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Brasil não joga como Brasil: os erros que levaram à eliminação na Copa do Mundo

Passiva, dando a bola à Noruega, Seleção até criou chances, mas nunca controlou o jogo

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
06/07/2026 07:00
Seleção Brasileira após a derrota para a Noruega
Jogadores da Seleção Brasileira reagem desolados após a derrota para a Noruega (Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP)

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O Brasil chegou aos Estados Unidos atrás do hexacampeonato. Após a derrota por 2 a 1 para a Noruega e a consequente eliminação da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira alcançou um hexa diferente: são seis edições sem títulos do Brasil em Mundiais, a maior sequência de toda sua história. A conquista aconteceu em 2002. Assim, a Seleção chega a 28 anos sem ganhar uma Copa.

O placar, porém, explica apenas parte da história. O Brasil criou oportunidades suficientes para construir outro roteiro, desperdiçou um pênalti ainda no primeiro tempo, finalizou mais vezes do que o adversário e viu Erling Haaland decidir praticamente sozinho. O time despencou de produção no segundo tempo, especialmente após substituições equivocadas, e pagou o preço pela estratégia de entregar a bola e o controle do jogo ao adversário.

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Estratégia de Ancelotti deu a bola para a Noruega

A estratégia montada por Carlo Ancelotti apostava em recuperar a bola e acelerar com Vinícius Júnior, Rayan e Gabriel Martinelli. Em diversos momentos, ela até produziu oportunidades claras, sobretudo após erros individuais na saída de bola norueguesa. O problema apareceu quando a equipe não conseguiu transformar essas chances em gols.

O atacante norueguês #09 Erling Braut Haaland (C) comemora o primeiro gol de sua equipe durante a partida das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 entre Brasil e Noruega
Haaland comemora o primeiro gol de sua equipe contra o Brasil (Foto: Jewel SAMAD / AFP)

Poucas vezes a Noruega controlou tanto um adversário de alto nível quanto fez diante do Brasil. Mesmo sendo uma equipe acostumada a atuar em transições rápidas, os europeus terminaram a partida com 60% de posse de bola, contra apenas 32% da Seleção Brasileira, com 8% em disputa, pelos dados da Fifa. Desde 1966, o Brasil nunca havia tido posse de bola inferior a 40% num jogo de Copa do Mundo, segundo estatísticas da Opta. Ou seja, a seleção de Ancelotti não jogou com a cara do Brasil.

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Foram 683 passes da Noruega, com 627 concluídos, praticamente o dobro dos 347 passes brasileiros. Também realizaram 193 tentativas de penetração ofensiva, contra 122 do Brasil, além de receberem 151 bolas entre as linhas de defesa e meio-campo, número muito superior às 87 recepções brasileiras.

Os números ofensivos mostram um cenário curioso. O Brasil finalizou mais vezes que a Noruega: foram 14 chutes contra nove. Também entrou mais na área adversária, com nove finalizações de dentro da grande área diante de sete dos europeus.

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Ainda assim, a eficiência fez toda a diferença. Logo no primeiro tempo, Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti defendido por Nyland. Depois, Endrick saiu cara a cara com o goleiro poucos segundos após entrar em campo, mas um domínio longo comprometeu completamente a conclusão. Vinícius Júnior também teve boas oportunidades, porém encontrou sempre muita marcação, frequentemente cercado por dois ou três adversários, e acabou insistindo demais nas jogadas individuais.

Do outro lado estava Erling Haaland. O atacante precisou de apenas quatro finalizações para marcar duas vezes. Já soma sete gols em quatro partidas nesta Copa do Mundo e converteu sete de suas 18 finalizações no torneio, aproveitamento de 39%. Desde Gerd Müller, em 1970, ninguém havia alcançado sete gols nas quatro primeiras partidas de uma Copa.

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Bruno Guimarães despenca de produção

Poucos jogadores chegaram às oitavas em nível tão alto quanto Bruno Guimarães. Responsável por quatro assistências durante a campanha, o meio-campista era um dos principais organizadores da Seleção Brasileira e havia se destacado pela intensidade sem bola e pela qualidade nos passes entre linhas.

Bruno Guimarães erra cobrança de pênalti durante Brasil x Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo
Bruno Guimarães erra pênalti contra a Noruega: a falha abateu o volante (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP)

Contra a Noruega, entretanto, o roteiro foi diferente. O pênalti desperdiçado teve peso emocional evidente. Ainda assim, enquanto permaneceu em campo, continuou sendo o principal responsável pela saída de bola brasileira. Quando deixou o gramado, o Brasil perdeu praticamente toda sua capacidade de organizar ataques e conectar o meio-campo e os atacantes. A coincidência chama atenção: pouco após sua substituição, Haaland abriu o placar.

