Bernardinho diz que Brasil 'precisa achar caminho' e pede tempo a Ancelotti
Treinador da Seleção Masculina de Vôlei está nos EUA para a VNL

MIAMI, FL (EUA) - Carlo Ancelotti precisa de tempo, e a Seleção Brasileira deve reencontrar o seu caminho "com os profissionais que estejam dispostos a pagar esse preço". Essa é a avaliação de Bernardinho, técnico da Seleção Masculina de Vôlei e um dos mais vitoriosos do País.
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O treinador falou ao Lance! na manhã deste domingo (12), no aeroporto de Miami. Ele estava com a Seleção Masculina de Vôlei em conexão para Chicago, onde a equipe nacional fará quatro jogos pela Liga das Nações de Vôlei (VNL, na sigla em inglês) a partir de quarta-feira (15).
Bernardinho usou o próprio vôlei como exemplo para o futebol, lembrando que sua equipe também está em um momento de transição.
— Como torcedor fiquei triste (com a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo), claro que queria ver mais. Mas, como treinador, eu entendo que infelizmente essa é a realidade do esporte. Você não vai ganhar sempre, tem que aprender com as lições, ter humildade, baixar a cabeça, e saber o que tem que fazer: precisamos reencontrar o nosso caminho, como também no vôlei nós estamos reencontrando nosso caminho. Requer tempo, trabalho, dedicação — considerou o técnico, que conquistou sete medalhas olímpicas, incluindo dois Ouros.
Bernardinho sobre trabalho de Ancelotti na Seleção: 'Um ano é pouco'
Segundo Bernardinho, a Seleção Brasileira e a comissão técnica Carlo Ancelotti terão de assimilar as cobranças.
— As críticas fazem parte do percurso, desde que elas sejam profissionais, jamais pessoais, não pode entrar nessa seara nunca, porque muitas vezes, com essa paixão exacerbada, as coisas se confundem. Tem que trabalhar, escolher as pessoas certas, aquelas que estão dispostas a pagar o preço. E qual o preço que se paga? Muita dedicação, disciplina e entrega.
O técnico da Seleção de Vôlei elogiou Carlo Ancelotti, e disse que o treinador italiano precisa de tempo para trabalhar.
— Um ano é muito pouco. Por mais que o Ancelotti seja um treinador super vitorioso, competente e um grande líder, precisa de tempo. Tempo de conhecimento, tempo de entendimento, como a geração funciona, como é o futebol brasileiro, o jogador brasileiro, embora ele tenha dirigido alguns, mas não era uma Seleção Brasileira. E a própria Seleção, ele dirigiu grandes times, mas não uma seleção, que é diferente. Você não tem uma temporada inteira, você tem períodos curtos — lembrou Bernardinho.
— Eu tenho certeza que com a capacidade, a inteligência, toda a experiência que tem o Ancelotti, ele vai encontrar o caminho. Tenho muita confiança, sou um admirador. E de outros também, não quero aqui falar de A ou B, mas o Ancelotti eu tive a oportunidade de assistir ainda jogando, quando fui pra Itália ainda jovem e ele jogava no Milan. Era um líder dentro de campo, e se transformou num treinador que o mundo reconhece como grande treinador.

Brasil busca recuperação na VNL
A Seleção Masculina de Vôlei busca recuperação na VNL após uma sequência de resultados ruins na segunda semana de competição. No fim de junho, o time de Bernardinho perdeu em sequência para Ucrânia, Itália e Eslovênia, superando apenas o Canadá. Os resultados deixaram o Brasil em 9º lugar na tabela, fora da zona de classificação à próxima fase.
— Esta é a semana mais dura. Fizemos uma boa primeira semana, mas uma segunda semana muito ruim, na Eslovênia, e agora precisamos resgatar nosso voleibol. Tivemos uma semana muito boa de treinamentos, e agora temos que transformar isso em desempenho nas partidas. Serão jogos muito difíceis, contra a França bicampeã olímpica, Polônia, primeira ou segunda no ranking, seleção fortíssima, Estados Unidos, donos da casa, um dia de folga e depois a China. Pelo menos duas vitórias serão fundamentais para que a gente possa almejar uma classificação às finais. É um processo, uma construção. As cobranças estão aí, mas vamos fazer o nosso melhor — observou Bernardinho
Na avaliação do técnico, a Seleção de Vôlei precisa buscar consistência, mas é sobretudo a sequência de jogos que vai fazer o time crescer.
— (A chave é) consistência, e mais do que isso, rodagem. É uma geração que rodou pouco internacionalmente. Temos três jogadores com mais experiência, o Lucarelli, o Flávio e o Cachopa. Os outros jogadores têm muito pouca rodagem internacional, uma temporada, meia temporada, que não foram muito usados nos seus clubes, isso é uma preocupação que a gente tem. Um jogador que não tem a bola quente, que não é um jogador que decide nas suas ligas, dificilmente vai decidir na Seleção — considerou Bernardinho.
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