Ancelotti mostra impaciência após empate e chama atenção no Brasil
Italiano mostrou estilo pouco visto desde que assumiu a Seleção em maio de 2025

MORRISTOWN, NJ (EUA) - A entrevista coletiva de Carlo Ancelotti após o empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos, na estreia da Copa do Mundo, teve um componente pouco habitual desde a chegada do treinador italiano à Seleção Brasileira: a impaciência. Conhecido pelo trato cordial com jornalistas e pela habilidade de lidar com perguntas incômodas sem perder o bom humor, o comandante exibiu respostas mais secas e atravessadas em alguns momentos, especialmente quando os questionamentos envolviam jogadores que permaneceram no banco de reservas durante toda a partida.
Ao longo da coletiva realizada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Ancelotti demonstrou impaciência em determinadas respostas. Em vez do tom descontraído que costuma marcar suas aparições públicas, o treinador respondeu de maneira mais objetiva e, por vezes, visivelmente incomodado com a insistência em temas relacionados às escolhas da escalação e das substituições. Postura bem diferente da véspera, exatamente no mesmo local da entrevista pré-jogo e com uma quantidade maior de jornalistas, quando estava sereno e confortável.
O clima também chamou a atenção na zona mista. Após deixar a sala de imprensa, Ancelotti foi chamado por alguns jornalistas para rápidas entrevistas. Entre eles estavam profissionais com quem o técnico costuma brincar e manter uma relação bastante amistosa desde o início de sua trajetória na Seleção. Desta vez, porém, o italiano passou sem parar, com semblante fechado e expressão de poucos amigos, comportamento raro para alguém conhecido justamente pela simpatia nos bastidores.
A explicação para o incômodo pode estar além das perguntas recebidas. Nos bastidores, a informação era de que Ancelotti ficou descontente com a organização das entrevistas após a partida. A notícia foi divulgada inicialmente pelo UOL e posteriormente confirmada pelo Lance!. Problemas operacionais também contribuíram para aumentar o desconforto do treinador durante a coletiva.
Pelo menos duas vezes, Ancelotti teve dificuldades para ouvir as perguntas feitas pelos jornalistas por conta do sistema de som da sala de coletiva. Em ambos os episódios, precisou da ajuda do diretor de comunicação da CBF, Fábio Seixas, para compreender os questionamentos antes de formular as respostas. A situação gerou pequenas interrupções e tornou a dinâmica da entrevista mais truncada.
Desde que assumiu a Seleção Brasileira, esta foi uma das raríssimas ocasiões em que Ancelotti demonstrou irritação de forma tão evidente diante da imprensa. O único episódio semelhante havia ocorrido na derrota por 3 a 2 para o Japão, em amistoso internacional, quando também respondeu de maneira mais impaciente a algumas perguntas.
Apesar do resultado apenas regular na estreia e da tensão percebida na entrevista, a expectativa é de que o treinador retome ao seu perfil habitual. A Seleção volta a campo no dia 19, contra o Haiti, na Filadélfia, em partida importante para encaminhar a classificação à fase de mata-mata da Copa do Mundo.

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