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Com Rayan no time e brilho de Vini Jr, Brasil evolui e ganha identidade

Seleção volta a jogar segunda-feira e Ancelotti elogia equipe antes do mata-mata

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
25/06/2026 07:30
Rayan e Vini Jr durante comemoração do primeiro gol da partida entre Brasil e Escócia. (Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
Rayan e Vini Jr durante comemoração do primeiro gol da partida entre Brasil e Escócia. (Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)

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A vitória por 3 a 0 sobre a Escócia não garantiu apenas a classificação do Brasil para a segunda fase da Copa do Mundo. Ela trouxe algo que talvez fosse ainda mais importante para Carlo Ancelotti: a sensação de que a equipe começa a adquirir uma identidade própria. A entrada de Rayan mudou o time para melhor. Com Vini Jr. novamente decisivo, Ancelotti comemorou a boa atuação:

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— Agora estamos jogando como uma equipe — afirmou.

Até aqui, a Seleção vinha acumulando resultados positivos, mas ainda alternava momentos de controle com períodos de instabilidade. Contra a Escócia, pela primeira vez na Copa, o desempenho pareceu constante do início ao fim. Houve volume ofensivo, intensidade sem a bola, recuperação rápida da posse e uma organização coletiva que não havia aparecido de forma tão clara nas partidas anteriores.

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O dado mais evidente está na produção ofensiva. Diante dos escoceses, o Brasil finalizou 21 vezes. Contra o Haiti haviam sido apenas oito chutes. Contra Marrocos, 12. O salto não aconteceu por acaso. Ele foi consequência direta de uma equipe que conseguiu pressionar melhor, recuperar bolas mais perto da área adversária e sustentar ataques durante períodos mais longos.

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Rayan ganha a disputa com McGinn e leva o Brasil ao ataque: caçula da seleção teve atuação destacada (Foto Chandan Khanna/AFP)

Rayan dá novo gás ao ataque

Boa parte dessa evolução passa por um personagem que nem sequer era titular antes do início do torneio. Aos 19 anos, Rayan, o caçula do elenco, recebeu sua primeira oportunidade entre os onze iniciais justamente em uma Copa do Mundo. O atacante entrou na equipe após a lesão de Raphinha e respondeu com uma atuação que ajuda a explicar por que o Brasil encontrou mais fluidez pelo lado direito do ataque.

Os números contam parte da história. Rayan deu uma assistência, criou uma grande chance, distribuiu quatro passes decisivos, acertou todos os 25 passes que tentou, completou os dois dribles que executou e venceu sete dos dez duelos que disputou. Foi o jogador com mais passes decisivos da partida.

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Dê suas notas: Brasil vence a Escócia com show de Vini Jr.

Mas a diferença não apareceu apenas nas estatísticas. Enquanto Raphinha vinha participando pouco da construção das jogadas, Rayan ofereceu mobilidade constante. Recuava para ajudar na circulação da bola, aproximava-se dos meio-campistas, atacava o espaço sem a posse e participava da pressão logo após a perda.

Quando se observa o desempenho dos dois no torneio, a mudança ganha ainda mais força. Em dois jogos como titular, Raphinha havia produzido três finalizações, três passes decisivos, apenas um drible certo em nove tentativas e apresentado 24% de eficiência nos duelos. Rayan, somando duas partidas e apenas uma como titular, já acumula uma assistência, duas grandes chances criadas, cinco passes decisivos, dois dribles certos em três tentativas e 56% de aproveitamento nos duelos.

A comparação é favorável a Rayan também quando o foco se desloca para o trabalho sem a bola, uma das exigências que Carlo Ancelotti mais tem reforçado desde que assumiu a Seleção. Nos dois primeiros jogos da Copa, Raphinha recuperou apenas três bolas e não registrou nenhum desarme, além de apresentar 24% de aproveitamento nos duelos disputados. Rayan, mesmo com menos minutos em campo, já soma quatro recuperações de posse, dois desarmes e 56% de eficiência nos confrontos individuais.

Os números ajudam a explicar por que o Brasil pressionou melhor a saída de bola da Escócia e conseguiu recuperar a posse em zonas mais avançadas do campo. Rayan participou ativamente desse comportamento coletivo. Não ficou restrito ao corredor direito esperando a bola chegar. Recuou para fechar linhas de passe, acompanhou os movimentos defensivos da equipe e contribuiu para encurtar espaços quando a Escócia tentava iniciar suas jogadas. Em uma Seleção que busca aumentar a intensidade da pressão alta sem perder organização, essa disposição para participar das fases defensivas pesa tanto quanto a contribuição ofensiva.

Vini Jr protagonista

Se Rayan foi a novidade mais interessante da noite, Vinicius Júnior confirmou uma tendência que já vinha se desenhando desde a estreia.

O atacante do Real Madrid parece cada vez mais confortável no papel de protagonista da Seleção. Durante anos, a equipe viveu em torno de Neymar. Agora, mesmo com o camisa 10 novamente à disposição, é Vinicius quem ocupa naturalmente o centro das atenções.

Contra a Escócia, voltou a ser decisivo. E seus números na Copa começam a colocá-lo entre os grandes nomes do torneio. Com quatro gols em três partidas, é o vice-artilheiro da competição, apenas um atrás de Lionel Messi.

