Intensidade do Japão liga alerta e desafia evolução da Seleção Brasileira na Copa
Velocidade, pressão alta e movimentação constante da equipe japonesa preocupam a Seleção

Depois de vencer Haiti e Escócia, a Seleção Brasileira chega ao mata-mata para enfrentar o Japão na fase 16 avos da Copa do Mundo cercada por uma dúvida: o time realmente evoluiu ou ainda não foi suficientemente testado? A resposta começa a ser construída nesta segunda-feira (29), contra os japoneses. Dono de um dos estilos mais intensos deste Mundial, o adversário representa o primeiro grande desafio da equipe de Carlo Ancelotti desde o empate com Marrocos na estreia.
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O motivo tem nome: intensidade. A seleção japonesa transformou a velocidade, a movimentação constante e a pressão sem bola em sua principal identidade. É justamente esse aspecto que mais preocupa a comissão técnica brasileira e que foi destacado por dois personagens que conhecem bem o futebol internacional: Éder Militão e Zico.
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Velocidade japonesa preocupa até quem está fora da Copa
Mesmo lesionado e fora do Mundial, Éder Militão fez questão de alertar para o momento vivido pelos japoneses. Para o zagueiro, o crescimento da equipe vai muito além dos resultados.
— Pra mim, o Japão vive um dos melhores momentos que estão vivendo como equipe e como jogadores. Eles estão mostrando que estão aí no jogo, têm jogadores bons. Tem que tomar cuidado, porque eles estão correndo o tempo todo, então temos que tomar cuidado com essa equipe — afirmou Militão ao "SporTV".
Quem faz uma leitura semelhante é Zico. Ídolo no Japão e profundo conhecedor do futebol asiático, o ex-camisa 10 do Brasil, que treinou a seleção japonesa, acredita que a movimentação será o maior desafio para a Seleção.
— É um jogo em que os dois times propõem jogo. O Brasil precisa ter cuidado com a velocidade e a movimentação dos caras, porque eles não param. Já fizeram bem contra a Escócia, mas no jogo contra Marrocos você viu que o pessoal estava perdido. O posicionamento e a movimentação fizeram diferença — analisou o Galinho ao podcast "B.A.R.C.A.S.T".
A análise dos dois encontra respaldo no que o Japão vem apresentando dentro de campo.
Um time que muda sem perder a identidade
Este é o sétimo ano de Hajime Moriyasu no comando da seleção japonesa e sua segunda Copa do Mundo à frente da equipe. Em 2022, liderou o Japão em um grupo com Espanha e Alemanha. Agora, voltou a colocar a seleção no mata-mata, desta vez atrás apenas da Holanda. Mais do que os resultados, Moriyasu consolidou uma identidade de intensidade, velocidade e organização que tornou o Japão um dos times mais difíceis de enfrentar nesta Copa.

O Japão pode ser definido como um verdadeiro "camaleão" tático. Embora mantenha uma estrutura com três zagueiros na maior parte do tempo, a equipe adapta seus comportamentos de acordo com o adversário. Os alas alternam a altura no campo, um dos defensores ganha liberdade para participar da construção das jogadas e o meio-campo modifica constantemente a ocupação dos espaços. Tudo isso acontece sem que o time perca organização.
Essa versatilidade explica por que o Japão manteve o alto nível competitivo mesmo diante de adversidades. Sem o capitão Wataru Endo, lesionado, a equipe preservou sua identidade e seguiu atuando com intensidade. Antes da Copa, venceu a Inglaterra em pleno Wembley. No Mundial, confirmou que o bom momento não era acaso ao avançar ao mata-mata com uma campanha consistente.
Alerta ao Brasil: pressão alta e intensidade do Japão durante os 90 minutos
Uma das principais características do Japão que exige atenção do Brasil nesta decisão da Copa do Mundo é a forma como pressiona o adversário. Os atacantes iniciam a marcação imediatamente após a perda da posse, enquanto os meio-campistas encurtam os espaços e dificultam qualquer saída de bola. A equipe praticamente obriga o rival a tomar decisões sob pressão. Foi justamente um cenário semelhante que criou dificuldades ao Brasil no empate contra o Marrocos.
Contra Haiti e Escócia, a equipe de Carlo Ancelotti encontrou espaços, aproveitou falhas defensivas e construiu goleadas. Diante do Japão, porém, dificilmente terá o mesmo conforto. A intensidade dos asiáticos exige concentração máxima do primeiro ao último minuto.

Zion Suzuki muda a lógica da pressão
Outro diferencial do Japão nesta Copa que pode dificultar a vida do Brasil está na saída de bola. O goleiro Zion Suzuki não se limita às defesas: participa ativamente da construção das jogadas e tem qualidade com os pés. Em vez de afastar a bola, costuma atrair a marcação adversária para criar espaço aos zagueiros, quebrando a primeira linha de pressão e acelerando a transição ofensiva.
Na prática, isso significa que uma pressão brasileira desorganizada pode favorecer justamente o cenário que o Japão procura: encontrar espaços para atacar.
Ueda lidera um ataque em constante movimentação
No setor ofensivo, Ayase Ueda é a principal referência. Artilheiro da última edição do Campeonato Holandês, o atacante se destaca menos pela força física e mais pela inteligência tática. Com frequência, deixa a área para abrir espaços e atacar às costas da defesa.
Ao seu lado, Daichi Kamada é o responsável por organizar as ações ofensivas e distribuir passes que quebram linhas de marcação. Já Maeda explora a velocidade para atacar em profundidade e acelerar as transições. A movimentação constante do trio obriga os defensores adversários a permanecerem atentos durante toda a partida.
Brasil também pode explorar os espaços
Se a intensidade japonesa preocupa, ela também oferece oportunidades. Os alas avançam constantemente e, em muitos momentos, até os zagueiros participam da construção ofensiva. Quando a equipe perde a posse, surgem espaços que podem ser aproveitados.
Taniguchi, por exemplo, não tem a velocidade como principal característica. Se Vini Jr e Matheus Cunha conseguirem acelerar os contra-ataques, o Brasil poderá transformar a agressividade do Japão em um caminho para criar chances e desequilibrar o confronto.
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Afinal, o que o Brasil precisa fazer para vencer o Japão na Copa?
- Suportar a pressão alta sem perder a posse de bola nos primeiros passes;
- Manter concentração durante os 90 minutos, já que a intensidade japonesa não diminui;
- Evitar uma marcação desorganizada, que pode facilitar a saída de bola de Zion Suzuki;
- Controlar a movimentação de Ueda, Kamada e Maeda, que trocam constantemente de posição;
- Explorar os espaços nas costas dos alas, principalmente em contra-ataques com Vini Jr e Matheus Cunha;
- Aproveitar as transições ofensivas, principal vulnerabilidade do sistema japonês quando perde a posse.

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