Estêvão analisa opções de tratamento para lesão na coxa; especialistas avaliam
Atacante é o artilheiro da Seleção na "Era Ancelotti"

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A grave lesão de Estêvão, atacante do Chelsea, colocou em dúvida sua participação na próxima Copa do Mundo e mobilizou especialistas da área médica para avaliar o cenário. A reportagem do Lance! confirmou que o jogador sofreu uma lesão grau 4 nos músculos isquiotibiais da parte posterior da coxa direita — o nível mais severo desse tipo de problema, caracterizado por ruptura total ou quase total das fibras musculares.
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O fisioterapeuta Nilton Petrone, conhecido como Filé, pondera que ainda é cedo para uma avaliação definitiva.
— Muito difícil analisar sem saber exatamente qual músculo foi atingido. A lesão grau 4 tem subdivisões: A, quando afeta apenas o músculo; B, quando envolve a junção miotendínea; e C, quando atinge o tendão. Dependendo do local, o tratamento pode ser cirúrgico ou conservador — explicou.
Já o médico Gustavo Arliani ressalta que há margem para um tratamento sem cirurgia em casos específicos, mas faz alertas importantes.
— Se for uma lesão parcial, existe essa possibilidade. Porém, o tratamento conservador pode gerar perda de força e explosão, características fundamentais do Estêvão. O prazo de recuperação pode variar de 10 a 12 semanas, podendo chegar a até quatro meses — afirmou.
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O especialista também chama atenção para o risco de formação de fibrose — uma cicatriz no músculo — que pode comprometer o desempenho do atleta a longo prazo.
Entre os métodos conservadores que podem ser utilizados estão: PRP (Plasma Rico em Plaquetas), que utiliza o sangue do próprio atleta para estimular a regeneração; PRF (Fibrina Rica em Plaquetas), com função semelhante, potencializando a cicatrização; laser de alta potência, que auxilia na recuperação tecidual; ondas de choque, usadas para estimular a regeneração muscular; ozonioterapia, com ação anti-inflamatória; e uso controlado de analgésicos para manejo da dor.
Muitas dessas técnicas já são conhecidas no futebol de alto rendimento e fazem parte, por exemplo, do processo de recuperação de Neymar nos pós-jogos do Santos. Ainda assim, mesmo com evolução clínica, Gustavo Arliani avalia que Estêvão dificilmente atingiria 100% de suas condições físicas antes das fases decisivas do torneio.
— Se o Ancelotti quiser apostar e levá-lo, o Estêvão, dependendo da área afetada, estaria apto a jogar na fase de mata-mata, provavelmente nas oitavas de final. Mas tudo depende se tiver ou não uma cirurgia no local da lesão — explicou.
Entenda a graduação das lesões na coxa:

➡️ Grau 1 (leve): pequenas lesões nas fibras, com dor discreta e recuperação rápida (1 a 3 semanas);
➡️ Grau 2 (moderado): ruptura parcial, dor mais intensa, inchaço e perda de força (4 a 8 semanas);
➡️ Grau 3 (grave): ruptura quase total ou total, dor forte e perda de função (3 a 6 meses, podendo precisar de cirurgia);
➡️ Grau 4 (muito grave): ruptura completa ou avulsão do tendão, com deformidade evidente e quadro mais severo (pode precisar de cirurgia).
Além do tempo de recuperação há o fato de ele precisar estar não apenas recuperado, mas preparado para entrar em campo. Na primeira semana após a lesão é necessário repouso total, com sessões de gelo. A partir da segunda semana, junto com a fisioterapia, é introduzida uma carga leve; da terceira semana em diante já é possível fazer musculação.
Para ser liberado, tem de ter o aval da fisioterapia, ter avaliação positiva da biomecânica do jogador, para então voltar a treinar com bola sem intensidade, e só depois fazer as atividades do treino completas.
Convocação final será no dia 18 de maio
Artilheiro da "Era Ancelotti", com cinco gols em 11 jogos, Estêvão joga contra o calendário. A lista final dos convocados será divulgada no dia 18 de maio pelo técnico Carlo Ancelotti, enquanto a pré-lista precisa ser enviada à Fifa no dia 11. A Confederação Brasileira de Futebol trabalha com prazos apertados para definir os 26 nomes que disputarão a competição.
No dia 27 de maio os jogadores começarão a chegar à Granja Comary para o início da preparação para a Copa do Mundo. Antes do Mundial, a Seleção Brasileira ainda fará dois amistosos: contra o Panamá, dia 31 de maio, no Maracanã, e contra o Egito, dia 6 de junho, em Cleveland, nos Estados Unidos.
A Seleção Brasileira está no Grupo C e estreia no Mundial no dia 13 de junho, contra Marrocos, em Nova Jersey. Na sequência, encara Haiti e Escócia. Até lá, a corrida contra o tempo será determinante para definir se uma das principais promessas do futebol brasileiro conseguirá se recuperar a tempo de disputar a maior competição do planeta.

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