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A impressão deixada nesta primeira fase é a de que o Brasil finalmente encontrou um jogador capaz de decidir partidas em sequência no maior palco do futebol.

Vini Jr contra a Escócia (Foto: Sports Press Photo / Sports Press Photo/Fotoarena/Folhapress)
Vini Jr contra a Escócia (Foto: Sports Press Photo / Sports Press Photo/Fotoarena/Folhapress)

Bruno Guimarães é o pulmão do meio-campo

Bruno Guimarães talvez esteja fazendo a Copa mais consistente de sua carreira. Contra a Escócia, distribuiu duas assistências. Com isso, chegou a três passes para gol no torneio, igualando os números de Michael Olise, da França, e Alexander Isak, da Suécia.

Desde 1966, nenhum brasileiro havia conseguido somar três assistências nos três primeiros jogos de uma Copa do Mundo.

O meio-campista também entrou para um grupo restrito de jogadores da Seleção que conseguiram dar dois passes para gol em uma mesma partida de Mundial. No século XXI, apenas Kaká havia alcançado a marca.

Sua importância vai além das assistências. Bruno conecta os setores do time. Aproxima a saída de bola da construção ofensiva, ajuda na recuperação da posse e aparece com frequência entre as linhas adversárias. A cada partida, sua influência aumenta.

Talvez por isso o Brasil tenha conseguido sustentar um controle maior dos jogos.

Contra a Escócia, terminou com 54% de posse de bola diante de 46% dos rivais. Trocou 606 passes contra 499 dos escoceses e produziu mais ações ofensivas praticamente em todos os indicadores relevantes.

A superioridade ofensiva, porém, começou sem a bola. A dificuldade dos defensores escoceses para sair jogando teve relação direta com a maneira como o Brasil pressionou. A equipe de Ancelotti não correu de forma desorganizada em direção ao portador da bola. Primeiro, fechava as linhas de passe mais próximas. Depois, acelerava de maneira coordenada.

O resultado aparecia quando os zagueiros escoceses levantavam a cabeça e encontravam poucas opções disponíveis. Muitas vezes, a pressão brasileira já chegava antes de a decisão ser tomada. Assim saiu o primeiro gol, após Rayan servir Vini Jr. Foi um comportamento coletivo que ajudou a explicar o volume ofensivo produzido.

Bruno Guimarães chuta na partida entre Brasil x Escócia pela Copa do Mundo (Photo by CHANDAN KHANNA / AFP)
Bruno Guimarães deu duas assistências e é o líder de passes para gols na Copa, ao lado do francês Olise (Foto Chandan Khann / AFP)

Escócia teve 14 finalizações

Nem tudo, porém, foi perfeito. Apesar do placar confortável, a Escócia encontrou espaços em alguns momentos e conseguiu finalizar 14 vezes. Foram cinco chutes no alvo e duas grandes chances criadas.

A diferença esteve justamente no desempenho de Alisson. Pela primeira vez nesta Copa, o goleiro foi realmente exigido. Terminou a partida sem sofrer gols, realizou cinco defesas, quatro delas em finalizações dentro da área, e registrou 1,23 gol evitado segundo os modelos estatísticos. Em outras palavras, impediu que oportunidades com boa probabilidade de gol se transformassem em prejuízo para o Brasil.

Ao longo da primeira fase, a defesa brasileira sofreu apenas um gol e manteve dois jogos sem ser vazada. Os números são positivos, mas ainda revelam pontos que exigem atenção. Contra Marrocos, a equipe permitiu 14 finalizações e duas grandes chances. Contra a Escócia, repetiu exatamente esses números.

Talvez o aspecto mais interessante da noite tenha surgido nos minutos finais. Após 981 dias da grave lesão sofrida atuando pela Seleção, Neymar voltou a disputar uma partida pelo Brasil.

Foi uma participação discreta. Durante os 14 minutos em campo, o camisa 10 acertou 12 dos 13 passes que tentou e participou de 24 ações com a bola. Também assumiu cobranças de escanteio e faltas, além de colaborar na recomposição defensiva.

A comissão técnica parece determinada a reintegrá-lo gradualmente ao time. O mesmo vale para Endrick, que também tem sido utilizado de forma controlada.

Depois de três partidas, a sensação é de que o Brasil começa a construir algo mais sólido do que simplesmente um conjunto de talentos reunidos.

A equipe marcou sete gols dentro da área, cria em média quatro grandes chances por jogo, finaliza quase 14 vezes por partida e mantém 54% de posse de bola. Os números ajudam a explicar o crescimento coletivo, festejado pelo técnico Carlo Ancelotti em entrevista após a partida:

— Estou contente porque o time melhorou muito. Agora estamos sólidos. No mata-mata, a solidez é muito importante. Comparando com o primeiro jogo, temos menos erros, mais ritmo, mais efetividade na frente. Não estamos perfeitos, temos coisas a melhorar. Podemos ser um pouco mais rápidos quando temos o controle. Mas houve uma evolução — analisou.

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Pela primeira vez desde o início do Mundial, o Brasil pareceu um time que sabia exatamente o que queria fazer quando tinha a bola e também quando precisava recuperá-la. Em uma Copa do Mundo, essa costuma ser uma diferença importante. Às vezes, decisiva.

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