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Paixão por Messi e viradas heroicas: a receita argentina para repetir a façanha do Brasil

Argentinos superam problemas físicos em busca do bicampeonato consecutivo

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
19/07/2026 06:00
Scaloni passa instruções a Messi durante duelo entre Argentina e Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo
Scaloni passa instruções a Messi durante duelo entre Argentina e Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo (Foto: Odd Andersen / AFP)

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A Argentina busca ser a primeira bicampeã consecutiva da Copa do Mundo desde o Brasil em 1962. A equipe de Lionel Scaloni mantém a base do último título, com 17 remanescentes entre os 26 convocados, e aposta mais na continuidade do que na renovação. Envelhecida, a Albiceleste superou problemas físicos e jogos dramáticos no mata-mata, com duas prorrogações e duas viradas, para chegar a mais uma final.

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Mais velhos, nunca acabados

A idade média da lista de convocados argentina cresceu de 27,9 anos em 2022 para 28,7 anos em 2026, enquanto a do time titular saiu de 27,7 para 30 anos. Antes do início do Mundial, o envelhecimento era o grande motivo de preocupação dos jornalistas argentinos, mesmo após um ciclo de resultados até superiores ao anterior.

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Times-base da Argentina em 2022 e 2026:

  1. Dibu Martínez (30 anos) x Dibu Martínez (33 anos)
  2. Molina (24 anos) x Molina (28 anos)
  3. Romero (24 anos) x Romero (28 anos)
  4. Otamendi (34 anos) x Martínez (28 anos)
  5. Taglafico (30 anos) x Tagliafico (33 anos)
  6. De Paul (28 anos) x De Paul (32 anos)
  7. Mac Allister (23 anos) x Mac Allister (26 anos)
  8. Enzo Fernández (21 anos) x Enzo Fernández (25 anos)
  9. Di María (34 anos) x Paredes (32 anos)
  10. Messi (35 anos) x Messi (39 anos)
  11. Alvarez (22 anos) x Alvarez (26 anos)
  12. Média: 27,7 anos x 30,0 anos

Apesar da campanha finalista, com direito a duas prorrogações no caminho, contra Cabo Verde e Suíça, o comunicador argentino Sergio Levinsky acredita que as dificuldades físicas foram, sim, o obstáculo previsto. Não só pela idade avançada, mas também pelas várias lesões que jogadores como Romero, Molina, Montiel, Tagliafico, Paredes, Alvarez e até Messi superaram pouco antes do torneio.

— O estado físico tem sido um problema neste Mundial. A seleção argentina teve várias partidas em que não esteve bem por causa da questão física, como contra Cabo Verde, Egito e Suíça. Eu acredito que passou por dificuldades porque vários jogadores não estão no seu ponto ideal, não chegaram bem, entre lesionados e desgastados — afirmou ao Lance!.

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Gestão de Scaloni é um dos segredos

Para o jornalista, o segredo para a Argentina prosperar diante da limitação física é a forma como Scaloni gere o elenco. Ainda que o técnico só utilize 17 dos 26 jogadores com frequência, consegue dosar a minutagem de cada um. Além disso, o início de campanha com duas vitórias possibilitou a utilização dos reservas no terceiro jogo, contra a Jordânia.

— O segredo está na administração do tempo de cada um dos jogadores. Nisso, o Scaloni e a sua comissão técnica estão fazendo um trabalho excepcional. Principalmente na forma como ele os dosa, quanto tempo coloca cada um em campo, quando faz as substituições… Por exemplo, contra a Inglaterra, essa administração foi clara. Então, é isso que acaba fazendo com que a Argentina saiba aproveitar muito bem esse estado físico dos jogadores. Mas ele está "espremendo" o pouco que lhes resta, sabe? Ou seja, não é que eles estejam muito bem fisicamente — acrescentou.

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Lionel Messi bebe água durante jogo entre Argentina e Suíça pelas quartas de final da Copa do Mundo
Lionel Messi se refresca durante jogo entre Argentina e Suíça pelas quartas de final da Copa do Mundo (Foto: Juan Mabromata / AFP)

Em média, o time argentino percorre 2 km a menos por jogo do que em 2022. A diferença não é tão impactante, mas ajuda a explicar a oscilação da Albiceleste no decorrer das partidas. Em compensação, os jogadores sabem guardar as energias para competir nos momentos fundamentais: chegaram à decisão sendo o país com menor velocidade média na Copa do Mundo (5,6 km/h).

E ninguém exemplifica isso melhor do que o craque Lionel Messi, com uma média de apenas 6,4 km percorridos a cada 90 minutos no torneio. Aos 39 anos, o astro se resguarda sempre que possível para ter energia para decidir os jogos. Assim, fez gol e deu assistência na reta final da partida contra o Egito e deu duas assistências no desfecho do duelo com a Inglaterra.

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Messi na Copa do Mundo de 2026:

MinutosGolsAssistênciasDistância percorrida

Argélia

80'

3 (17', 60', 76')

0

7 km

Áustria

+ 90'

2 (38', 95')

0

7,7 km

Jordânia

30'

1 (80')

0

2,5 km

Cabo Verde

+ 120'

1 (29')

0

10,3 km

Egito

+ 90'

1 (83')

1 (79')

8,2 km

Suíça

+ 120'

0

1 (10')

10,2 km

Inglaterra

+ 90'

0

2 (85', 92')

8,2 km

Além de dosar a minutagem dos seus jogadores, Scaloni também evita desgastar demais os seus atletas na preparação para os jogos. O treinador já afirmou repetidas vezes que faz questão de que os argentinos também tenham momentos de descontração e relaxamento, como nos churrascos organizados pelo elenco ao longo da Copa do Mundo.