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Substituições enfraquecem o Brasil

Se o plano inicial funcionou parcialmente, as mudanças feitas durante o segundo tempo alteraram o equilíbrio do jogo. A entrada de Endrick ainda criou uma oportunidade imediata. Depois disso, porém, as alterações passaram a beneficiar claramente a Noruega.

Quando Neymar e Danilo Santos substituíram Martinelli e Rayan, o Brasil perdeu intensidade pelos lados do campo. Mais tarde, a saída de Bruno Guimarães, principal organizador da equipe durante boa parte do torneio, retirou justamente o jogador que conseguia acelerar os ataques com passes verticais.

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Davide e Carlo Ancelotti passam orientações para Neymar e Danilo Santos durante Brasil x Noruega
Davide e Carlo Ancelotti orientam Neymar e Danilo durante Brasil x Noruega (Foto: Pedro UGARTE/AFP)

Pouco depois da saída de Bruno e a entrada de Éderson, a Noruega abriu o placar. Antes da cabeçada certeira de Haaland para o gol, os noruegueses controlaram a posse de bola praticamente por 6 minutos, sem que o Brasil trocasse mais do que três passes seguidos. Sem conseguir recuperar rapidamente a posse, o Brasil passou a jogar quase todo o restante da partida dentro do próprio campo. A equipe terminou pressionada, incapaz de encurralar a Noruega mesmo depois de sofrer o primeiro gol.

Enquanto Ancelotti desmontava a estrutura defensiva para apostar em nomes mais técnicos, o técnico Ståle Solbakken acertava todas as suas trocas. Andreas Schjelderup entrou no intervalo e participou diretamente dos dois gols ao servir Haaland em ambas as oportunidades. Oscar Bobb acrescentou velocidade e presença entre as linhas, aumentando o controle territorial dos noruegueses.

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Neymar pouco conseguiu mudar

A expectativa em torno da entrada de Neymar era enorme. Na prática, o camisa 10 encontrou dificuldades previsíveis para alguém que chegou ao torneio sem sequência de jogos. Participou pouco da pressão sem bola, não conseguiu acelerar os ataques e ainda protagonizou momentos de irritação, incluindo uma discussão com o goleiro norueguês.

Seu gol de pênalti, já aos 54 minutos do segundo tempo, serviu apenas para diminuir o placar. O atacante esteve distante da condição física necessária para assumir o protagonismo que a partida exigia.

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Neymar chora ao deixar o campo após a eliminação do Brasil
Neymar chora ao deixar o campo após a eliminação do Brasil (Foto: Odd ANDERSEN / AFP)

Haaland decide em dois lances

Durante boa parte da partida, a defesa brasileira conseguiu controlar o principal atacante da Noruega. Isso mudou completamente após o intervalo.

Com a entrada de Schjelderup, os cruzamentos passaram a encontrar Haaland em melhores condições. O camisa 9 venceu todos os quatro duelos aéreos que disputou contra o Brasil e alcançou o melhor aproveitamento em bolas aéreas entre atacantes com mais de 15 disputas em uma Copa do Mundo desde 1966: 14 vitórias em 18 duelos, índice de 78%. Sua eficiência transformou um confronto equilibrado em uma classificação histórica para a Noruega.

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Escrita contra europeus cresce e expõe fracassos

A eliminação também reforça uma tendência que acompanha o Brasil há duas décadas. A Seleção Brasileira perdeu seus últimos sete confrontos de mata-mata de Copas do Mundo contra adversários europeus: França (2006), Holanda (2010 e disputa do terceiro lugar de 2014), Alemanha (2014), Bélgica (2018), Croácia (2022) e agora Noruega (2026).

➡️Quantos gols tem Haaland em Copas do Mundo?

Mais do que uma sequência estatística, trata-se de um padrão competitivo. O Brasil costuma atravessar a fase de grupos com autoridade, supera adversários de outros continentes e encontra enorme dificuldade quando enfrenta seleções europeias organizadas, físicas e capazes de controlar diferentes momentos da partida.

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Haaland e os jogadores da Noruega remam com a torcida após classificação sobre o Brasil na Copa do Mundo
Haaland e os jogadores da Noruega remam com a torcida após classificação sobre o Brasil na Copa do Mundo (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP)

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A derrota em Nova Jersey amplia essa percepção. Houve oportunidades suficientes para vencer, mas a noite terminou resumindo boa parte dos problemas vistos nos últimos Mundiais: dificuldade para controlar o jogo, pouca eficiência nas áreas decisivas e decisões estratégicas que acabaram favorecendo justamente o adversário.

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