Da derrota em Tóquio ao mata-mata da Copa: o novo Brasil de Ancelotti
Sete remanescentes da derrota em Tóquio seguem no grupo da Copa do Mundo

HOUSTON, TX (EUA) - A comparação entre as duas versões da Brasil ajuda a explicar por que Carlo Ancelotti acredita que o duelo desta segunda-feira (29), contra o Japão, em Houston, pela segunda fase da Copa do Mundo, será um jogo completamente diferente daquele disputado em outubro do ano passado. Apesar da derrota por 3 a 2 em Tóquio ainda estar viva na memória da comissão técnica, o Seleção Brasileira chega à fase 16 avos do Mundial muito mais consolidado coletiva e taticamente do que estava há oito meses.
Naquele 14 de outubro de 2025, o Brasil viveu uma de suas derrotas mais dolorosas da Era Ancelotti. Depois de abrir 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de Paulo Henrique e Gabriel Martinelli, a equipe sofreu um apagão na etapa final. Minamino diminuiu, Fabrício Bruno marcou contra e Ayase Ueda completou a virada japonesa diante de um Ajinomoto Stadium lotado.
Transformação da identidade
Mais do que o resultado, a partida serviu como um divisor de águas para o trabalho do treinador italiano.
Dos 17 jogadores do Brasil utilizados por Ancelotti naquela derrota, apenas sete permanecem no elenco que disputa a Copa do Mundo nos Estados Unidos. A renovação foi profunda. Entre os titulares daquele amistoso, somente Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Vini Jr começam novamente entre os onze iniciais diante dos japoneses em Houston.
Essa mudança de peças simboliza também uma transformação na identidade da equipe.
Naquele amistoso, Ancelotti ainda buscava encontrar o desenho ideal para potencializar o elenco brasileiro. O treinador alternava sistemas e insistia em um 4-2-4 que dava grande liberdade aos atacantes, mas deixava espaços importantes entre o meio-campo e a defesa. Quando o Japão aumentou a intensidade na segunda etapa, encontrou justamente esses corredores para pressionar, recuperar bolas e construir a virada.
A derrota expôs um Brasil talentoso individualmente, mas vulnerável coletivamente. O cenário é bastante diferente às vésperas do confronto desta segunda-feira.
Nova formação
Depois de muitas experiências ao longo da temporada, Ancelotti encontrou uma formação que oferece mais equilíbrio. O 4-2-4 ficou para trás e deu lugar a um 4-4-2 com losango no meio-campo, estrutura que fortalece a ocupação dos espaços centrais, aproxima os meio-campistas e permite maior proteção aos zagueiros sem perder qualidade ofensiva.
Na prática, Casemiro atua como volante mais recuado, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá trabalham pelos lados internos do losango com liberdade para construir, enquanto Matheus Cunha exerce a função de articulador mais avançado, aproximando-se constantemente dos atacantes. O desenho também facilita a pressão pós-perda e diminui a distância entre os setores, um dos principais problemas apresentados naquele amistoso em Tóquio.
Evolução na Copa
A evolução do Brasil com Ancelotti ficou evidente ao longo da primeira fase da Copa.
Na estreia, o empate por 1 a 1 diante do Marrocos ainda gerou desconfiança sobre o funcionamento da equipe. Contra o Haiti, porém, a Seleção Brasileira venceu por 3 a 0 com maior controle da partida. Na sequência, outro triunfo por 3 a 0, desta vez sobre a Escócia, mostrou uma equipe mais segura, compacta e capaz de controlar diferentes momentos do jogo.
O crescimento coletivo faz com que o Brasil entre no mata-mata da Copa do Mundo vivendo seu melhor momento desde a chegada de Ancelotti. E com a formação definida: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Vini Jr., Rayan e Matheus Cunha.
Ainda assim, o treinador faz questão de manter o alerta ligado. Em entrevista coletiva antes do confronto, o italiano lembrou que a derrota para os japoneses continua servindo como aprendizado para o grupo.
— O Japão é muito competitivo. É o número 17 do mundo. Bateu a Inglaterra em março. É um jogo como uma final. Está forte. Somos conscientes de que essa partida precisa ser jogada muito bem. Lembramos que o Japão nos ganhou em novembro, naquele jogo. Ganhou jogando muito bem no segundo tempo. Obviamente, levamos isso em consideração. Vamos respeitar e tomar todos os cuidados — analisou o treinador italiano.
A declaração mostra que, embora o Brasil seja outro dentro de campo, a lembrança da virada sofrida continua presente na preparação.
Se em Tóquio a Seleção Brasileira ainda procurava uma identidade, em Houston ela entra em campo sustentada por um modelo de jogo mais maduro, por uma base consolidada e por um entendimento coletivo muito superior. O passado serve como alerta. O presente, porém, indica uma equipe muito mais preparada para enfrentar um adversário que já provou ser capaz de desafiar os favoritos. Afinal, a principal diferença entre os dois confrontos talvez não esteja apenas na escalação, mas na evolução de um Brasil que deixou de viver em busca de respostas para finalmente apresentar convicções dentro de campo.

🔥 MELHOR PALPITE: Aposte em Vini Jr. para marcar a qualquer altura em Brasil x Japão @2.71
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
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