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Análise tática do Guffo: Portugal está sendo subestimado?

Existe um silêncio curioso ao redor de Portugal nesta Copa do Mundo

Cristiano Ronaldo marcou em Portugal x Espanha (Foto: John MACDOUGALL / AFP)
imagem cameraCristiano Ronaldo em jogo contra a Espanha (Foto: John MacDougall / AFP)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 05/06/2026
07:30

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Existe um silêncio curioso ao redor de Portugal nesta Copa do Mundo. Enquanto os holofotes e os debates se concentram quase que exclusivamente em França, Espanha, Argentina e Brasil, a seleção de Roberto Martínez desembarca na América do Norte como a atual campeã da Nations League e dona de um dos elencos mais profundos do planeta. Tratar os portugueses como azarões ou "segunda prateleira" não é apenas um erro de avaliação; é ignorar o que acontece no campo. Portugal é, de longe, o candidato mais subestimado desta Copa do Mundo.

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A grande ruptura tática desta geração foi o abandono do pragmatismo defensivo da era Fernando Santos. Martínez implementou um modelo proativo, de posse e controle territorial. E o coração dessa engrenagem é o que podemos chamar, sem exagero, de melhor meio-campo do mundo. Vitinha dita o ritmo, João Neves entrega intensidade, e Bruno Fernandes, vindo de uma temporada memorável na Premier League, é a usina de criação. É um setor que não apenas toca a bola, mas encurrala o adversário no próprio campo, gerando volume e linhas de passe o tempo todo.

O peso do fator CR7 na seleção de Portugal

Esse domínio territorial ativa outra arma letal: os corredores. Com Nuno Mendes (MVP da Nations) e João Cancelo, Portugal tem "progressores" de elite que transformam a posse em agressividade. E é aqui que entra o fator Cristiano Ronaldo. Em sua sexta e última Copa do Mundo, o camisa 7 encontrou um ecossistema que o favorece perfeitamente. Ele não precisa mais recuar para participar da construção. O time empurra o rival para trás, aciona os lados e abastece a área com cruzamentos e passes rápidos. Para um finalizador letal, é o cenário dos sonhos.

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Mas o futebol cobra seu preço, e o de Portugal está na transição defensiva. Para atacar com tanta gente e manter a posse alta, Martínez joga com a última linha no meio-campo. Quando o adversário recupera a bola e quebra a primeira pressão, o cenário é de alerta vermelho. O meio-campo português é brilhante com a bola, mas não tem o perfil de "comer grama" correndo para trás. Zagueiros como Gonçalo Inácio, excelentes na saída de bola, acabam expostos em campo aberto contra atacantes físicos e velozes. É uma equipe que ataca no paraíso, mas defende no limite do abismo. Veja arte abaixo:

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Uma equação portuguesa com certeza

Há também o invisível "dilema Ronaldo". A necessidade de municiar o astro na área muitas vezes vicia o ataque, tornando o time previsível na insistência pelos cruzamentos e tirando o espaço de improviso de talentos como Rafael Leão ou Bernardo Silva. Na primeira fase, contra adversários que vão naturalmente se fechar em blocos baixos, o volume ofensivo de Portugal deve sobrar e mascarar esses defeitos. O problema começa no mata-mata. É lá que a previsibilidade de Martínez, historicamente cauteloso nas mexidas quando o jogo aperta, costuma cobrar a conta.

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A seleção de Portugal está sendo subestimada? A equação dos encarnados nesta Copa é muito clara: o poder de fogo consegue mitigar as falhas de recomposição? O talento puro diz que sim. É um time construído para ter a bola, ditar o ritmo e amassar quem tentar apenas se defender. Se Roberto Martínez conseguir equilibrar a transição defensiva sem castrar a criatividade do seu meio-campo, a última dança de Cristiano Ronaldo tem tudo para ir muito mais longe do que o silêncio atual sugere. Subestimar Portugal hoje é um erro que os favoritos podem pagar caríssimo ali na frente.

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