Surpresa ou decepção: lesões do Japão freiam expectativas antes da Copa do Mundo
Seleção venceu Brasil, Alemanha e Inglaterra em amistosos, mas teve de cortar titulares

O Japão é a aposta de muita gente para surpresa desta Copa do Mundo. O país tenta confirmar a clara evolução dos últimos anos com uma ótima campanha. Ao longo do ciclo, aumentou a expectativa ao derrubar gigantes — inclusive o Brasil, ganhando amistoso de virada por 3 a 2 em outubro passado. No entanto, os japoneses precisarão superar desfalques importantes, que levantam dúvidas sobre as reais possibilidades da seleção. A equipe asiática, que divide o Grupo F com Holanda, Tunísia e Suécia, estreia no torneio neste domingo (14), contra os holandeses, às 17h (de Brasília).
O time japonês tem chances consideráveis de estar no caminho da Seleção Brasileira rumo ao hexacampeonato. Caso um termine a primeira fase na liderança e o outro na 2ª colocação do seu grupo, o confronto acontecerá já nos 16 avos de final, o primeiro mata-mata.

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Zico lamenta possível confronto com o Brasil
Quem lamenta o possível enfrentamento é Zico, ídolo nos dois países. O ex-jogador viu de perto o desenvolvimento do futebol no Japão e acredita que a atual seleção tem potencial para fazer um grande torneio. No entanto, recusa o rótulo de "surpresa".
— Primeiro que, para mim, não existe mais surpresa no futebol. O futebol está muito igual, então tudo pode acontecer. O Japão atravessa um momento bom, com um futebol agressivo, competitivo, buscando sempre a vitória. Quase todos os jogadores jogam na Europa, em grandes times, grandes campeonatos, onde ganham maturidade. Então, eu acho que o Japão pode passar de fase bem e terminar em boa posição. É uma pena a possibilidade de ter o Brasil no meio do caminho, mas eu acho que a seleção japonesa pode fazer um bom Mundial, como sempre tem feito — analisou ao Lance!.
Contratado pelo Kashima Antlers quando o clube japonês ainda era amador, em 1991, Zico ajudou a intensificar a paixão do povo asiático pelo futebol. Depois, virou treinador do seu ex-time e da seleção japonesa, deixando legados estruturais, táticos e técnicos. Para o ídolo do Flamengo, o desenvolvimento dos Samurais Azuis premia um trabalho muito bem feito, com humildade e organização.
— Eu esperava (evolução tão grande do Japão), devido ao amadurecimento e profissionalismo que via. Quando você conhece a cultura do japonês, vê que, quando ele se apaixona por uma coisa, luta até o fim para melhorar. E eu também via potencial pelo biotipo dos jogadores e pelo trabalho que vinham fazendo. Trouxeram muitos profissionais qualificados, não só sul-americanos, mas europeus, africanos, de outros países da Ásia. Assim, o jogador japonês teve muitas escolas para se espelhar. Eu sempre confiei que eles cresceriam como cresceram — concluiu.

Japão em grande fase recente
O Japão garantiu vaga na Copa do Mundo pela primeira vez em 1998 e, desde então, disputou todas as edições realizadas. Em 2026, a seleção asiática tem como primeiro objetivo alcançar as quartas de final ineditamente, já que parou quatro vezes nas oitavas de final (2002, 2010, 2018 e 2022). No Mundial de 2022, no Catar, a equipe liderou grupo que tinha Alemanha e Espanha, vencendo as duas gigantes, e foi eliminada nos pênaltis pela Croácia no mata-mata.
Neste ciclo, os japoneses continuaram colecionando grandes resultados contra potências do futebol. Em 2023, golearam a Alemanha por 4 a 1. Em 2025, superaram o Brasil por 3 a 2. Já neste ano, bateram a Inglaterra por 1 a 0.
O Japão também passou tranquilo pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, com vaga direta após 13 vitórias, dois empates e apenas uma derrota, contra a Austrália. A única grande decepção do ciclo foi o desempenho na Copa da Ásia, da qual foi eliminado nas quartas de final pelo Irã.

O último treinador brasileiro a trabalhar no futebol japonês foi Zé Ricardo, com passagens por Flamengo, Vasco e outros gigantes do Brasileirão, que comandou o Shimizu S-Pulse entre 2022 e 2023. Por lá, viu de perto a consolidação do projeto nipônico rumo ao primeiro título mundial e se impressionou com a qualidade técnica e inteligência dos jogadores japoneses. Para o técnico, também não seria surpresa uma campanha recordista da seleção asiática em 2026.
— Existe um plano de desenvolvimento do esporte, o Plano de 100 anos, que busca levar os Samurais Azuis a um título mundial até 2050. Esse projeto é constituído de várias etapas, entre elas o crescente intercâmbio dos atletas japoneses para as principais ligas do mundo, que já vemos hoje. Será uma equipe muito competitiva e de qualidade nesta Copa do Mundo, com a melhor geração que já tiveram no futebol. Acredito muito que será a melhor participação do Japão na história. Para mim, não será nenhuma surpresa. Estou ansioso para acompanhá-los — contou ao Lance!.
Zé Ricardo trabalhava no Japão durante a última Copa do Mundo e presenciou o interesse intenso dos japoneses, que não é exclusivo do período de realização da maior competição de seleções. Pelo contrário, já se mostrava durante todo o ano, também nos torneios de clubes.
— O povo japonês está cada vez mais apaixonado pelo futebol, apesar de não ser o esporte número 1, ficando atrás do beisebol e do sumô. O futebol vem ganhando espaço no coração dos japoneses. Os estádios estão sempre lotados. As torcidas dão verdadeiros espetáculos a cada rodada da J-League (Campeonato Japonês). Com o crescimento constante e os recentes resultados de clubes e da seleção nacional, o entusiasmo tomou conta do povo. Planejamento e pragmatismo fazem eles acreditar que é possível uma grande conquista no futuro, assim como a seleção feminina já conseguiu em 2010. Nesta Copa, certamente os índices de audiência no país serão altíssimos, bem como a presença da apaixonada torcida japonesa nos estádios — acrescentou.
Sensei Moriyasu: o comandante japonês
Enquanto tantas seleções contratam treinadores estrangeiros, o Japão opta por um técnico formado no futebol local: Hajime Moriyasu, de 57 anos, que será o primeiro a treinar o país asiático em duas copas consecutivas. O comandante da seleção foi volante, disputou a liga japonesa e defendeu a equipe nacional em 35 jogos. Depois, construiu a carreira fora dos gramados também no próprio país. Em 2018, assumiu o cargo atual. De lá para cá, soma 104 jogos, 73 vitórias, 13 empates e 18 derrotas.
O Japão é usualmente escalado por Moriyasu em um esquema 3-4-2-1, utilizando zagueiros com boa saída de bola e alas ofensivos. A seleção se notabiliza pela organização, disciplina e paciência. Quando pressionado, o time japonês não se afoba e tem calma para tocar a bola, mas sem tirar a velocidade das jogadas. Ao perder a posse, a equipe se reorganiza rápido e usa a pressão no meio-campo para tirar o conforto do adversário.

