Devastado por lesões, Brasil se despede da Copa atormentado pelo 'e se…?'
Seleção Brasileira teve desfalques de peso da defesa ao ataque

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Os desfalques da Seleção Brasileira não justificam a eliminação de um país notabilizado por produzir mais jogadores que qualquer outro no mundo e que, mesmo esfacelado, ainda tinha uma equipe superior à Noruega. Mas também não podem passar despercebidos. As diversas lesões acabaram com a base projetada por Carlo Ancelotti e deixaram lacunas no elenco, evidenciadas pelo desempenho do Brasil ao longo da Copa do Mundo.
Os problemas começaram lá atrás, em março, com as contusões de Vanderson e Rodrygo. Mais perto do início do torneio, o técnico italiano deixou de contar com Éder Militão e Estêvão. Às vésperas, precisou cortar Wesley e descobriu que Neymar só teria condições de jogo na 3ª rodada. Para piorar, Lucas Paquetá e Raphinha se lesionaram já no decorrer da competição.
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As consequências das lesões do Brasil na Copa:
Desespero na lateral-direita
Depois de bom desempenho na fase de grupos, Danilo Luiz termina a Copa do Mundo como um dos culpados pela eliminação devido aos erros cruciais nos dois jogos do mata-mata. Aos 34 anos e deslocado para a zaga nas últimas temporadas da carreira, o defensor do Flamengo foi a solução "confiável" de Ancelotti após profusão de desfalques no setor.
O italiano contava com duas opções complementares: Wesley (Roma), jovem de características ofensivas e válvula de escape da Seleção Brasileira, e Éder Militão (Real Madrid), zagueiro acostumado a atuar na direita com garantia de segurança defensiva. E quem corria por fora era Vanderson (Monaco), uma opção equilibrada para exercer a função.

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Falta de opções no ataque
Quando Ancelotti assumiu o cargo, em maio de 2025, a parte mais empolgante do elenco brasileiro era o leque ofensivo liderado por Vini Jr (Real Madrid), Raphinha (Barcelona), Rodrygo (Real Madrid) e Estêvão (Chelsea). No entanto, metade do quarteto se lesionou antes da Copa do Mundo e um terceiro se ausentou dos jogos mais decisivos do Mundial.
O otimismo da torcida verde-amarela nas primeiras partidas sob nova gestão passava muito pelo aproveitamento de Estêvão, que, aos 18 anos, virou protagonista da Seleção — nos últimos seis jogos com a Amarelinha, o jovem havia marcado cinco gols. Pelo lado direito, conseguia gerar o mesmo desequilíbrio oferecido por Vini Jr no extremo oposto.
As ausências de Rodrygo e Estêvão, além do desfalque de Raphinha durante o Mundial, aumentaram a responsabilidade de Vini, mas também dos companheiros. Luiz Henrique foi de "jogador de segundo tempo" a cotado para a titularidade. Rayan surgiu como solução e pulou etapas, apesar da pouca idade e experiência na Seleção. O também jovem Endrick carregou expectativas enormes, e talvez desleais, da torcida. Por fim, longe das melhores condições físicas, Neymar passou a ser tratado como salvador diante do desfalque de nomes de peso.
Assim, o Brasil perdeu potenciais titulares, mas principalmente profundidade no elenco. E isso ficou evidente na derrota para a Noruega, até mesmo na cobrança de pênalti desperdiçada por Bruno Guimarães — os quatro lesionados seriam melhores opções para a batida.

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Solução virou problema
Ao começar a Copa do Mundo, Ancelotti abriu mão do criticado esquema "4-2-4" na Seleção Brasileira e promoveu a entrada de Lucas Paquetá entre os titulares. O meia foi mal tecnicamente contra Marrocos, mas cresceu nas partidas seguintes e virou ponto de equilíbrio: além de trazer mais dinamismo com a bola, era quem mais pressionava o adversário na marcação.
Mas o azar era tão grande que a solução virou mais um problema: o jogador também se machucou, e o elenco brasileiro não contava com peça de características similares. A alternativa do técnico italiano foi a escalação de Gabriel Martinelli recuado contra a Noruega, que entregou mais velocidade e melhores tomadas de decisão no ataque, é verdade, porém permitiu que a equipe nórdica passasse 66% do tempo com a posse da bola diante de um Brasil extremamente passivo.

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Brasil com menos cara de Real Madrid
Outro trunfo da chegada de Ancelotti era contar com uma base de jogadores conhecidos da sua passagem vitoriosa pelo Real Madrid, homens de confiança do italiano que sabiam exatamente como o treinador gostava de jogar: Militão, Casemiro, Rodrygo e Vini Jr. Contudo, dois se machucaram, ausências que podem ter prejudicado o Brasil não só do ponto de vista técnico, mas também tático e de liderança.

"Seleção hipotética" é esperança que resta
Será que, com todos os jogadores à disposição, o desempenho do Brasil na Copa do Mundo teria sido diferente? É uma pergunta sem respostas certas, claro. As lesões continuarão sendo motivo de lamentação ao lembrar do Mundial de 2026, mas também deixam alguma esperança de que o azar carregue tanta culpa quanto a menor oferta de talentos brasileiros.

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