Análise Tática do Guffo: como o Brasil pode vencer a Escócia
Colunista analisa os defeitos da Escócia e mostra como o Brasil pode dominar o meio-campo

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Quando os interesses são tão diferentes, como no caso de Brasil e Escócia nesta Copa do Mundo, o jogo fatalmente vira um ataque contra defesa. Este roteiro foi desenhado antes mesmo do apito inicial: os escoceses precisam de um empate para avançar, enquanto a Seleção Brasileira quer a liderança e afirmar suas intenções no Mundial. A boa notícia é que a Escócia traz um defeito estrutural gravíssimo. E a equipe de Ancelotti tem exatamente a peça certa para implodir esse sistema.
Taticamente, a Escócia se defende num 4-1-4-1 que tenta ser agressivo, mas acaba sendo caótico. O grande problema do time britânico é a obsessão por perseguições individuais longas, especialmente pelo lado esquerdo com Tierney e Robertson. Eles tentam caçar o adversário até o fim da jogada, abandonando a zona de origem. O resultado? Uma descoordenação tática brutal. Não é raro ver dois escoceses marcando o mesmo jogador, abrindo crateras no lado oposto e, principalmente, na frente da própria área.
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O setor e o jogador certo para machucar
Além dessa fragilidade defensiva, a saída de bola escocesa é um convite ao desastre. Eles tentam construir com uma saída de três, recuando Robertson, mas entram em pânico sob pressão. Como não têm um centroavante alto para a bola longa de segurança (Che Adams mede 1,75m), o time frequentemente apela para chutões forçados ou perde a posse em zonas fatais. Se o Brasil subir o bloco e morder essa primeira fase de construção, vai empilhar chances de gol antes mesmo de chegar ao terço final. Veja na arte abaixo como a Escócia não venceu a maioria dos duelos contra Marrocos na entrada da sua área.

E é aqui que entra o grande trunfo brasileiro para esta partida: Matheus Cunha. O jogo contra o Haiti serviu para uma boa execução na função de falso 9, com pulmão e inteligência para descer e jogar de meia também. Contra uma Escócia que se perde nas trocas de marcação e nas entregas de posicionamento, a movimentação de Cunha é veneno puro. Ele não vai ficar plantado brigando com os zagueiros; ele vai recuar exatamente para aquele espaço na frente da área que os escoceses não sabem proteger.
Quando Cunha baixa para o entrelinhas, ele cria um dilema insolúvel para a marcação. Se o zagueiro sair à caça, a última linha escocesa quebra e abre o corredor para as diagonais de Vini Jr., Martinelli ou Luiz Enrique. Se o zagueiro ficar, Cunha recebe livre nas costas do volante, gira e aciona o ataque de frente para o gol. É um mecanismo simples, mas letal contra times que marcam por encaixe individual e se desorganizam na própria agressividade.
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A chave é manipular os espaços
Esse duelo na frente da área vai ditar o ritmo da partida. Ao descer, Cunha forma um losango no meio com Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá. O Brasil ganha superioridade numérica no setor onde a Escócia concentra sua principal força (McTominay, um meia técnico e muito perigoso) nesta Copa do Mundo. Dominar essa faixa central significa anular a transição escocesa e, ao mesmo tempo, ter a bola sempre limpa para acionar os pontas no mano a mano. Veja na arte abaixo como foram os duelos do Brasil contra o Haiti.

A chave para a vitória brasileira está em manipular os espaços. O Brasil precisa usar a posse para atrair os encaixes agressivos da Escócia, tocar rápido e explorar a desorganização que eles mesmos criam. Cunha é o maestro dessa engrenagem: o cara que faz o trabalho sujo de arrastar a marcação para que o talento dos extremos resolva a fatura.
O cenário é muito favorável, mas exige concentração. Se o Brasil for preguiçoso na pressão alta ou lento na circulação, permite que a Escócia cozinhe o empate que tanto deseja. Mas se Ancelotti mantiver a dinâmica de fluidez, com Matheus Cunha flutuando e a equipe mordendo a saída de bola desastrosa do rival, a vitória é o caminho natural. E inclusive cria tempo e condições para uma estreia tranquila de Neymar na Copa. A Escócia tem tradição e força física, mas taticamente, oferece o mapa da mina. Basta o Brasil saber ler.
ARTES E DADOS: SportsBase
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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