Convocação da Seleção: laterais já não têm os talentos do passado
Ancelotti recorre a veteranos e zagueiros improvisados como opções

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No dia do anúncio da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, os possíveis laterais de Carlo Ancelotti não inspiram muita confiança. O técnico italiano tem como opções veteranos já longe do auge, jovens em ascensão, atletas pouco testados no mais alto nível e até zagueiros improvisados.
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De Djalma Santos e Carlos Alberto Torres a Roberto Carlos e Cafu, o Brasil teve duplas marcantes de laterais em todos os títulos mundiais. Mesmo em tempos menos vitoriosos, o país revelou nomes como Daniel Alves e Marcelo. Nenhum país produziu tantos bons jogadores na posição na história do futebol. No entanto, hoje a busca da Seleção se limita a opções "seguras".
Capitão do penta, Cafu não vê o momento atual como uma crise na posição.
— Eu tenho outra visão. Não acho que exista uma crise nas laterais. E também não acredito que Ancelotti, tenha dúvidas para a posição. Temos alternativas confiáveis e um técnico extremamente inteligente — opinou Cafu.
Mas a verdade é que Ancelotti não encontrou um lateral que tenha se destacado no atual ciclo.
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Na esquerda, Alex Sandro é sintoma da falta de renovação
Jogador de carreira sólida no futebol europeu, Alex Sandro enfrentou a competição de Filipe Luís e Marcelo pela lateral-esquerda da Canarinho durante o seu auge. Já mais velho, foi premiado pela longevidade e se firmou como titular devido à falta de boas opções jovens. Mesmo agora, aos 35 anos e em momento inconstante no Flamengo, surge como alternativa mais confiável para Ancelotti.

O provável segundo convocado na função, com grandes chances de titularidade durante a Copa, é Douglas Santos, do russo Zenit. O jogador teve boa passagem pelo Atlético-MG, mas voltou ao radar da Amarelinha de forma surpreendente aos 32 anos.
Outros quatro laterais-esquerdos já foram chamados por Ancelotti desde a sua chegada: Caio Henrique (Mônaco), Carlos Augusto (Inter de Milão), Luciano Juba (Bahia) e Kaiki Bruno (Cruzeiro). Os dois representantes do futebol europeu não fazem temporadas de tanto destaque, enquanto os atletas que jogam no Brasil não foram testados no mais alto nível de enfrentamento e iriam para a Copa como apostas.
Portanto, a Seleção não tem atualmente laterais-esquerdos titulares nos maiores clubes do futebol europeu. Bem diferente de poucos anos atrás, quando Alex Sandro, Marcelo e Filipe Luís eram figuras importantes de Juventus, Real Madrid e Atlético de Madrid, respectivamente.
Laterais-esquerdos chamados na Era Ancelotti:
| Jogador | Clube | Idade | Convocações com Ancelotti |
|---|---|---|---|
Caio Henrique | Mônaco (FRA) | 28 | 3 |
Carlos Augusto | Inter de Milão (ITA) | 27 | 2 |
Alex Sandro | Flamengo (BRA) | 35 | 4 |
Douglas Santos | Zenit (RUS) | 32 | 3 |
Luciano Juba | Bahia (BRA) | 26 | 1 |
Kaiki Bruno | Cruzeiro (BRA) | 23 | 1 |
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Na direita, Brasil pode se inspirar em exemplos europeus
A Seleção Brasileira tem um lateral-direito em ótimo momento na Europa: Wesley, da Roma. O problema é que o jogador tem atuado como ala pela esquerda, com mais destaque ofensivo do que defensivo. Assim, sua utilização como defensor contra os principais pontas do mundo gera preocupação. Por isso, o principal candidato à titularidade era o zagueiro Éder Militão, do Real Madrid, que já desempenhou a função, mas se machucou e não disputará a Copa do Mundo. Também por lesão, o Brasil perdeu Vanderson, do Mônaco.
Ancelotti já testou também nomes que jogam no Brasileirão, como Vitinho (Botafogo) e Paulo Henrique (Vasco), mas tudo indica que os concorrentes de Wesley serão zagueiros improvisados na lateral. O técnico italiano tem Danilo, hoje reserva no Flamengo, como homem de confiança. Na última Data Fifa, testou também Ibañez, do Al-Ahli. Em 2026, nenhum dos dois jogou como lateral por seus clubes.

A necessidade de improviso evidencia a falta de opções do Brasil. No entanto, a crise dos laterais não é exclusiva da seleção brasileira. Na carência de jogadores que combinem poder ofensivo e segurança defensiva, alguns treinadores optam por abrir os zagueiros. Atual líder da Premier League e finalista da Champions League, o Arsenal joga com dois centrais improvisados: Calafiori e Ben White.
No universo das seleções, campeãs mundiais recentes servem como exemplo para o Brasil. Em 2018, a França utilizou o zagueiro Pavard na lateral-direita. Na edição anterior, o central Höwedes foi o lateral-esquerdo da campeã Alemanha. Portanto, uma improvisação de Ancelotti no setor pode ser menos desesperadora do que parece.
Laterais-esquerdos (ou zagueiros improvisados) chamados na Era Ancelotti:
| Jogador | Clube | Idade | Convocações com Ancelotti |
|---|---|---|---|
Wesley | Roma (ITA) | 22 | 5 |
Vitinho | Botafogo (BRA) | 26 | 2 |
Vanderson | Mônaco (FRA) | 24 | 3 |
Paulo Henrique | Vasco (BRA) | 29 | 2 |
Éder Militão | Real Madrid (ESP) | 28 | 3 |
Danilo | Flamengo (BRA) | 34 | 2 |
Ibañez | Al-Ahli (SAU) | 27 | 1 |
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