Estreantes da Copa: Uzbequistão tem técnico lendário e legado de Zico

Ídolo do Flamengo relembrou passagem pelo país em entrevista exclusiva ao Lance!

Rio de Janeiro (RJ)
11/06/2026 09:30
Atualizado há 2 minutos
Zico passa instruções ao zagueiro Luizão durante sua passagem pelo Uzbequistão
Zico passa instruções ao zagueiro Luizão durante sua passagem pelo Uzbequistão (Foto: Divulgação)
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A seleção do Uzbequistão é uma das quatro estreantes na Copa do Mundo de 2026, organizada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México. Treinada por uma lenda do torneio, Fabio Cannavaro, a 50ª colocada do ranking da Fifa está no Grupo K, ao lado de Portugal, Colômbia e Congo. E o mais curioso é que o processo do país até esse marco teve influência brasileira, conforme Zico relembrou em entrevista exclusiva ao Lance!.

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No final da década de 2000, o magnata do setor petrolífero uzbeque Miradil Djalalov investiu fortemente no clube Bunyodkor. Assim, contratou Rivaldo para ser o astro do time entre 2008 e 2010. Apoiado pelo craque, Zico também rumou ao país asiático, inicialmente para treinar a seleção nacional. No entanto, o plano sofreu uma reviravolta.

— O dono do time do Rivaldo era apaixonado pela Seleção Brasileira. Se ele pudesse, levava a Seleção toda. O Rivaldo falou com ele, que me chamou para ser técnico da seleção, mas a seleção só tinha um jogo, contra o Japão, durante os meses em que eu ia ficar lá. O presidente do nosso time tinha um relacionamento com a filha do presidente da república (Gulnara Karimova) e era bilionário, dono de negócios variados. Quando eu cheguei lá, o time do Rivaldo estava quatro pontos atrás do primeiro colocado e ele, como presidente, tomou uma atitude e falou assim: "Não, você vai ser técnico do meu time". E o treinador do time, que era o melhor jogador de futebol da história do Uzbequistão (Mirdzhalol Kasymov), foi para a seleção — relatou o ídolo rubro-negro.

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Durante pouco mais de três meses de trabalho, o Galinho de Quintino comandou o clube ao título nacional e da Copa, além de campanha semifinalista na Champions League asiática. Para isso, contou com um ótimo elenco, receptivo às suas ideias, e superou os desafios estruturais.

— A infraestrutura era zero. A gente treinava num campo que nem vestiário tinha. A gente já tinha que ir pronto para os jogos, até para fazer xixi tinha que ser no mato (risos). E eu olhava o Rivaldo ali, campeão do mundo, treinando para caramba, não acreditava no que estava vendo. Mas me surpreendi muito com o talento e a inteligência dos jogadores do Uzbequistão. O futebol do Uzbequistão é muito técnico, de muita qualidade — contou.

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Fabio Cannavaro, único zagueiro Bola de Ouro e atual técnico do Uzbequistão (Foto: Franck Fife / AFP)
Fabio Cannavaro, único zagueiro Bola de Ouro e atual técnico do Uzbequistão (Foto: Franck Fife / AFP)

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Zico permaneceu no Bunyodkor de setembro de 2008 a janeiro de 2009. Em junho, o compatriota Felipão assumiu a vaga, também a convite de Rivaldo, e deu seguimento ao projeto por mais um ano. Ambos deixaram como legado mudanças estruturais que possibilitaram o desenvolvimento do futebol uzbeque a longo prazo.

— Eles tinham uma relação muito boa com o futebol, era um dos principais esportes, mas a infraestrutura era muito fraca. Os estádios eram envelhecidos, a gente não tinha hotel para ficar na véspera dos jogos, então tinha que ir no dia do jogo, almoçar num restaurante qualquer da cidade e depois ir para o estádio. Uma infraestrutura muito ultrapassada. Mas o presidente, com o dinheiro que tem, aproveitou alguns conselhos, algumas ideias, e o time foi crescendo. Quando saí de lá, chegou o Felipão e foi bem também — rememorou Zico.

O atacante Shomurodov disputa a bola com dois defensores do Canadá; veterano é o segundo jogador mais valioso do time (Foto Jeff Vinnick / AFP)
O atacante Shomurodov disputa a bola com dois defensores do Canadá; veterano é o segundo jogador mais valioso do time (Foto Jeff Vinnick / AFP)

Zico exalta técnica dos uzbeques

Apesar das transformações necessárias, o talento e esforço dos uzbeques já chamavam atenção. Para o Galinho, então, não é surpresa que tenham conseguido a vaga na próxima Copa do Mundo.

— Eu acho que a gente deve ter contribuído de alguma forma, mas o estilo de jogo deles era muito voltado para a técnica, a qualidade, jogavam futebol realmente, não era aquela coisa meio dura, de jogo físico, não. Eles gostam de trabalhar muito com bola, o tempo todo. Mesmo nos dias de treino físico, eles preferiam que tivesse bola, então eu tinha que ser criativo para cativá-los. O futebol deles é um futebol técnico, que se adapta bem ao que os brasileiros fazem — concluiu.

