Com o fim da Era Neymar, quem será o novo camisa 10 da Seleção Brasileira?
Ancelotti buscará articulador, enquanto Vini Jr herda pressão de protagonista

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Neymar indicou que se aposentará da Seleção Brasileira ao dizer que "seu momento já foi". É o fim da era do camisa 10 — número que representava o papel do meia-atacante em campo, claro, mas também como líder técnico e centro das atenções. Diante de ciclo tão desafiador, Carlo Ancelotti tem como um dos objetivos encontrar um novo organizador para o Brasil, que o craque já não conseguiu ser na Copa de 2026 devido às condições físicas.
Apesar de ter começado a carreira como ponta, o astro do Santos migrou para a zona mais central do campo a partir da transferência para o PSG, em 2017. Assim, pôde influenciar mais no andamento dos jogos. A nova função também foi adotada na equipe nacional, cuja torcida se acostumou a ver outros gênios como Pelé, Zico e Rivaldo desempenhando-a, cada um com suas características.
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O dilema de Ancelotti na busca pelo novo 10
No ciclo até a Copa do Mundo, Ancelotti não contava com um 10 de ofício e optou por escalar a Seleção no esquema 4-2-4. No entanto, mudou de ideia no início do torneio e promoveu a entrada de Lucas Paquetá, jogador que surgiu como meia-atacante, mas desenvolveu valências defensivas e passou a jogar um pouco mais recuado em sua trajetória na Europa. Dessa forma, o italiano formou uma trinca de meio-campistas. Contudo, na partida da eliminação contra a Noruega, o atleta do Flamengo estava lesionado e, sem tantas alternativas, Ancelotti escalou o ponta Gabriel Martinelli na função.
A falta de opções do técnico da Seleção na Copa reforça a carência de organizadores de elite no futebol brasileiro. Atualmente, o jogador com mais características de um autêntico camisa 10 talvez seja Matheus Pereira, do Cruzeiro. Aos 30 anos, o meia aguarda nova convocação — sua única oportunidade até hoje foram 12 minutos sob o comando de Dorival Júnior em jogo pelas Eliminatórias, contra o Peru, em outubro de 2024.

Carlo Ancelotti, então, pode também começar a olhar para os lados dos campos na busca pela vaga na zona central. Raphinha até já jogou por ali no Barcelona, mas é um atleta muito mais de ataque ao espaço e velocidade do que de cadência e visão de jogo. Outra opção seria Rodrygo, do rival Real Madrid, que atua preferencialmente no lado direito, mas tem refino técnico para, como Neymar, migrar para a área mais congestionada do gramado.
A expectativa também é grande pelo desempenho de Estêvão, que, assim como Rodrygo, perdeu a Copa do Mundo por lesão. No Chelsea, assim como ocorria no time principal do Palmeiras, o jovem de 19 anos costuma atuar pela ponta direita. Contudo, na base alviverde, executava o papel de camisa 10. É outro que pode tornar-se solução para armar a Seleção Brasileira.

Entre os jovens em ascensão, Gabriel Mec surge como um meia-atacante de muito potencial no Grêmio. Aos 18 anos, já é titular do Tricolor gaúcho regularmente. É cedo para colocar qualquer responsabilidade em cima do menino, mas aparece como um nome a se observar nos próximos quatro anos.
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O plano B: meio-campo forte em vez de um pensador?
Em contraste à seca brasileira, o recém-finalizado Mundial trouxe como tendência o retorno dos camisas 10. Os quatro semifinalistas atuavam com um jogador na função: Dani Olmo (Espanha), Lionel Messi (Argentina), Jude Bellingham (Inglaterra) e Michael Olise (França), cada um com um estilo diferente. Carrasco brasileiro, a Noruega também teve como diferencial o poder de organização do seu armador Martin Odegaard.
Na década passada, porém, os dois grandes times do planeta tiveram seus maiores sucessos sem um camisa 10 propriamente dito, mas com trincas de meio-campo extremamente técnicas. No Real Madrid, jogavam Casemiro, Luka Modric e Toni Kroos. No Barcelona, o trio era formado por Sergio Busquets, Xavi Hernández e Andrés Iniesta. E tal formação não caiu em desuso: o atual bicampeão da Champions League, o PSG, joga de forma similar com João Neves, Vitinha e Fabián Ruiz.
O problema é que o Brasil também tem dificuldade para compensar a ausência de um pensador como Neymar com meio-campistas que tenham capacidade para controlar o jogo. Casemiro, aos 34 anos, já não chegou no mais alto nível à Copa do Mundo. A referência é Bruno Guimarães, do Newcastle, que torce para o desenvolvimento de possíveis companheiros, como os jovens João Gomes (Aston Villa), Danilo (Botafogo) e Breno Bidon (Corinthians).

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Sem Neymar, Vini Jr herda a coroa e o peso da Seleção
Vinícius Júnior não exerce o papel tático de camisa 10, mas ficou claro que é o grande protagonista da Seleção Brasileira pós-Neymar: na Copa do Mundo, teve seu grande torneio com a Amarelinha, finalizado com quatro gols e uma assistência em cinco jogos. Ainda assim, dividiu holofotes com as expectativas em torno do astro santista. A partir de agora, a tendência é que a pressão e responsabilidade sobre o craque do Real Madrid sejam ainda maiores.
Por ter o drible em velocidade como trunfo, parece improvável que Vini se transforme num meia-atacante, pelo menos a curto prazo. Mas talvez o jogador herde a numeração mais importante do futebol, que também já foi utilizada por Rodrygo na ausência de Neymar. Independentemente da formação do meio-campo brasileiro e da aparição ou não de bons organizadores, a cobrança por decisão recairá sobre o atacante do Real, que completará 30 anos durante a próxima Copa e carrega o peso de recolocar a Seleção Brasileira no topo do futebol mundial.


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