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Lesões colocam Copa do Japão em risco
A organização tática japonesa precisará superar perdas muito duras. Isso porque a seleção disputará a Copa do Mundo sem três dos seus principais jogadores: o volante Wataru Endo (Liverpool), o meio-campista Takumi Minamino (Monaco) e o atacante Kaoru Mitoma (Brighton), todos lesionados. Enquanto o primeiro era o capitão e principal referência técnica do setor intermediário, os outros dois se associavam no lado esquerdo do campo para produzir as jogadas mais criativas da equipe.
Minamino, atleta de 31 anos com passagem pelo Liverpool, já era desfalque esperado, pois rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em dezembro do ano passado. Mitoma, por sua vez, sofreu lesão muscular em maio deste ano. O atacante de 29 anos é um dos mais talentosos do país e simboliza a dedicação do futebol nipônico: o astro do Brighton estudou a arte dos dribles em universidade no Japão para se tornar um dos melhores do mundo no fundamento.
Para piorar, o principal líder da equipe precisou ser repentinamente cortado no último dia 11. Shuto Machino (Borussia Mönchengladbach) foi chamado para o lugar de Endo, que sofreu com problemas físicos durante toda a temporada. O zagueiro Ko Itakura (Ajax) herdou a braçadeira de capitão.

Nem todos os destaques estão machucados
Apesar do desfalque de grandes astros, o Japão ainda conta com talentos espalhados pelas principais ligas europeias, movimento que comprova o crescimento do país no esporte nos últimos anos. Entre os nomes mais conhecidos, estão o zagueiro Hiroki Ito (Bayer de Munique), pilar da defesa japonesa, e o ala Yuto Nagatomo (FC Tokyo), veterano de 39 anos com passagem vitoriosa pela Inter de Milão.
O país também aposta em atletas jovens em evolução no futebol europeu. É o caso do atacante Takefusa Kubo, ex-Real Madrid, campeão da Copa do Rei com a Real Sociedad na última temporada. Aos 25 anos, o ponta precisará assumir o protagonismo criativo nas ausências de Mitoma e Minamino. O canhoto integra o quarteto dos convocados mais valiosos da seleção japonesa, segundo o "Transfermarkt", composto também por Kaishu Sano (Mainz), Yuito Suzuki (Freiburg) e Zion Suzuki (Parma).
Mas a principal esperança de gols certamente é o centroavante Ayase Ueda, de 27 anos. Pelo Feyenoord, marcou incríveis 25 gols em 31 jogos na última edição do Campeonato Holandês. Com a camisa da seleção, já anotou 16 gols em 39 partidas, um deles justamente na vitória sobre o Brasil.
Jogadores mais valiosos do elenco japonês:
| Jogador | Posição | Idade | Clube | Valor |
|---|---|---|---|---|
Kaishu Sano | Volante | 25 | Mainz 05 | € 40 milhões |
Yuito Suzuki | Atacante | 24 | Freiburg | € 24 milhões |
Takefusa Kubo | Atacante | 25 | Real Sociedad | € 20 milhões |
Zion Suzuki | Goleiro | 23 | Parma | € 20 milhões |

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Convocação do Japão para a Copa do Mundo
- Goleiros: Zion Suzuki, Keisuke Osako e Tomoki Hayakawa;
- Defensores: Hiroki Ito, Junnosuke Suzuki, Ayumu Seko, Shogo Taniguchi, Tsuyoshi Watanabe, Ko Itakura, Takehiro Tomiyasu, Yukinari Sugawara e Yuto Nagatomo;
- Meio-campistas: Daichi Kamada, Ao Tanaka, Kaishu Sano, Shuto Machino, Keito Nakamura, Daizen Maeda, Ritsu Doan, Yuito Suzuki e Junya Ito;
- Atacantes: Ayase Ueda, Koki Ogawa, Kento Shiogai, Keisuke Goto e Takefusa Kubo.
Calendário da seleção japonesa na primeira fase
- vs. Holanda, no domingo (14), às 17h (de Brasília), em Dallas (EUA)
- vs. Tunísia, no domingo (21), às 01h (de Brasília), em Monterrey (MEX)
- vs. Suécia, na quinta-feira (25), às 20h (de Brasília), em Dallas (EUA)
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