A infraestrutura precária acabou sendo o motivo para Zico trocar o clube uzbeque pelo CSKA Moscou, da Rússia. A passagem de apenas três meses, porém, é vista com ótimos olhos pelo flamenguista.

— E eu só saí de lá por causa da falta de estrutura mesmo, porque, se eu ficasse, eu acho que a gente ia decolar… O presidente era doido, muito doido, mas também doido por nós, brasileiros. E tinha muito dinheiro, muito. Eu gostei muito de trabalhar com o pessoal de lá, foram muito legais. E espero que a infraestrutura tenha melhorado bastante. Eles me ouviram, fizeram mudanças no estádio, construíram um CT próximo. Arrumaram uma casa para mim de outro mundo, mas optei por ir para a Rússia pela competitividade e infraestrutura — relembrou.

Por mais que as equipes do Uzbequistão não tenham mais feito investimentos em personagens tão badalados recentemente, a iniciativa promovida entre o final dos anos 2000 e início da década de 2010 ajudou a fomentar o futebol no país. Atualmente, a liga local conta com cinco jogadores brasileiros: Alex Fernandes, Flamarion, Ratinho, Rafael Sabino e Elzio Lohan.

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Como o Uzbequistão chega ao Mundial?

O comandante uzbeque é Fabio Cannavaro, capitão da Itália na conquista de 2006 e vencedor da Bola de Ouro no mesmo ano, tornando-se o primeiro zagueiro a ser condecorado com o prêmio. No entanto, curiosamente, não foi o ex-defensor que liderou a seleção ao Mundial. Srecko Katanec e Timur Kapadze foram os treinadores na campanha nas Eliminatórias. O italiano assumiu o cargo apenas em outubro do ano passado. Desde então, disputou oito amistosos, com cinco vitórias e três derrotas.

Uzbequistão desde a chegada de Fabio Cannavaro:

  1. Uzbequistão 2 x 0 Kuwait
  2. Uzbequistão 1 x 2 Uruguai
  3. Uzbequistão 2 x 0 Egito
  4. Uzbequistão 4 x 3 Irã
  5. Uzbequistão 3 x 1 Gabão
  6. Uzbequistão 5 x 4 Venezuela
  7. Uzbequistão 0 x 2 Canadá
  8. Uzbequistão 1 x 2 Holanda

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Em campo, Cannavaro terá justamente um zagueiro como protagonista na Copa do Mundo. Apesar de jovem, com apenas 22 anos de idade, Abdukodir Khusanov é de longe o jogador mais conhecido do Uzbequistão. O defensor é treinado por Pep Guardiola no Manchester City, que pagou 40 milhões de euros (R$ 260 milhões na época) por sua contratação, concretizada no início do ano passado. O restante do elenco é formado por muitos jogadores do futebol local, mas também de países como Turquia, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Irã.

Khusanov marca Viktor Gyökeres, do Arsenal, na final da Copa da Liga Inglesa (Foto: Adrian Dennis / AFP)
Khusanov marca Viktor Gyökeres, do Arsenal, na final da Copa da Liga Inglesa (Foto: Adrian Dennis / AFP)

Campanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo

Com capacidade técnica e vigor físico, o Uzbequistão fez campanha surpreendente nas Eliminatórias Asiáticas. Na segunda fase, terminou o Grupo E na vice-liderança, com os mesmos 14 pontos do Irã. Assim, avançou para a terceira fase, quando novamente só ficou atrás do Irã no Grupo A, conquistando 21 pontos em dez jogos e se classificando diretamente para a Copa do Mundo.

SeleçãoPontosJogosVitóriasEmpatesDerrotasSaldo

Irã

23

10

7

2

1

+ 11

Uzbequistão

21

10

6

3

1

+ 7

Emirados Árabes Unidos

15

10

4

3

3

+ 7

Catar

13

10

4

1

5

- 7

Quirguistão

8

10

2

2

6

- 6

Coreia do Norte

3

10

0

3

7

- 12

Sobre o Uzbequistão

Características gerais:

  • Localização: Ásia Central
  • População: 35.163.944 habitantes (18ª maior da Ásia)
  • Língua oficial: uzbeque
  • Área: 448 978 km² (16ª maior da Ásia)
  • Religião predominante: islamismo

Seleção:

  • Maiores conquistas: Jogos Asiáticos (1994)* e Cafa Nations Cup (2025)**
  • Recordista de jogos: Server Djeparov (128), aposentado desde 2020
  • Maior artilheiro: Eldor Shomurodov (44), ainda em atividade

*Jogos Asiáticos: torneio de futebol dentro do evento poliesportivo asiático
**Cafa Nations Cup: torneio entre seleções da Ásia Central

Jogadores mais valiosos da atual seleção:

JogadorClubePosiçãoIdadeValor

Abdukodir Khusanov

Manchester City (ING)

Zagueiro

22

€ 35 milhões

Eldor Shomurodov

Başakşehir FK (TUR)

Centroavante

30

€ 7 milhões

Abbosbek Fayzullaev

Başakşehir FK (TUR)

Ponta direita

22

€ 7 milhões

Aziz Ganiev

Al-Bataeh CSC (EAU)

Meia central

28

€ 2 milhões

Oston Urunov

Persepolis FC (IRA)

Ponta esquerda

25

€ 2 milhões

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