Entre dois 'mundos': joia do vôlei brasileiro nascida na Noruega ficou dividida na Copa

Mikaela Hestmann é filha de mãe norueguesa e pai brasileiro

PorGuilherme Veiga Gonçalves MoreiraRio de Janeiro (RJ)
06/07/2026 19:50

Supervisionado porThiago Fernandes,
Mikaela Hestmann com o casaco amarelo da Seleção Brasileira de Vôlei e a medalha de prata do Sul-Americano sub-19
Mikaela escolheu defender o Brasil na base e no profissional (Foto: Reprodução/Instagram)

Enquanto no futebol a Noruega saiu vitoriosa e avançou às quartas de final da Copa do Mundo, o Brasil levou a melhor contra os Vikings no vôlei feminino e ganhou a preferência de uma promessa da modalidade com dupla nacionalidade. Filha de mãe norueguesa e pai brasileiro, Mikaela Hestmann pretende continuar seguindo o caminho que a colocou em destaque e chegar à Seleção Brasileira adulta.

Aos 18 anos, a ponteira atua no Sesc RJ Flamengo e acumula convocações recentes para a Seleção sub-19, onde foi campeã sul-americana, MVP e melhor ponteira da competição em 2024. Embora ainda não tenha sido chamada pelo técnico José Roberto Guimarães para representar a equipe principal, a possibilidade de defender o país escandinavo em quadra não é cogitada.

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— No momento, com certeza eu estou com a cabeça na Seleção Brasileira adulta. Assim, eu sou apaixonada pela Noruega, nasci lá, óbvio que tenho todo o carinho. Mas Seleção Brasileira não é qualquer coisa que você possa simplesmente deixar em segundo plano — afirmou Mikaela, em entrevista ao Lance!.

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Segurando a bola com a mão direita, Mikaela se prepara para realizar saque em jogo da Seleção Brasileira sub-19
Mikaela em ação pela Seleção Brasileira sub-19 (Foto: Arthur Pereira)

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Mikaela nasceu na Noruega, em outubro de 2007, e se estabeleceu em terras tupiniquins pouco menos de um ano depois. Com 11 anos de idade, começou a jogar pelo Tijuca Tênis Clube, onde chegou até o profissional em 2023 e despertou o interesse de Bernardinho, que a levou para o Sesc RJ Flamengo no ano seguinte.

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Enquanto ainda estava nas categorias de base do Tijuca, Mikaela precisou escolher entre voltar para sua terra natal com a parte norueguesa da família ou permanecer no Brasil e investir firmemente na carreira de atleta. Cinco anos depois, a jovem comemora a decisão de ter ficado no Rio de Janeiro.

— Em 2021, a minha família tomou a decisão de que seria melhor para minha irmã, para meu irmão e para minha mãe se mudar para lá. A minha ideia inicial não era ficar pelo vôlei, mas acabou que eu fiquei, ainda bem — comentou.

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Mikaela, camisa 8 do Sesc RJ Flamengo, com o olhar fixado em aquecimento pré-jogo
Mikaela é jogadora do Sesc RJ Flamengo desde 2024 (Foto: Thiago Mendes)

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Com Brasil fora, Mikaela declara torcida à Noruega: 'Já ganhou'

Mikaela viu os interesses de sua família entrarem em conflito no último domingo (5), com o confronto de oitavas de final da Copa do Mundo. A ponteira optou por não tomar partido enquanto o duelo acontecia dentro de campo, mas teve a missão de consolar a irmã mais nova, um dos milhões de torcedores impactados pela eliminação precoce da Seleção Brasileira.

— Minha irmã mais nova ficou com o Brasil, a minha mãe ficou com a Noruega, só que eu fiquei neutra. Eu não estava com nenhum dos dois (times). Inclusive, quando a Noruega fez gol, a minha irmã começou a ficar meio triste. Eu tive que "cair" um pouquinho mais para o Brasil, senão ia chatear muito ela, só que a minha mãe continuou torcendo muito — revelou.

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Sem o Brasil na disputa, ficou mais fácil para Mikaela escolher um lado. A jovem admite não ser uma profunda conhecedora de futebol, mas faz questão de declarar sua torcida para a Noruega, além de reconhecer o feito de Haaland e companhia de conseguirem eliminar a única seleção pentacampeã mundial.

— Agora eu vou torcer para a Noruega, óbvio. Não acompanho futebol, não sei nada. Nem sei quem (a Noruega) vai pegar, não conheço um jogador. Só de ter ganhado do Brasil, para mim, já ganhou a Copa — disse, de forma bem-humorada.

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