sobreviver no Brasileirão graças, principalmente, ao brilho de John Kennedy. O atacante foi decisivo nas vitórias sobre Santos e Chapecoense, escondendo problemas que já começavam a aparecer de forma mais evidente.

A partir daí, o time entrou em sua fase mais delicada na temporada. A derrota por 2 a 0 para o Bolívar na altitude foi seguida por uma atuação muito ruim contra o Internacional no Beira-Rio. Depois vieram o empate com o Independiente Rivadavia, pela Libertadores, e o frustrante 2 a 2 contra o Vitória no Maracanã.

Os resultados ruins foram acompanhados por uma queda de rendimento coletivo. O Fluminense passou a sofrer mais defensivamente, perdeu controle emocional em momentos importantes e passou a depender cada vez mais de soluções individuais.

O problema da defesa

Se o ataque continuou produzindo, a defesa se transformou no principal motivo de preocupação. A saída de Thiago Silva deixou um vazio que o clube ainda tenta preencher. O próprio Zubeldía reconheceu recentemente o impacto da ausência do ex-capitão. Segundo o treinador, a perda de um jogador com liderança, experiência e capacidade de organização tornou o processo de reconstrução defensiva muito mais difícil do que parecia.

— Não podemos esquecer que tivemos que montar uma nova dupla de zaga. Somos um time muito ofensivo, muito ofensivo mesmo. Outro dia estavam me falando que o Fluminense é um dos times que mais gera expectativa de gol no Brasileirão. Acho que só Palmeiras, ou Palmeiras e Flamengo, têm mais gols marcados do que nós. E, ao mesmo tempo, temos sofrido muitos gols. Isso passa por vários fatores. Quando cheguei, em setembro, a presença de um jogador como Thiago Silva na defesa não era um detalhe pequeno. Estamos falando de um jogador com experiência absurda, liderança, segurança e influência sobre os companheiros. Desmontar essa estrutura e montar outra rapidamente não é fácil — disse o treinador.

A situação ficou ainda mais evidente nos números. O Fluminense chegou a 11 jogos seguidos sofrendo gols e acumulou erros individuais em momentos decisivos.

A pressão sobre Zubeldía

O treinador argentino também passou por seu momento mais turbulento desde que assumiu o clube. A principal reclamação da torcida envolvia a demora para realizar mudanças e a resistência em promover jogadores que vinham pedindo passagem. Os casos mais emblemáticos foram nas laterais. Guga e Arana apresentavam rendimento superior ao de Samuel Xavier e Renê em diversos momentos, mas demoraram a assumir protagonismo na equipe.

Internamente, porém, a diretoria manteve respaldo ao trabalho. Mesmo durante o pior momento da temporada, a avaliação era de que Zubeldía já havia demonstrado capacidade suficiente para recolocar o time nos trilhos.

Os destaques do semestre

Se John Kennedy foi o símbolo da capacidade de decisão do Fluminense, Martinelli talvez tenha sido o jogador mais importante para o funcionamento coletivo da equipe.

O volante vivia grande fase antes da lesão muscular, e sua ausência coincidiu diretamente com o período de maior queda de rendimento do time. O retorno antecipado aconteceu justamente na vitória sobre o Deportivo La Guaira, quando deu assistência para o gol de Hércules e ajudou a devolver equilíbrio ao meio-campo.

Outro destaque foi Lucho Acosta. Contratado para ser referência técnica, o argentino assumiu protagonismo em diversos momentos da temporada e mostrou capacidade para decidir jogos importantes.

Guga também merece menção especial. Após assumir espaço na lateral direita, o jogador aproveitou as oportunidades e se consolidou como uma das boas notícias do primeiro semestre.

Já John Kennedy encerra a pausa como principal nome do elenco. Artilheiro do Fluminense na temporada, o atacante foi responsável por diversos gols decisivos e se tornou a principal referência ofensiva da equipe.

Contratações: acertos e o reforço que ainda vai estrear

O Fluminense apostou em uma reformulação importante para 2026. Savarino e Lucho Acosta rapidamente se transformaram em peças importantes do time. Freytes teve bons momentos, embora tenha oscilado na reta final do semestre.

Mas a principal contratação ainda está por estrear. Hulk chega após a Copa do Mundo com a missão de aumentar o poder de decisão do ataque. A expectativa é que o experiente atacante divida com John Kennedy a responsabilidade pelos gols e ofereça ao elenco uma alternativa que faltou em diversos momentos do primeiro semestre.

A classificação que mudou o ambiente

A vitória por 3 a 1 sobre o Deportivo La Guaira talvez tenha sido o momento mais simbólico do semestre. Mais do que a classificação às oitavas da Libertadores, o jogo representou uma oportunidade de reconexão entre elenco e torcida.

Durante a partida, o ambiente ainda era de cobrança. A defesa foi vaiada em diversos momentos e o time ouviu protestos quando permitiu espaços ao adversário. Mas tudo mudou após o apito final. Jogadores e torcedores permaneceram juntos no Maracanã acompanhando os minutos finais de Bolívar x Independiente Rivadavia. Quando os argentinos confirmaram a vitória que garantiu a classificação tricolor, a comemoração coletiva transformou o clima do estádio. Foi um raro momento de união após semanas de críticas e tensão.

O que esperar do segundo semestre

O empate contra o Cruzeiro, fora de casa, encerrou o primeiro turno com uma sensação diferente da que existia semanas antes. O Fluminense não brilhou, mas voltou a ser competitivo mesmo desfalcado.

Agora, o clube terá quase dois meses para corrigir problemas, recuperar atletas e ajustar o elenco durante a janela de transferências. A tendência é de um mercado movimentado. O clube busca reforços, especialmente para o sistema defensivo, e também pode registrar saídas importantes.

Canobbio, convocado para a Copa do Mundo, é um dos jogadores que podem se valorizar durante o torneio e atrair propostas internacionais. Entre chegadas, saídas e ajustes, a sensação é de que o pior momento ficou para trás. A seta que apontava claramente para baixo durante a crise de maio voltou a subir discretamente.

Ainda há problemas para resolver. A defesa segue sendo a principal preocupação. Mas o Fluminense chega à pausa da Copa do Mundo com todos os objetivos vivos, reforços a caminho e a perspectiva de um segundo semestre que pode recolocá-lo definitivamente na disputa pelos principais títulos da temporada.

Cruzeiro x Fluminense (FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C)
John Kennedy comemora gol em Cruzeiro x Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves/ Fluminense FC)

Elenco do Fluminense ganha férias durante a Copa do Mundo

O Fluminense encerrou o primeiro semestre do ano neste domingo (31), diante do Cruzeiro, no Mineirão. O elenco está liberado para férias a partir de 1º de junho. O descanso vai até o dia 22, com reapresentação marcada para 23 de junho no CT Carlos Castilho. O Tricolor segue vivo em todas as competições.

A preparação para a sequência da temporada acontecerá integralmente no Rio de Janeiro. A comissão técnica pretende utilizar o período como uma espécie de intertemporada, aproveitando as semanas sem partidas para ajustes físicos, técnicos e táticos. O clube também estuda a realização de até dois amistosos durante esse período, embora adversários e datas ainda estejam sendo definidos.

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