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Análise tática do Guffo: chega de ser penta!

O caminho para o hexa passa por aceitar a natureza da Copa do Mundo

Endrick durante comemoração em gol da vitória durante Brasil e Egito. (Foto: Kirk Irwin / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
imagem cameraEndrick comemora o gol que garantiu a vitória do Brasil sobre o Marrocos
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 07/06/2026
00:01

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Após a vitória do Brasil no amistoso contra o Egito, cheguei à conclusão: chega de ser penta! Algumas situações da partida me mostraram que o hexa sim é possível. No futebol de clubes, o sistema engole o indivíduo; os times treinam o ano inteiro, decoram mecanismos e punem qualquer desajuste. No futebol de seleções, a história é outra. As equipes falham nos momentos que menos se espera. E acertam também mais pela vontade de ganhar do que pela organização tática. 

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A fórmula para o Brasil passa por um tripé inegociável: equilíbrio na construção com a posse, transições letais em velocidade e, acima de tudo, consistência defensiva. Os amistosos contra Panamá e Egito mostraram que a ideia de Ancelotti é clara: atrair o adversário para o próprio campo e acelerar nas costas da última linha. O problema é que a execução ainda esbarra na falta de sintonia. O Brasil, penta mundial em 2002, sofre para conectar os três setores com passes limpos. 

Chegou a hora dos titulares

Para que a engrenagem funcione, o time titular precisa se afirmar. E essa afirmação começa na defesa. O erro de Marquinhos contra o Egito, entregando o empate logo após o Brasil abrir o placar com Bruno Guimarães, é o tipo de apagão que custa uma eliminação. Para estancar essa insegurança, Léo Pereira pede passagem na zaga, oferecendo imposição física e saída de bola qualificada. Na lateral direita, com a lesão de Wesley, Danilo é a escolha da maturidade. Ele entende o tempo do jogo, fecha a linha e dá o suporte necessário para que o ataque flutue sem medo.

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No meio-campo, a presença de Danilo Santos surge como o ponto de equilíbrio. Num time que defende em 4-4-2 e ataca de forma fluida, buscando a verticalidade a todo custo, você precisa de um volante que não apenas combata, mas que saiba fazer o time andar para frente com inteligência. Ele é a peça que permite que a transição rápida não vire apenas uma trocação franca, garantindo que o Brasil consiga circular a bola quando o adversário baixa o bloco e recusa o jogo de transição. Um time titular inicial pode ser este da arte abaixo.

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O fiel da balança

E aí chegamos ao ataque, onde a teoria de Ancelotti encontra a prática. O italiano já avisou: o time ataca de acordo com as características de quem está em campo. E quem tem que estar em campo é Endrick. O garoto precisou de apenas seis minutos contra o Egito para roubar uma bola, tabelar com Raphinha e decidir. Ele não é mais uma promessa para o segundo tempo; ele é uma força da natureza. Endrick traz a potência, a velocidade e a fome de área que o Brasil, única Seleção penta do mundo, não via há muito tempo. Ele é o cara perfeito para atacar o espaço que a estratégia de Ancelotti tenta criar.

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O encaixe ideal para essa explosão atende por um nome que muitos já descartaram: Neymar. Mas atenção: aquele craque do drible em sequência e do duelo físico constante não existe mais. Ele mesmo parece ter entendido que tem um novo corpo. Hoje, Neymar precisa ser o cérebro. O ritmista que acha o passe decisivo. Seja vindo do meio ou atuando como falso 9. Imagine a cadência e a visão de um Neymar maduro alimentando a explosão e a força bruta de Endrick. É o encontro de dois gênios em tempos distintos, uma associação que nenhum treinador europeu consegue sistematizar. Veja uma possível escalação com Neymar e Endrick na arte abaixo.

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Neymar pode não ter perna para 90 minutos de intensidade máxima, mas ele é o fiel da balança. Num torneio onde as conexões naturais resolvem jogos travados, a sintonia entre a visão de um e a potência do outro pode ser o diferencial do Brasil contra as defesas europeias. É o talento disruptivo que quebra qualquer sistema hermético.

Eu repito: chega de ser penta! O caminho para o hexa passa por aceitar a natureza da Copa do Mundo. Com Léo Pereira e Danilo estabilizando a defesa, Danilo Santos equilibrando o meio, e a dupla Neymar-Endrick resolvendo na frente, o Brasil ganha corpo. Em um torneio de coletivos falhos, quem tem solidez atrás e genialidade na frente costuma terminar com a taça. O cenário está posto. O Hexa é, sim, muito possível.

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