— Não sou técnico porque gosto do 4-3-3. Eu gosto de voltar a viver isso: fazer parte de um grupo, estar com um amigo tomando mate, comendo um churrasco, jogando truco. E se a única coisa que você pensa é no jogo, no jogo, no jogo, no final você acaba esgotado, se não aproveitar. Eu acho que isso é fundamental para nós. (…) E aqui, eu acredito que eles entenderam isso. Quando diminuímos o treino para comer churrasco, é por isso. São coisas que valorizamos muito. E acho que, para outras pessoas, não é tão importante — afirmou o técnico em coletiva.

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Efeito Messi e garra argentina

Além de qualquer preparação, a Argentina supera os problemas físicos muito pela garra. A paixão albiceleste se manifesta antes mesmo de a bola rolar, quando os jogadores entoam o hino com entusiasmo contagiante. Dentro de campo, entram firmes em qualquer dividida, disputam cada bola e, como ficou muito claro, não desistem do resultado até o apito final.

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Messi e Dibu Martínez cantam hino da Argentina antes do jogo contra a Inglaterra
Messi e Dibu Martínez cantam hino da Argentina antes do jogo contra a Inglaterra (Foto: Odd Andersen / AFP)

A vontade hermana é uma característica de todas as equipes que representam o país, mas ganhou outra motivação recente: os últimos anos da carreira de Lionel Messi.

— O que acontece é que, com o Messi, a paixão argentina tornou-se ainda mais especial. Ou seja, há duas conexões neste elenco: dos jogadores com a seleção, que sempre existiu, mas também com Messi em particular. Eles são mais novos e o veem como líder: são gratos por sua humildade, pela forma como abriu as portas do vestiário, pelos conselhos e pelo tratamento igualitário dado a jogadores mais desconhecidos que o admiravam desde muito pequenos — contou Levinsky.

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Quando o ídolo albiceleste disputou a sua primeira Copa do Mundo, em 2006, jogadores como Julián Álvarez não passavam de pequenas crianças. Enzo Fernández, por exemplo, escreveu uma carta para o astro, aos 15 anos, pedindo para desistir de se aposentar da seleção. Desde o último Mundial, boa parte do elenco repete que "corre por Messi".

— Nesta equipe, há jogadores que admiravam o Messi desde a infância. O Messi joga há 22 anos. Então, vários desses jogadores, que antes eram apenas meninos, agora estão ao lado dele e mal conseguem acreditar. Isso faz com que essa admiração, somada ao fato de o Messi recebê-los de braços abertos como um amigo, seja fundamental. Eu acredito que é exatamente isso o que está acontecendo. Por isso, se você perguntar, muitos dirão que querem ser campeões pelo Messi. Querem que a Argentina e o Messi sejam campeões. Ou seja, existe uma dupla conexão, certo? — concluiu o jornalista.

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Companheiros abraçam Messi após classificação à final da Copa do Mundo
Companheiros abraçam Messi após classificação à final da Copa do Mundo (Foto: Paul Ellis / AFP)

O elenco tão conectado da Argentina não é fruto de uma geração que evoluiu junto; pelo contrário, poucos foram companheiros com regularidade nas seleções de base. A "família" albiceleste mescla jovens e veteranos, que se conectam através da paixão pelo país, respeito a Messi e muitos gostos comuns tipicamente argentinos. Em busca de mais um título, a "Scaloneta" enfrenta a Espanha neste domingo (19), às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA).

Convocação da Argentina para a Copa do Mundo de 2026:

JogadorPosiçãoIdadeClubeEsteve em 2022?

Dibu Martínez

Goleiro

33

Aston Villa

Sim

Gerónimo Rulli

Goleiro

34

Olympique

Sim

Juan Musso

Goleiro

32

Atlético

Não

Nahuel Molina

Lateral-direito

28

Atlético

Sim

Gonzalo Montiel

Lateral-direito

29

River Plate

Sim

Cuti Romero

Zagueiro

28

Tottenham

Sim

Otamendi

Zagueiro

38

Benfica

Sim

Lixa Martínez

Zagueiro

28

Man. United

Sim

Marcos Senesi

Zagueiro

29

Bournemouth

Não

Nicolás Tagliafico

Lateral-esquerdo

33

Lyon

Sim

Facundo Medina

Lateral-esquerdo

27

Olympique

Não

Rodrigo De Paul

Meio-campista

32

Inter Miami

Sim

Leandro Paredes

Meio-campista

32

Boca Juniors

Sim

Enzo Fernández

Meio-campista

25

Chelsea

Sim

Mac Allister

Meio-campista

27

Liverpool

Sim

Valentín Barco

Meio-campista

21

Strasbourg

Não

Lo Celso

Meio-campista

30

Betis

Não

Exequiel Palacios

Meio-campista

27

Leverkusen

Sim

Thiago Almada

Meio-campista

25

Atlético

Sim

Nico Paz

Meio-campista

21

Como

Não

Lionel Messi

Atacante

39

Inter Miami

Sim

Nico González

Atacante

28

Atlético

Não

Giuliano Simeone

Atacante

23

Atlético

Não

Flaco López

Atacante

25

Palmeiras

Não

Julián Álvarez

Atacante

26

Atlético

Sim

Lautaro Martínez

Atacante

28

Inter de Milão

Sim

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