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Com o fim da Era Neymar, quem será o novo camisa 10 da Seleção Brasileira?

Ancelotti buscará articulador, enquanto Vini Jr herda pressão de protagonista

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
29/07/2026 17:28
Atualizado há 17 horas
Neymar chorando após eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo
Neymar chora após eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo (Foto: Angela Weiss / AFP)

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Neymar indicou que se aposentará da Seleção Brasileira ao dizer que "seu momento já foi". É o fim da era do camisa 10 — número que representava o papel do meia-atacante em campo, claro, mas também como líder técnico e centro das atenções. Diante de ciclo tão desafiador, Carlo Ancelotti tem como um dos objetivos encontrar um novo organizador para o Brasil, que o craque já não conseguiu ser na Copa de 2026 devido às condições físicas.

Apesar de ter começado a carreira como ponta, o astro do Santos migrou para a zona mais central do campo a partir da transferência para o PSG, em 2017. Assim, pôde influenciar mais no andamento dos jogos. A nova função também foi adotada na equipe nacional, cuja torcida se acostumou a ver outros gênios como Pelé, Zico e Rivaldo desempenhando-a, cada um com suas características.

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O dilema de Ancelotti na busca pelo novo 10

No ciclo até a Copa do Mundo, Ancelotti não contava com um 10 de ofício e optou por escalar a Seleção no esquema 4-2-4. No entanto, mudou de ideia no início do torneio e promoveu a entrada de Lucas Paquetá, jogador que surgiu como meia-atacante, mas desenvolveu valências defensivas e passou a jogar um pouco mais recuado em sua trajetória na Europa. Dessa forma, o italiano formou uma trinca de meio-campistas. Contudo, na partida da eliminação contra a Noruega, o atleta do Flamengo estava lesionado e, sem tantas alternativas, Ancelotti escalou o ponta Gabriel Martinelli na função.

A falta de opções do técnico da Seleção na Copa reforça a carência de organizadores de elite no futebol brasileiro. Atualmente, o jogador com mais características de um autêntico camisa 10 talvez seja Matheus Pereira, do Cruzeiro. Aos 30 anos, o meia aguarda nova convocação — sua única oportunidade até hoje foram 12 minutos sob o comando de Dorival Júnior em jogo pelas Eliminatórias, contra o Peru, em outubro de 2024.

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Matheus Pereira observa jogada do Brasil em jogo contra o Peru nas Eliminatórias para a Copa do Mundo
Matheus Pereira observa jogada do Brasil em jogo contra o Peru nas Eliminatórias para a Copa do Mundo (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)

Carlo Ancelotti, então, pode também começar a olhar para os lados dos campos na busca pela vaga na zona central. Raphinha até já jogou por ali no Barcelona, mas é um atleta muito mais de ataque ao espaço e velocidade do que de cadência e visão de jogo. Outra opção seria Rodrygo, do rival Real Madrid, que atua preferencialmente no lado direito, mas tem refino técnico para, como Neymar, migrar para a área mais congestionada do gramado.

A expectativa também é grande pelo desempenho de Estêvão, que, assim como Rodrygo, perdeu a Copa do Mundo por lesão. No Chelsea, assim como ocorria no time principal do Palmeiras, o jovem de 19 anos costuma atuar pela ponta direita. Contudo, na base alviverde, executava o papel de camisa 10. É outro que pode tornar-se solução para armar a Seleção Brasileira.

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Estêvão cobra pênalti para o Brasil no amistoso contra a Tunísia
Estêvão cobra pênalti para a Seleção Brasileira em amistoso contra a Tunísia (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)

Entre os jovens em ascensão, Gabriel Mec surge como um meia-atacante de muito potencial no Grêmio. Aos 18 anos, já é titular do Tricolor gaúcho regularmente. É cedo para colocar qualquer responsabilidade em cima do menino, mas aparece como um nome a se observar nos próximos quatro anos.

➡️ Fim de uma era? Números de Neymar pela Seleção Brasileira

O plano B: meio-campo forte em vez de um pensador?

Em contraste à seca brasileira, o recém-finalizado Mundial trouxe como tendência o retorno dos camisas 10. Os quatro semifinalistas atuavam com um jogador na função: Dani Olmo (Espanha), Lionel Messi (Argentina), Jude Bellingham (Inglaterra) e Michael Olise (França), cada um com um estilo diferente. Carrasco brasileiro, a Noruega também teve como diferencial o poder de organização do seu armador Martin Odegaard.

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Na década passada, porém, os dois grandes times do planeta tiveram seus maiores sucessos sem um camisa 10 propriamente dito, mas com trincas de meio-campo extremamente técnicas. No Real Madrid, jogavam Casemiro, Luka Modric e Toni Kroos. No Barcelona, o trio era formado por Sergio Busquets, Xavi Hernández e Andrés Iniesta. E tal formação não caiu em desuso: o atual bicampeão da Champions League, o PSG, joga de forma similar com João Neves, Vitinha e Fabián Ruiz.

O problema é que o Brasil também tem dificuldade para compensar a ausência de um pensador como Neymar com meio-campistas que tenham capacidade para controlar o jogo. Casemiro, aos 34 anos, já não chegou no mais alto nível à Copa do Mundo. A referência é Bruno Guimarães, do Newcastle, que torce para o desenvolvimento de possíveis companheiros, como os jovens João Gomes (Aston Villa), Danilo (Botafogo) e Breno Bidon (Corinthians).

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Casemiro e Bruno Guimarães comemoram gol do Brasil em amistoso contra o Egito
Casemiro e Bruno Guimarães comemoram gol do Brasil em amistoso contra o Egito (Foto: Bruno Zanotto / Thenews2 / Folhapress)

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Sem Neymar, Vini Jr herda a coroa e o peso da Seleção

Vinícius Júnior não exerce o papel tático de camisa 10, mas ficou claro que é o grande protagonista da Seleção Brasileira pós-Neymar: na Copa do Mundo, teve seu grande torneio com a Amarelinha, finalizado com quatro gols e uma assistência em cinco jogos. Ainda assim, dividiu holofotes com as expectativas em torno do astro santista. A partir de agora, a tendência é que a pressão e responsabilidade sobre o craque do Real Madrid sejam ainda maiores.

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Por ter o drible em velocidade como trunfo, parece improvável que Vini se transforme num meia-atacante, pelo menos a curto prazo. Mas talvez o jogador herde a numeração mais importante do futebol, que também já foi utilizada por Rodrygo na ausência de Neymar. Independentemente da formação do meio-campo brasileiro e da aparição ou não de bons organizadores, a cobrança por decisão recairá sobre o atacante do Real, que completará 30 anos durante a próxima Copa e carrega o peso de recolocar a Seleção Brasileira no topo do futebol mundial.

Vini Jr consola Neymar após eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo
Vini Jr e Neymar choram abraçados após eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo (Foto: Gabriela Biló / Folhapress)
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