Copa do Mundo com 48 seleções tem fase de grupos de alto nível e regulamento contraditório
Duelos surpreendentes amenizam preocupações sobre desequilíbrio entre países

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A Copa do Mundo de 2026 representou a estreia do novo formato, com 48 seleções e mudanças importantes no regulamento, além do recorde de três sedes (Canadá, Estados Unidos e México). Muito transformada, a fase de grupos do Mundial não deixou a desejar em termos de emoção e nível de jogo, mas a plena compreensão exigiu adaptação do público.
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Equilíbrio, surpresas e expectativas superadas
O aumento de 32 para 48 seleções gerou um receio imediato: que o nível dos jogos despencasse. O aparente desequilíbrio entre as principais potências e equipes que não teriam se qualificado no antigo formato, com expectativa de frequentes goleadas, não se confirmou em campo e a fase de grupos possibilitou resultados surpreendentes, como o empate da estreante Cabo Verde com a Espanha.
O início do Mundial reforça o nivelamento do futebol mundial ou, como na linguagem dos boleiros, que "não há mais bobo no futebol". Seleções com menos recursos técnicos são capazes de igualar as partidas com organização tática. Se antes a ampliação de participantes causava temor, hoje já tem quem defenda um novo aumento para 64 países.

E, ainda mais importante, tal nivelamento não aconteceu com duelos entediantes, muito pelo contrário. Ao todo, foram 215 gols em 72 jogos, com média de 2,99 por partida, a melhor desde a Copa do Mundo de 1958. Em 2022, a média da fase de grupos foi de 2,69 gols por jogo.
Em meio à imprevisibilidade dos jogos, os craques desequilibram. Os maiores astros da Copa do Mundo, como Lionel Messi, Kylian Mbappé, Erling Haaland e Vini Jr, brilharam na fase de grupos e entregaram exibições à altura do que os torcedores queriam.

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Formato contraditório e de difícil compreensão
Com a distribuição das 48 seleções em 12 grupos, a Fifa definiu que os oito melhores terceiros colocados também avançariam ao mata-mata da Copa do Mundo. Com isso, menos países chegaram à última rodada já eliminados.
Outra mudança foi o estabelecimento do confronto direto como primeiro critério de desempate, um parâmetro adotado em competições ao redor do mundo com o objetivo de "aumentar" o valor de cada vitória. Contudo, na prática, a nova regra gerou contradições.
Se, por um lado, menos seleções chegaram eliminadas à terceira rodada, por outro, mais equipes disputaram o último jogo com a liderança já garantida. Foi o caso de México, Estados Unidos, Alemanha e Argentina. Para as favoritas, as chances de eliminação precoce diminuíram. Mas justiça seja feita: a promessa é que a falta de emoção seja compensada com mais uma fase eliminatória.

Os maiores problemas foram outros. A tabela de definição dos melhores terceiros colocados gera certa contradição, com a possibilidade de um cenário no mínimo curioso: pelo confronto direto, uma seleção pode ficar em quarto lugar e ser eliminada com a mesma pontuação e melhor saldo do que o terceiro. Então, esse quarto lugar eliminado teria campanha para se classificar entre os terceiros, enquanto o terceiro lugar do grupo dele, que de fato concorre pela vaga, não.
O formato também causa um desbalance. As seleções que jogam a última rodada primeiro não sabem o resultado necessário para classificação entre os melhores terceiros — na dúvida, precisam ganhar, de preferência por larga vantagem. Já as equipes que disputam o terceiro jogo depois entram em campo conscientes do placar mínimo almejado, possivelmente até uma derrota magra.
A inédita tabela de melhores terceiros colocados também posterga a definição dos confrontos do primeiro mata-mata. A cada partida, portanto, o torcedor voltava a se perguntar quem seria o seu adversário na próxima fase. Em resumo, as mudanças nas vagas e no critério de desempate deixaram o regulamento bastante confuso para o público, pelo menos por enquanto. A longo prazo, claro, é mais fácil que as novas regras sejam assimiladas.

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Viagens e logística
Apesar da realização da Copa do Mundo em três países diferentes, os grupos foram organizados de forma a evitar deslocamentos excessivamente grandes. Ainda assim, claro, seleções precisaram viajar mais do que outras. O Curaçao, por exemplo, percorreu cerca de 10 mil quilômetros, o triplo dos Estados Unidos. Mas as diferenças não representam nenhuma desvantagem considerável e não foram motivo de reclamação para a maioria das seleções, pelo menos na primeira fase.
A exceção, evidentemente, foi o Irã. Devido à guerra com os Estados Unidos, a trajetória da seleção iraniana foi marcada por restrições impostas pelo governo americano e uma preparação cheia de limitações. A primeira mudança foi a troca de cidade-sede de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México. Além disso, o time precisou viajar aos EUA 24h antes das partidas e deixar o país norte-americano logo após os jogos, cenário que gerou indignação dos jogadores e do técnico Amir Ghalenoei.
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