EXCLUSIVO PARA ASSINANTES

Ao lançar Endrick e Rayan, Ancelotti isola vozes no ouvido para escutar as da sua cabeça

Técnico usou jogo mais fácil da fase de grupos para aliviar pressão

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
22/06/2026 08:00
Ilustração gerada por IA mostra Carlo Ancelotti pressionado para escalar Endrick e Rayan (Imagem gerada por IA)
Ancelotti aproveitou jogo contra o Haiti para trazer paz à Seleção (Foto: ROBERTO SCHMIDT/AFP)

Carregando conteúdo exclusivo...

A atuação do Brasil diante do limitado Haiti passou longe de ser brilhante, mas alguns aspectos da partida contribuíram, e muito, com o técnico Carlo Ancelotti. O italiano, depois de uma estreia ruim na Copa do Mundo diante de um bem arrumado Marrocos, enfrentou uma série de críticas. Tanto ele quanto os jogadores demonstraram impaciência. E a equipe estreante na competição se provou um adversário sob medida para equilibrar as cobranças pela ausência de Endrick e Rayan nas escalações.

Os 3 a 0 sobre os haitianos trouxeram alívio e um problemão: a lesão de Raphinha, que, por outro lado, proporcionou a primeira oportunidade a Rayan. Endrick, o foco principal do clamor popular depois da estreia frustrante da Seleção, entrou no jogo mais perto do apito final, teve um gol anulado, mas, como Rayan, não encheu os olhos da torcida, tampouco do treinador. Afinal, são dois atletas com enorme potencial, mas muito jovens. Ponto para Ancelotti, que avisou não ser o ideal queimar etapas.

continua após a publicidade

➡️Protagonista no Real e na Seleção, Vini Jr. vai além do futebol como líder antirracista

Mesmo assim, independentemente da atuação contra o Haiti, Rayan surge como opção obrigatória na direita com a lesão do titular e jogador do Barcelona. Brigará com Luiz Henrique, que, em tese, larga na frente pela vaga. O atacante do Zenit leva vantagem pela experiência e boa performance pela Seleção em outros momentos. 

Endrick teve atuação discreta contra o Haiti. (Foto: Thenews2/Folhapress)
Endrick teve atuação discreta contra o Haiti (Foto: Phd Press/Thenews2/Folhapress)

Na estreia, Rayan teve números bastante modestos, apesar de ter entrado ainda na etapa inicial. Acertou 16 de 18 passes, não errou nenhum na defesa, conseguiu uma bola longa e criou uma chance, justamente o passe para o gol anulado de Endrick. Este teve menos minutos, mas ainda assim um tempo razoável no gramado. Participou pouco e só levou perigo na jogada em que balançou a rede em impedimento.

continua após a publicidade

Leitores do Lance! apontam quem deve substituir Raphinha

O técnico aproveitou um jogo contra um adversário notoriamente inferior para tirar o peso de uma estreia em Copa dos ombros dos garotos e, de quebra, afastar as cobranças sobre si próprio por não ter lançado os dois na partida contra o Marrocos — na qual certamente encontrariam pela frente um rival bem mais preparado. 

— Rapaz, eu estava meio ansioso, mas depois o peso sai. Eu estava com a perna tremendo, mas, depois que toca a primeira vez na bola, o peso sai. Estrear com essa vitória foi maravilhoso, quero agradecer por isso, e agora é seguir trabalhando — disse Rayan à Cazé TV.

continua após a publicidade

➡️ Neymar dá sinal claro sobre seu momento em treino da Seleção Brasileira

O depoimento pós-estreia do ex-vascaíno deixa claro por que o treinador mostra muita cautela em escalar estes dois. E dá um sinal de que já conhece como funciona a torcida brasileira. Sim, uma sequência de atuações ruins, mesmo com o potencial desses jogadores, somada a um desempenho aquém do esperado do Brasil na Copa do Mundo, poderia talvez não queimar totalmente os atletas, mas criar um ambiente de pressão desnecessário até para o próximo Mundial — que é quando Ancelotti realmente espera estar com ambos muito bem preparados e já protagonistas da Seleção.

Rayan fez sua estreia em Copas ao substituir Raphinha contra o Haiti (Foto: Fotoarena/Folhapress)
Rayan fez sua estreia em Copas contra o Haiti (Foto: Marcelo Machado de Melo /Fotoarena/Folhapress)

Para o jogo contra a Escócia, fechando a fase de grupos brasileira na próxima quarta-feira, Ancelotti ganhou, principalmente, paz. Não somente pelo fato de Paquetá ter sido eficiente ao desempenhar uma função para a qual a equipe não tem opções, ou por Matheus Cunha ter conseguido empurrar a bola para dentro. Ou ainda por Douglas Santos ter funcionado a contento, solto como ponta, para permitir um Vini Jr., mesmo meio a contragosto, letal também atuando mais por dentro. O italiano enxergou novas opções e aproveitou o resultado feito para aliviar a ansiedade em torno da escalação da molecada.

➡️ Atualmente em 1º lugar do grupo, quem o Brasil enfrentaria no mata-mata da Copa?

Em conversa informal antes do início da Copa com o Lance!, um integrante de alto escalão da CBF que vive o dia a dia da Seleção Brasileira nos Estados Unidos opinou sobre o convívio com o treinador que acabara de renovar seu contrato para o ciclo do Mundial de 2030. A resposta mostrou por que se trata de um vitorioso nato.

— Acho que a principal diferença dele é que não tem medo da própria sombra — disse, no sentido de que o italiano toma as decisões que tem de tomar sem medo de perder o cargo ou de ser criticado; a visão não é de curto prazo e seu currículo lhe permite barrar intromissões indesejadas.

Entre boatos sobre envolvimento de patrocinadores na demora em escalar Endrick e críticas por não dar chance a Rayan, foi Ancelotti quem esbanjou habilidade para diminuir o volume das vozes no seu ouvido e ter um pouco mais de tranquilidade para seguir as da sua cabeça. 

💸 Novibet — bônus de aposta extra até R$100
É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.

Sugerida para você!


Mais LANCE!