Brasil x Noruega: dupla campeã olímpica inspirou os 'vikings do vôlei de praia'
Campeões olímpicos e atuais medalhistas de bronze, Mol e Sorum revelam influência de brasileiros

Se no futebol o Brasil pode acabar com a angústia de nunca ter vencido a Noruega neste domingo (6), nas oitavas da Copa do Mundo, a culpa por ter estimulado a concorrência no vôlei de praia permanecerá mesmo após o apito final. Os noruegueses Anders Mol e Christian Sorum representam o domínio recente dos países escandinavos na areia, mas não deixam de reconhecer a influência do voleibol brasileiro.
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Conhecidos como "vikings do vôlei de praia", os atletas tinham apenas nove e onze anos de idade, respectivamente, quando viram Emanuel e Ricardo ganharem o Grand Slam de Stavanger, o equivalente ao atual Elite 16 do Circuito Mundial, em 2005. O torneio aconteceu um ano depois dos brasileiros levarem o ouro olímpico nos Jogos de Atenas. Assisti-los de perto ajudou a desenvolver em Mol o sonho de ter suas próprias conquistas.
— Tivemos o torneio de vôlei de praia de Stavanger, que foi muito importante para nós dois. Fomos muito inspirados por esse torneio. Eu estava lá torcendo e assistindo Emanuel e Ricardo vencerem, e isso para mim foi muito inspirador. Foi onde meu sonho começou e eu percebi que queria ser como eles — contou o jogador de 28 anos e 2m, em entrevista ao Lance!, em abril.
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Do frio norueguês para o calor brasileiro

Ouro em Tóquio 2020 e bronze em Paris 2024, a dupla norueguesa já esteve este ano no Brasil para duas etapas do Circuito Mundial, sendo campeã em Saquarema (RJ) e caindo nas quartas de final em Brasília (DF). Para fugir do frio da Noruega e sentir o verdadeiro calor do vôlei de praia, os "vikings" treinam algumas semanas antes dos jogos em Tenerife, na Espanha, além de utilizarem uma quadra de areia fechada e climatizada em sua terra natal.
Mesmo com todas as estratégias de preparação, Mol afirma que não há nada que se compare às condições climáticas do Brasil. Foi por isso que, dias antes da etapa de Saquarema, os noruegueses já estavam treinando na praia do Leblon, no Rio de Janeiro (RJ).
— Na Noruega, é muito frio. Temos um centro de vôlei de praia indoor, como uma "caixa de areia", em que praticamos. Nós treinamos um pouco lá, mas também vamos muito a Tenerife para sentir o calor das Ilhas Canárias. É uma espécie de segunda casa para nós. Então, é assim que lidamos com o vento, a temperatura, mas nada é como as temperaturas aqui no Brasil. Aqui é muito úmido, e é algo que nós não estamos acostumados na Noruega. É por isso que nós também viemos uma semana antes e nos preparamos.
Perguntado se gostaria de realizar um período de treinamentos em terras tupiniquins, Sorum descartou a possibilidade devido à distância de casa e ao desgaste que já existe com a rotina atual de viagens. Além disso, Christian explica que, com a ascensão do vôlei de praia na Europa, os atletas têm opções mais próximas de bases de preparação e não dependem mais de enfrentar duplas brasileiras para evoluir.
— Isso era muito comum antes. No passado, todos faziam isso, porque o Brasil era o melhor país para jogar contra e todos se reuniam aqui. Mas agora temos um monte de times fortes na Europa. Então, nós vamos algumas semanas antes para Tenerife, porque é bem longe para nós irmos para o Brasil e depois voltarmos para casa. Nós já viajamos muito, então é bom ficar um pouco mais perto. Não tem espaço para ficar no Brasil por seis meses, porque tem torneios em todos os lugares.
A dupla número 3 do ranking mundial não participou das etapas de Ostrava, na Tchéquia, e Gstaad, na Suíça, por conta de uma lesão no ombro de Anders Mol. A expectativa é que os "vikings" retornem ao Circuito no evento do Rio de Janeiro, que acontece entre os dias 29 de julho e 2 de agosto.
Enquanto não voltam a competir, Mol e Sorum torcem pela Noruega na Copa do Mundo em casa, perto de familiares e amigos. Os jogadores inclusive aderiram à famosa remada viking, comemoração característica da torcida norueguesa, em registros compartilhados nas redes sociais.
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