Análise: segundo tempo da Seleção deixa dúvidas positivas para Ancelotti
Mudanças na etapa final ajudam Brasil a vencer no Maracanã

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A goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, neste domingo (31), no Maracanã, deixou uma sensação curiosa para a comissão técnica da Seleção Brasileira. O placar elástico poderia sugerir uma atuação dominante do início ao fim, mas o que se viu em campo foram dois times distintos vestindo a mesma camisa. E foi justamente a equipe da segunda etapa que saiu de campo com os maiores elogios e, principalmente, com a capacidade de gerar boas dúvidas para o técnico Carlo Ancelotti.
O Brasil iniciou a partida com uma formação que se aproxima daquela considerada titular para a disputa da Copa. A exceção estava na dupla de zaga, formada por Brener e Léo Pereira. O começo foi promissor. Logo nos primeiros minutos, Casemiro recuperou uma bola no campo ofensivo e a jogada terminou com um belo chute de Vinícius Júnior de fora da área para abrir o placar.
O cenário indicava uma tarde tranquila no Maracanã. Mas foi apenas uma impressão inicial.
Após o gol, a Seleção perdeu intensidade. As linhas ficaram espaçadas, a pressão na saída de bola praticamente desapareceu e o Panamá encontrou espaços para jogar. A equipe comandada por Ancelotti teve dificuldades para controlar o meio-campo e passou a permitir avanços perigosos do adversário.
O empate surgiu em uma fatalidade. Em uma cobrança de falta, a bola desviou em Matheus Cunha e enganou Alisson. O lance premiou um Panamá que já vinha crescendo na partida e que, inclusive, conseguiu finalizar outras duas vezes com perigo ao gol brasileiro.
Durante boa parte do primeiro tempo, o Brasil pareceu desconectado. Faltava compactação entre os setores e a equipe dependia mais das individualidades do que de um funcionamento coletivo consistente. Nesse contexto, Vinícius Júnior foi o principal destaque. Além do gol, participou das ações mais perigosas e foi dele o cruzamento preciso para Casemiro marcar de cabeça o segundo gol brasileiro pouco antes do intervalo.
A vantagem no placar, porém, não escondia as dificuldades apresentadas pela equipe.
Dúvidas positivas: mudanças melhoram a Seleção
Na volta para o segundo tempo, Ancelotti colocou em prática aquilo que havia prometido na entrevista coletiva da véspera, na Granja Comary. O treinador promoveu uma verdadeira revolução na equipe, trocando dez jogadores e mantendo apenas Léo Pereira em campo.
A mudança transformou completamente a partida.
Com pernas novas e uma proposta mais agressiva, o Brasil passou a pressionar a saída de bola panamenha de maneira coordenada. A intensidade aumentou, as linhas ficaram mais próximas e o adversário teve muito menos espaço para construir suas jogadas.
O terceiro gol nasceu exatamente desse comportamento. Igor Thiago pressionou o goleiro adversário, forçou o erro e a bola sobrou para Rayan acertar um belo chute da entrada da área. Um golaço que simbolizou a nova postura da Seleção.
A partir daí, o domínio brasileiro foi absoluto.
Paquetá e Danilo Santos passaram a comandar as ações ofensivas com movimentação constante, trocas de posição e participação direta nas jogadas de ataque. Não por acaso, ambos foram citados por Ancelotti na entrevista pós-jogo como atletas que corresponderam plenamente às expectativas.
O quarto gol surgiu justamente de uma construção envolvendo os dois jogadores. Pouco depois, Igor Thiago confirmou sua boa atuação ao sofrer e converter um pênalti. Além da participação direta no placar, o centroavante ofereceu uma referência ofensiva importante, pressionou a defesa adversária e mostrou intensidade sem a bola.
O sexto gol fechou a grande atuação da equipe alternativa. Em mais uma combinação entre Paquetá e Danilo Santos, o jogador do Flamengo encontrou o companheiro livre na área para ampliar a vantagem.
O Panamá ainda conseguiu descontar em um lance isolado, com um belo chute de fora da área sem chances para Ederson. Mas o gol pouco alterou a impressão deixada pelo segundo tempo brasileiro.
Se o primeiro tempo gerou preocupação pela falta de compactação e intensidade, a etapa final trouxe exatamente os elementos que Ancelotti busca implementar na Seleção: pressão alta, agressividade na recuperação da bola, movimentação constante e protagonismo coletivo.
Mais do que os seis gols marcados, o que ficou para o torcedor presente no Maracanã foi a sensação de que a equipe reserva apresentou o futebol mais atraente e convincente da noite. E isso pode representar um problema positivo para Carlo Ancelotti.
As chamadas "boas dúvidas", como definiu o próprio treinador, agora fazem parte do planejamento para a reta final de preparação.
A próxima oportunidade de observação será diante do Egito, no dia 6, em Cleveland. Até lá, Ancelotti terá a missão de avaliar se os jogadores que iniciaram a partida seguem realmente à frente na disputa por uma vaga entre os titulares.
Porque, depois do que aconteceu no Maracanã, uma pergunta passou a rondar a Seleção Brasileira: será que o time considerado titular hoje continuará sendo o escolhido para a estreia da Copa, no dia 13 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey?

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